Caminhar pelo centro e o Porto Geral de Corumbá é voltar a um passado de prosperidade econômico pós-guerra (do Paraguai), entre o fim do século 19 e meados do século 20. São grandes casarões construídos com influência arquitetônica europeia, misturas neoclássicas e coloniais e ornamentações de diversas origens.
Tombado pelo patrimônio histórico nacional, o conjunto reflete a importância continental da cidade como terceiro maior porto fluvial do Brasil.
A imponência desses bens culturais chama a atenção do visitante, qualificando Corumbá como uma cidade de aspecto urbanístico e paisagístico diferenciado em Mato Grosso do Sul, moldada pelos caminhos das águas do Rio Paraguai e platinas.
Elementos ornamentais, fachadas alinhadas ao passeio público e diferentes usos urbanos compõem a identidade visual do conjunto histórico, grande parte de frente para o rio e o Pantanal.
O corumbaense precisa incorporar essa joia cultural ao seu bairrismo como pertencimento e, assim, protegê-la e eternizá-la. Várias têm sido as iniciativas (ou tentativas) para que a cidade assuma um dos elementos mais preciosos de sua história de 247 anos, envolvendo, principalmente, os jovens e as crianças.
Ainda se depreda, abandona ou descaracteriza um imóvel histórico, ou pior, leva-se ao chão para construir algo que não compõe a paisagem.
Foto: Silvio de AndradeNa palma da mão
Na semana passada, a prefeitura de Corumbá, com a participação do campus da Universidade Federal de MS (UFMS), lançou mais um projeto que chega como um novo despertar para atrair a família corumbaense, os turistas e os pesquisadores para a valorização do Centro Histórico (e entorno).
O Corumbá a Pé é um convite para a busca da identidade e referenciar uma bela e encantadora cidade, com seus paralelepípedos, palmeiras imperiais e samba no pé.
Com a ajuda da tecnologia para aproximar a população e o visitante, o passeio por essas edificações de grande expressividade se torna mais do que uma aula de patrimônio arquitetônico, num momento crucial em que o município está investindo R$ 21 milhões na restauração de cinco prédios.
Por meio da leitura de QR codes, a identificação e a história do imóvel vêm à palma da mão, enquanto se observa sua grandiosidade arquitetônica.
A iniciativa inovadora contempla 17 exemplares construídos a partir de 1876 (Casa Wanderley & Baís, na Rua Manoel Cavassa, orla portuária).
Suas fachadas receberam placas com QR codes e, ao apontar a câmera do celular, tem-se acesso a informações sobre a história, as características de construção e a importância cultural, tornando a experiência de conhecer o Centro Histórico mais interativa, acessível e educativa com conteúdo digital.
No Porto Geral, antiga Alfândega e, ao fundo, prédio da Casa Vasquez & FilhosFoto: Silvio de Andrade
Foto: Silvio de AndradeAlém da Casa Wanderley & Baís, que abriga o Museu de História do Pantanal (Muhpan), foram incluídas na listagem outras construções do século 19, como o antigo presídio (hoje, Casa do Artesão), de 1875, a Catedral de Nossa Senhora da Candelária, de 1885, a Alfândega, sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan), de 1896, e a Casa Comercial Vasquez & Filhos, sede do Memorial do Homem Pantaneiro, de 1898.
Fortalecer a identidade
Também figuram o Instituto Luiz de Albuquerque (ILA), o Moinho Mato-Grossense (hoje, Moinho Cultural Sul-Americano), a antiga sede da prefeitura, a Casa Marinho, o Hotel Galileo, o Mercadão Municipal, o Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, a Escola Municipal Cyriano Félix de Toledo, inaugurada em 1947 pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra, a Praça da República, local da retomada de Corumbá na Guerra do Paraguai, o Museu Casa do Dr. Gabi, a Casa e Museu Art Izu e o Centro de Convenções do Pantanal.
A Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico (Fuphan), ao lançar o Corumbá a Pé, aposta na ferramenta e no acesso fácil à história patrimonial para aproximar moradores, estudantes e visitantes da memória urbana corumbaense e promover sua valorização e proteção.
Arquiteta Lauzie Xavier, diretora-presidente da FuphanFoto: Silvio de Andrade
Para a diretora-presidente da fundação, Lauzie Michelle Mohamed Xavier Salazar, despertar a comunidade para sua própria história é vital para esse pertencimento.
“A iniciativa integra ações de educação patrimonial voltadas à valorização da memória urbana, ao fortalecimento da identidade cultural da população e à promoção do turismo cultural em Corumbá”, ressalta Lauzie, que é arquiteta e neta da escultora Izulina Xavier (ícone da cultura pantaneira, falecida em 2022) e trabalhou em vários projetos de restauração no conjunto tombado em 1993.
Numa segunda fase, o projeto, que tem o apoio do escritório técnico do Iphan, ampliará o catálogo dos imóveis históricos para 40, contando também com a participação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado (CAU).
A plataforma de acesso às informações (inclui mapa da área tombada) foi desenvolvida pelos alunos do campus da UFMS que integram o trabalho de extensão Materialidade e Espacialidade das fachadas Históricas de Corumbá-MS.
Acesse o site em https://lapan-arq.github.io/Casario-do-Porto-de-Corumba/.
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