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Sophia Abrahão: "No final desse ano eu tive o prazer de interpretar Daniela"

Atriz, Cantora, Apresentadora e Digital Influencer, a artista multifacetada já entrou na lista FORBES UNDER 30 da revista Forbes com pessoas no Brasil de até 30 anos que se destacaram em suas atividades em 2016

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Em atividade desde os 13 anos, Sophia é uma potência nas diversas vertentes que atua. Atualmente, ela está com novos planos e se dedica ao seu canal no Youtube e ao Clube do Livro, que tem como proposta o incentivo à leitura com seus fãs e seguidores.

A ideia para surgiu após Sophia, que tem cinco livros publicados em parceria, perceber a constante interação de seus mais de 5 milhões de seguidores que acompanham fervorosamente as breves resenhas que ela faz em seus stories pedindo mais dicas de livros.

Seu canal no Youtube atualmente possui mais de 13 milhões de visualizações, e nele, Sophia explora diversas vertentes, como vlogs, entrevistas, interações com os seguidores, e aborda assuntos relevantes, como o feminismo, comportamento e lifestyle.

Sua carreira começou cedo, teve oportunidade de morar em diversos países onde participou de catálogos, desfiles e comerciais de televisão, e já chegou a morar cinco meses na China, trabalhando como modelo.

Ao retornar ao Brasil, fez curso de interpretação e Expressão para TV, Publicidade e Teatro, em São Paulo, e logo foi escalada para o elenco da novela “Malhação“.

Em 2010, passou a co-protagonizar a telenovela “Rebelde” na Record, como Alice Albuquerque e, com o resto do elenco, formou parte de uma banda homônima.

 Outras grandes produções expressivas em seu currículo incluem a peça e o filme “Confissões de Adolescente” e a novela “Amor à Vida”, da Rede Globo. Em 2014 fez sucesso como Gaby, na novela das 19h da Rede Globo, “Alto Astral“.

Sua carreira musical também teve grandes destaques: no final de 2015 lançou o álbum “Sophia Abrahão“, que, em menos de 24 horas, se tornou o álbum mais baixado do iTunes. 

Além disso, em 2016, Sophia foi indicada ao Latin Grammy, principal prêmio de música mundial, como Melhor Artista Revelação. Ainda em 2016, além da turnê, que passou por algumas capitais do Brasil, Sophia participou do quadro “Dança dos Famosos” no Domingão do Faustão, no qual conquistou o vice-campeonato.

Sophia na Super Dança dos Famosos - Divulgação

O ano de 2016 foi repleto de projetos bacanas e muitas realizações profissionais para Sophia. A artista multifacetada entrou na lista FORBES UNDER 30 – lista da revista Forbes com pessoas no Brasil de até 30 anos que se destacaram em suas atividades –. Ela recebeu destaque na categoria cinema, televisão e teatro.

Sophia também assumiu a bancada como apresentadora fixa do Vídeo Show até 2019 se revezando com Otaviano Costa e Joaquim Lopes e aguarda sua a estreia do filme "Todo Mundo tem Problemas com o Amor", onde interpreta a personagem Daniela, previsto para as telonas em 2023.

Em entrevista exclusiva ao Correio B+ desta semana, Sophia conta tudo pra gente sobre carreira, música, estreia e novos projetos.

Sophia Abrahão já esteva na lista da revista FORBES - Divulgação

CE: Fazendo um retrospecto da sua carreira, como tudo começou?
SA: “Eu comecei como modelo aos 13 anos, em São Paulo (SP). Eu fui abordada por um booker de uma agência que perguntou se eu tinha interesse em trabalhar, porque ele achou que eu tinha o perfil na época. E a partir daí eu entrei nessa agência e comecei a fazer vários testes, pegar alguns trabalhos. E foi assim até meus 15 anos, quando eu fui selecionada para passar uma temporada trabalhando como modelo na China.

Quando eu voltei para o Brasil, com 16 anos, eu fiz meu primeiro teste para TV, porque a minha agência achava que se eu tivesse mais experiência com texto e câmera, talvez eu pudesse pegar mais trabalho de publicidade, que eram trabalhos melhor remunerados nesse meio da publicidade.

Então, o teste de malhação, a princípio, foi mais como um aprendizado e uma experiência. E, pra minha surpresa, eu acabei passando nesse primeiro teste e foi assim que eu mudei para o Rio de Janeiro (RJ), com 16 anos, comecei a atuar e já no Rio, busquei muito apoio, escolas de atuação e, paralelo à minha experiência na Malhação, eu também comecei a me dedicar a parte teórica do ofício, porque eu não esperava que eu fosse passar nessa circunstância.

E a partir daí, eu comecei a me jogar de cabeça mesmo nessa área e descobrir que era o que eu queria fazer para o resto da vida.”

CE: Você chegou a morar na China trabalhando como modelo e depois voltou... Como foi essa experiência?
SA: “Morar na China foi uma das experiências mais enriquecedoras e difíceis da minha vida. Na época, eu tinha só 15 anos, e eu fui passar essa temporada sozinha, sem meus pais, foi a primeira vez que eu saí de casa.

Foi um período muito frutífero em relação a trabalho, o mercado chinês é um mercado muito produtivo, o volume de trabalho é imenso e eu consegui trabalhar bastante por lá, e não posso deixar de falar toda a bagagem cultural que eu adquiri com essa viagem, estar em contato com outras tradições, poder ver e conviver com culturas muito diferentes da minha foi uma experiência muito profunda na minha vida.

Eu tenho certeza que esse período ajudou também a moldar toda a minha personalidade, e também moldar a forma que eu enxergava o mundo, com todas as suas complexidades e todas as suas diferenças. Foi um período difícil pela maneira, por estar sozinha, sem meus pais, longe de casa, mas foi um período de muito aprendizado e eu adquiri uma bagagem imensurável.

CE: O que a fez voltar a morar no Brasil?
SA:
“Minha viagem para a China já tinha uma previsão de término. Estava estudando na época, então, eu acordei com o colégio pra me ausentar por um tempo, e também aproveitei as férias de verão que eu não teria aula. Eu sabia que ia voltar para o Brasil depois de 5 meses, e voltei para completar os estudos, de uma maneira que eu não me prejudiquei muito, eu tinha boas notas, então passei de ano direto. Aproveitei esse período que eu já não teria aula, acordei com o colégio mais um pouco das aulas que eu ia perder, e voltei para estudar.”

A atriz Sophia Abrahão é Capa do Correio B+ desta semana - Diagramação Denis Felipe

CE: Você tem passagens marcantes por duas as principais novelas voltadas para o público jovem: “Malhação” e “Rebelde”. Como foi fazer parte desses projetos? Nos conte um pouco sobre as experiências...
SA:
“‘Malhação’ foi o primeiro projeto atuando da minha vida, caí de paraquedas mesmo, me mudei para o Rio de Janeiro (RJ), fui emancipada e passei a morar sozinha definitivamente, porque aos 15 anos eu tinha passado só um período sem os meus pais e aos 16, de fato, vim morar sozinha.

No começo foi bem difícil, desafiador, porque eu não sabia muito bem como me comportar, não entendia muito sobre o ofício da atuação, mas como é uma experiência muito intensa e existe sim uma atenção e um cuidado maior, porque a maioria das pessoas ali está começando, está no seu primeiro trabalho, então toda a equipe me acolheu de uma maneira muito carinhosa.

Justamente por isso eu consegui passar por essa fase, esse período de adaptação, de uma maneira mais tranquila e muito bem amparada. Sem dúvida nenhuma, foi o melhor começo que eu poderia ter tido atuando e atuando na TV, e o público jovem que permaneceu comigo também em ‘Rebelde’.

‘Rebelde’, sem dúvida, foi o grande divisor de águas da minha carreira, foi onde esse público aumentou muito de volume. Era uma febre, né? Foi uma novela musical muito popular, que arrastava multidões nos shows, a gente fazia turnê pelo Brasil inteiro, então eu consegui me conectar ainda mais com o público.”

CE: Quais ensinamentos “Malhação” e “Rebelde” proporcionaram a você como atriz?
SA:
“Como atriz, Malhação foi a minha primeira experiência, eu entrei bem crua, só que eu costumo dizer que quando a sorte bate na minha porta, ela me encontra trabalhando.

Porque surgiu essa oportunidade como atriz e logo eu fui correr atrás da parte teórica, do embasamento técnico que eu não tinha quando eu me mudei para o Rio de Janeiro e comecei a atuar. Eu fiz um curso de artes e me dediquei muito aos meus estudos.

Tínhamos preparação local, tínhamos preparação corporal também na ‘Malhação’, eles ofereciam essa estrutura para a gente, então foi um início muito bem amparado. E também tem uma parte que a gente não aprende muito nos cursos, que é vivência do dia a dia, como funciona um set, como se posicionar melhor para as câmeras, sabe decupar um roteiro...

Coisas que eu também nunca tinha tido contato antes e que, de fato, a gente só aprende na prática, fazendo. Quando eu passei para ‘Rebelde’ e fiz Alice, eu já tinha um domínio maior sobre o que que era o ofício, já tinha trabalhado, tinha feito mais uma série depois de ‘Malhação’, já tinha viajado pelo Brasil inteiro com a peça ‘Confissões de Adolescente’.

Então, a parte da atuação já era uma questão que eu dominava um pouco melhor, mas acho que a personagem me exigiu bastante emocionalmente e em termos de preparo físico mesmo, porque a nossa rotina era muito pesada.

Conseguir administrar bem os meus horários, decorar todos os textos do dia, me programar mentalmente não só para estar ali cumprindo, mas também dando o meu melhor nas cenas, foi uma experiência muito enriquecedora. ‘Rebelde’ tinha um volume de trabalho imenso, então eu acho que se ‘Malhação’ foi uma escola, ‘Rebelde’ foi uma faculdade, sem dúvida nenhuma, e me mostrou ainda mais que eu queria seguir essa profissão para sempre.”

CE: Além de atriz, você também é cantora, com um álbum lançado em 2015 que leva o seu nome, “Sophia Abrahão”. Há a pretensão de lançar um novo disco?
SA:
“A música surgiu na minha vida, profissionalmente, com Rebeldes, e desde então eu me apaixonei. Me apaixonei por subir no palco, por cantar, por encontrar os meus fãs pessoalmente e poder vivenciar esse momento junto.

Eu fiz um CD com todo o meu amor, com todo o meu coração, fora esse CD também já lancei outros EPs e outros singles, sempre que eu entro no estúdio é para dar o meu melhor, é pensando no meu público, é colocando ali nas letras tudo que eu estou sentindo, todas as emoções que eu estou vivenciando.

O meu trabalho sempre foi bastante autoral, e é um lado que eu gosto bastante, é uma identidade que eu gosto de imprimir por toda a minha carreira, em todas as áreas que eu atuo.

Eu, atualmente, não tenho pretensão de lançar um novo CD. Acho que esse tipo de coisa tem que vir mesmo do coração, eu tenho certeza que minha carreira de cantora vai permanecer por toda a minha vida.

Não tenho planos para entrar em estúdio e gravar novas faixas, faixas inéditas, mas tem um trabalho musical chegando por aí, releitura de algumas coisas e tomara que as pessoas gostem. Não posso falar muito, mas vai ser lançado em breve, em parceria com o Sérgio também, o que é uma novidade e a gente tá preparando com muito amor, para que a galera possa receber com bastante carinho também.”

Sophia Abrahão - Divulgação

CE: Em 2016, você foi indicada ao Grammy Latino como Melhor Artista Revelação... Qual a sensação de ter tido o seu trabalho reconhecido por uma premiação tão importante?
SA:
“Quando eu fui indicada ao Grammy Latino, eu não acreditei. O Grammy tinha feito uma parceria comigo para eu divulgar a premiação, então na época eu fiz algumas postagens falando sobre o prêmio, sobre as categorias…

E fizeram uma surpresa, além de eu estar apresentando algumas categorias online, me mandaram um arquivo falando que eu tinha sido indicada ao prêmio de Melhor Artista Revelação. Eu fiquei tão extasiada, eu fiquei desnorteada mesmo, porque eu jamais imaginava que isso poderia acontecer.

Eu estava participando dos bastidores da premiação, então, quando chegou minha indicação, eu não acreditei, na hora eu não consegui nem comemorar, porque não fazia sentido aquilo na minha cabeça.

É uma das premiações mais importantes do mundo, e estar podendo representar o Brasil numa categoria internacional, concorrendo com pessoas de toda a América Latina, foi surpreendente, ao mesmo tempo uma emoção muito grande, cheguei a ir à premiação em Las Vegas, pude ver tudo aquilo ali de perto e foi um sonho realizado na minha vida.”

CE: Ainda sobre o seu viés artístico, no mesmo ano, você participou da “Dança dos Famosos”, ficando em 2º lugar. Você já havia tido algum contato com a dança anteriormente? Como foi essa experiência no programa para você?
SA:
“Antes do ‘Dança dos Famosos’, eu tinha experiência de dança no palco com ‘Rebelde’, só que era completamente diferente, porque a gente tinha coreografias individuais, e, no Dança, era dança de salão junto com o nosso professor.

São experiências no viés da dança completamente diferentes, eu nunca tinha feito dança de salão e a gente passa por ritmos muito diferentes entre si, e o tempo que a gente tem para absorver cada coreografia, para aprender a dançar cada ritmo, é muito curto, então participar disso foi assim muito desafiador. A cada domingo eu saía de lá com a sensação de dever cumprido.

Fiquei em segundo lugar no programa, que foi uma surpresa para mim também, eu nunca tinha dançado a dois então não fazia ideia que eu ia chegar até uma final, principalmente ficar em segundo lugar em uma competição com pessoas tão talentosas. Foi uma experiência muito positiva, mas que só de lembrar me dá cansaço, porque foi muito exaustivo também, mas todos os frutos que eu colhi foram maravilhosos.”

                                   Sophia e o namorado, o ator Sérgio Malheiros - Divulgação

CE: Você também já atuou como apresentadora, fazendo parte da bancada do Vídeo Show. O que mais marcou você nessa época?
SA:
“A minha primeira experiência como apresentadora na TV foi no ‘Vídeo Show’, antes disso eu já tinha o meu canal do Youtube, então, de alguma maneira já exercia esse ofício de apresentadora, mas nunca um programa ao vivo de frente para milhões e milhões de espectadores que a Globo tem. Foi mais um desafio na minha carreira.

No começo, foi uma grande loucura, mas corri atrás de fono, de coach, me preparava muito, estudava todas as pautas do programa, tudo que eu podia fazer pra me sentir cada vez mais segura de frente para as câmeras, eu fazia, me preparava de todas as maneiras que eu podia me preparar.

Eu fiquei dois anos à frente do programa, e ao longo do tempo fui me acostumando com aquele ofício que era diário e ao vivo.

Eu saí de lá com uma bagagem que eu não tenho como mensurar, de uma pessoa que atualmente consegue dar conta das adversidades que acontecem, e sem dúvida melhorei a minha capacidade de me comunicar, consegui ter uma dimensão maior do que é estar diretamente em contato com o público, sem um papel, sem estar por trás de uma personagem.”

CE: Por ser uma verdadeira artista, você é muito engajada em temas relacionados à cultura, o que te levou a criar o Clube do Livro. Como funciona esse projeto e quais são os planos para ele previstos para o ano que vem?
SA:
“O Clube do Livro surgiu há pouco mais de três anos na minha vida. Eu comecei a dividir alguns títulos que eu estava lendo com os meus seguidores, e a notar um movimento diferente, as pessoas não só me respondiam, mas também adquiriam os livros e começavam a ler junto comigo, e a partir daí, a gente começou a discutir sobre as temáticas que os livros abordavam, e eu pensei que poderia fazer isso de uma forma mais efetiva, não ficar simplesmente dando dicas aleatórias e sim criar um clube.

E foi aí que surgiu o Clube do Livro, desse meu desejo de poder compartilhar essas experiências literárias junto com os meus seguidores, e o clube foi abraçado de cara, é um dos mais numerosos do Brasil, a adesão é imensa!

É um projeto que não tem fins lucrativos, não existe cobrança nenhuma para participar desse grupo, e funciona da seguinte maneira: a gente elege através do Twitter, um título por mês, e a partir do momento que o título é eleito, eu consigo gerar um desconto com uma editora parceira, e é pré-determinado uma data de início e uma data de conclusão do livro.

Durante todo esse período, que normalmente dura um mês, a gente vai se comunicando, trocando ideias, trocando experiências, dividindo percepções sobre o livro e no final existe uma grande live, onde aí sim, a gente debate sobre toda a história, sobre o que essa história representou na vida de cada leitor.

A gente, infelizmente, vive num país onde as pessoas não têm o hábito de ler, no nosso clube, a gente acaba lendo de 10 a 12 livros por ano, o que é muito acima da média do que normalmente a gente está habituado a ler.

E o clube também me trouxe uma disciplina literária muito grande, eu sempre fui uma leitora um pouquinho mais lenta, um pouquinho mais devagar e quando a gente tem prazos a serem cumpridos, e quando a gente está fazendo isso de maneira coletiva, a experiência se torna ainda mais prazerosa.”

                                        Sophia em "Todo Mundo Tem Problemas com Amor" - Divulgação

CE: Em 2023, nós veremos você nos cinemas, em “Todo Mundo Tem Problemas com Amor”, como Daniela... O que podemos esperar da Sophia nesse novo filme?
SA:
“Esse ano foi um ano muito frutífero também. Eu gravei o filme ‘Letícia’, que é homônimo da minha personagem, uma protagonista, pude ter uma experiência maravilhosa em Brasília, fiquei um mês lá rodando esse longa, pude conhecer mais da cidade e me apaixonei por lá, e por todos os amigos que eu fiz lá, foi um momento muito feliz na minha vida e provavelmente será lançado em 2023.

Esse longa é uma história bem diferente de tudo que eu já fiz, a protagonista tem algumas questões de caráter, alguns traços de personalidade um pouco duvidosos e eu acho que vai prender o público assim do início ao fim, para entender qual que é esse segredo, esse mistério que envolve toda a personagem. Foi um desafio, mas eu amei fazer.

Em seguida, eu fiz ‘Amores Que Enganam’, que foi uma coprodução Brasil, Estados Unidos e México. Fui gravar em Guadalajara, fizemos um episódio, porque a série é uma antologia, então cada episódio tem começo, meio e fim.

Protagonizei esse episódio de uma mulher que se relaciona com um personagem, interpretado pelo Duda Nagle, completamente tóxico e abusivo, então a minha personagem, Amanda, se viu ali embrenhada num universo completamente novo e problemático para ela, ela nunca tinha lidado com essas emoções.

E agora, no final do ano, eu tive o prazer de interpretar Daniela no filme ‘Todo Mundo Tem Problemas com Amor’, foi uma experiência também muito diferente de tudo que já tinha feito. O Dudu Azevedo e a Letícia Lima fazem um casal, que quer ter uma experiência diferente, dar uma apimentada no relacionamento deles, e acaba convidando a Daniela para participar de uma aventura amorosa com eles. E como desenrola essa história, é uma surpresa para todos!”

CE: Sobre os seus novos trabalhos... Pode adiantar algo para gente?
SA:
“Para o ano que vem, estou com uma expectativa muito boa para os projetos que estão vindo, inclusive envolvendo longas que não foram concretizados esse ano. E como eu já disse, o projeto musical que a gente vai lançar em breve, junto com o que vou lançar com o Sérgio, e eu acho que a galera vai gostar.

Então, de alguma forma, também envolvida nesse ambiente musical novamente. Paralelo a isso, todas as ações que eu já faço, ações sociais na minha vida, que hoje em dia é um dos grandes pilares da minha carreira. Sou parceira e embaixadora de algumas ONGs, que estou sempre em contato, e sempre promovendo ações para cada vez estar mais junto e divulgar mais. Também o Clube do Livro, que é uma atividade mensal que eu amo, e que vai perdurar durante muitos e muitos anos.”

        Reprodução Instagram

Comportamento Correio B+

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância

Em uma sociedade cada vez mais conectada, o domínio do inglês, principalmente, está relacionado à capacidade de acessar conhecimento, estabelecer relações, ampliar oportunidades e acompanhar transformações que acontecem em diferentes partes do mundo.

06/09/2026 16h18

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância Foto: Divulgação

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Aprender uma segunda língua deixou de ser um diferencial restrito a determinados momentos da vida acadêmica ou profissional. Em uma sociedade cada vez mais conectada, o domínio do inglês, principalmente, está relacionado à capacidade de acessar conhecimento, estabelecer relações, ampliar oportunidades e acompanhar transformações que acontecem em diferentes partes do mundo.

Mais do que aprender um idioma, desenvolver essa competência significa construir uma habilidade que pode acompanhar o indivíduo durante toda a vida. Por isso, quando falamos sobre educação em inglês, é importante pensar além da conclusão de um curso.

Marcia Lima que atua no Grupo MoveEdu como gerente pedagógica do Yázigi diz: "O aprendizado de uma segunda língua é um processo contínuo, que pode começar na infância, ganhar novos níveis de complexidade na adolescência e continuar sendo aprimorado na vida adulta. Quanto mais cedo esse contato começa, maiores são as possibilidades de incorporar o idioma de maneira natural à rotina e de construir uma relação de longo prazo com o aprendizado".

A infância representa uma etapa especialmente importante nesse processo. É nesse período que a criança está desenvolvendo diferentes habilidades cognitivas, sociais e de comunicação e apresenta grande capacidade de absorver novos sons, estruturas e formas de expressão.

"O contato precoce com o inglês permite que o idioma seja introduzido de maneira progressiva, respeitando cada fase do desenvolvimento e evitando que o aprendizado seja associado exclusivamente à memorização ou à preparação para provas", explica.

Por isso, o ensino para crianças precisa considerar que aprender uma língua também é uma experiência.

"Recursos lúdicos, interação, atividades práticas e situações próximas do universo infantil ajudam a tornar o contato com o inglês mais significativo. Quando o aluno percebe que pode utilizar o idioma para se comunicar, brincar, descobrir coisas novas e interagir com outras pessoas, o inglês deixa de ser apenas uma disciplina e passa a fazer parte de sua formação", diz Marcia.

Esse processo também contribui para que o estudante desenvolva confiança.

"Uma das principais barreiras encontradas por quem começa a estudar um idioma apenas na vida adulta é o receio de errar. Na infância, a relação com o erro tende a ser diferente. Criar um ambiente em que experimentar, tentar novamente e se comunicar fazem parte do aprendizado ajuda a formar estudantes mais seguros para utilizar o inglês em diferentes situações", fala.

Na infância, o aprendizado da fala em um segundo idioma também pode ser realizado de maneira mais natural, especialmente porque os pequenos estão em uma fase de intenso desenvolvimento da capacidade de articulação dos sons e de percepção auditiva.

"Ao ter contato frequente com o inglês desde cedo, podem desenvolver maior familiaridade com diferentes fonemas, entonações e ritmos da língua, reproduzindo-os com mais espontaneidade. Esse contato precoce contribui para a construção de uma pronúncia mais natural e para que a comunicação em outro idioma seja incorporada de forma gradual ao seu repertório".

Mas começar cedo não significa que o aprendizado termina cedo. Pelo contrário. O inglês deve acompanhar as diferentes fases da vida.

"Na adolescência, por exemplo, o idioma pode ser utilizado para ampliar o acesso a conteúdos, culturas, tecnologias e oportunidades internacionais. Na universidade e no início da trajetória profissional, passa a ter ainda mais relevância para pesquisas, cursos, networking e mercado de trabalho. Na vida adulta, a continuidade desse aprendizado também é fundamental. Novas profissões surgem, tecnologias transformam atividades e as relações profissionais se tornam cada vez mais globais. Nesse contexto, manter o contato com a língua significa também manter aberta a possibilidade de aprender continuamente".

Essa perspectiva muda a maneira como escolas de idiomas devem enxergar sua atuação. O objetivo não pode ser apenas fazer com que o aluno conclua determinado nível.

É preciso criar uma jornada educacional capaz de estimular autonomia e curiosidade para que o estudante continue utilizando e aprimorando o idioma ao longo do tempo.

"No Yázigi, por exemplo, essa visão está diretamente relacionada ao trabalho desenvolvido com crianças. A formação desde os primeiros anos busca criar uma base sólida para que o aluno avance progressivamente, respeitando seu desenvolvimento e construindo familiaridade com o idioma. Mais do que antecipar o contato com o inglês, a proposta é fazer com que a criança compreenda, desde cedo, que aprender uma língua é uma competência que poderá acompanhá-la em diferentes momentos de sua trajetória", exemplifica.

Em um mundo no qual informação e conhecimento circulam sem fronteiras, essa preparação ganha ainda mais relevância, já que o inglês está presente na ciência, na tecnologia, no entretenimento, nos negócios e na comunicação internacional.

"Ter acesso a esse universo sem depender exclusivamente de traduções amplia as possibilidades de aprendizagem e participação. A educação, portanto, precisa preparar o indivíduo não só para uma etapa específica, mas para uma vida de aprendizado. Começar o inglês na infância é uma forma de construir essa jornada desde cedo, mas o verdadeiro valor está em desenvolver no estudante a disposição para continuar aprendendo", explica.

Acredito que esse seja um dos principais papéis de uma escola de idiomas, não apenas ensinar uma língua, mas ajudar a formar pessoas que entendam o aprendizado como algo permanente.

"Quando uma criança começa a aprender inglês hoje, não estamos pensando somente na próxima prova ou no próximo nível do curso. Estamos contribuindo para que ela tenha, no futuro, mais ferramentas para estudar, trabalhar, viajar, se comunicar e compreender um mundo cada vez mais conectado", finaliza.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"

"Essa personagem me atravessou profundamente. Ela não é construída para ser julgada ou absolvida, mas para revelar como relações familiares adoecidas podem atravessar gerações".

06/09/2026 15h34

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher" Foto: Divulgação

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Depois de uma trajetória consolidada nos palcos, a atriz, diretora, dramaturga e preparadora de elenco Erica Montanheiro faz sua estreia em uma grande produção audiovisual vivendo a mãe de Elize no filme “Elize, Sombras de uma Mulher”, da Netflix.

Dirigido por Vellas, o longa alcançou repercussão internacional e permanece entre os filmes mais assistidos da plataforma, ocupando o primeiro lugar no ranking global de produções de língua não inglesa.

Na trama, Erica interpreta uma personagem fundamental para a construção da narrativa. Embora apareça em momentos pontuais, sua presença ajuda a revelar o passado de Elize, marcado por abusos sofridos dentro de casa e pela ausência de acolhimento materno.

A relação entre mãe e filha expõe um ambiente familiar atravessado pela violência, pela competição e por ciclos de abuso que ajudam a compreender a complexidade emocional da protagonista, sem, em nenhum momento, justificar os crimes que marcaram sua história.

“Essa personagem me atravessou profundamente. Ela não é construída para ser julgada ou absolvida, mas para revelar como relações familiares adoecidas podem atravessar gerações. Fazer parte de uma obra que provoca tantas reflexões e que alcançou um público tão grande é um marco muito importante na minha trajetória”, afirma Erica Montanheiro.

Reconhecida por sua sólida carreira no teatro, Erica é formada pela École Philippe Gaulier, na França, além de ser bacharel em Letras pela USP e em Cinema e Audiovisual.

Ao longo da carreira, trabalhou com alguns dos principais nomes das artes cênicas brasileiras, entre eles Jô Soares, com quem integrou o elenco de cinco produções entre 2011 e 2022, e Miguel Falabella, parceiro frequente em projetos como atriz, diretora assistente e preparadora de elenco.

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"                                           Com Jô Soares - Divulgação GShow - Divulgação

Além do sucesso de “Elize, Sombras de uma Mulher”, Erica vive uma fase intensa de novos projetos. Em outubro, estreia como atriz o espetáculo “Cansei de Ser Belo”, com direção de Kleber Montanheiro, no Teatro YouTube.

Também integra a equipe criativa do musical “Gil – Andar com Fé”, dirigido por Miguel Falabella, como preparadora de elenco, e prepara o antropólogo Michel Alcoforado para sua estreia nos palcos com a aula-espetáculo “Coisa de Rico: Outras Histórias”, inspirada no best-seller homônimo.

Erica construiu uma carreira marcada pela versatilidade, transitando entre atuação, direção, dramaturgia e preparação de elenco. Agora, com sua participação em “Elize, Sombras de uma Mulher”, amplia sua atuação para o audiovisual em um projeto de alcance internacional, consolidando um novo capítulo em sua trajetória artística.

A atriz é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista com o Caderno ela fala sobre carreira, escolhas e o filme sucesso na Netflix sobre Elize Matsunaga.

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"A atriz Erica Montanheiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Caio Oviedo - Diagramação - Denis Felipe
Por - Flávia Viana

CE - Sua carreira transita por atuação, direção, dramaturgia e preparação de elenco. Em que momento você percebeu que não precisava escolher apenas uma dessas funções e que essa multiplicidade poderia ser justamente a sua identidade artística?
EM -
 Atuação é algo que nunca se deixa de estudar. Com o passar do tempo percebi essa conexão: enquanto ensinava, aprendia também, era uma maneira de estar sempre refletindo sobre meu ofício. Dou aulas de teatro desde que comecei a fazer teatro, depois fui me interessando mais pela formação de atores.

Em 2017, fui convidada por duas atrizes a dirigir um espetáculo e nunca mais parei. A dramaturgia veio através do meu solo Inventário, uma peça sobre a escultora francesa Camille Claudel (faço uma apresentação na mostra Palcos em SP no final desse mês). Pesquisei muito sobre ela e apresentei o material para um amigo dramaturgo e ele me disse: quem tem que escrever essa peça é você. 

Em 2024, eu, Kleber Montanheiro e Marília Toledo produzimos o musical da Broadway Cabaret, no 033 Rooftop, em SP. Kleber dirigiu a montagem e me propôs preparar o elenco.

Essas outras funções foram surgindo como desdobramentos, mas acabei percebendo que as (os) artistas que eu sempre admirei são aqueles que exercem funções múltiplas:  Miguel Falabella, Yara de Novaes, Grace Passô, Isabel Teixeira, Kleber Montanheiro, Jô Soares. 

CE - Você estudou na École Philippe Gaulier, na França, uma formação bastante particular dentro das artes cênicas. O que daquela experiência permanece vivo na profissional que você se tornou hoje? 
EM - 
A escola era dirigida por um palhaço chamado Philippe Gaulier. Tudo que estudávamos tinha o olhar de fora de um palhaço nos conduzindo. Isso significa aprender a rir de si mesmo, não se levar tão a sério.

Mesmo que estejamos fazendo um drama. Depois trabalhei com Jô Soares em 4 espetáculos, e ter sido dirigida por ele também foi um aprendizado enorme, especialmente sobre timing de comédia. Miguel Falabella com quem trabalho há alguns anos é um artista com múltiplos talentos.

E os três me ensinaram a olhar a cena e as personagens pela lente da comédia. Toda situação trágica pode conter algo de ridículo. A vulnerabilidade do ser humano pode ser muito patética. E, às vezes, esse patético desperta o riso. Às vezes, desperta piedade e comoção.

CE - Ao longo de uma carreira tão diversa, existem personagens ou trabalhos que você considera verdadeiros divisores de águas? O que eles transformaram na sua maneira de enxergar a profissão? 
EM -
 Estudei muito a escultora francesa Camille Claudel, e ter criado esse solo foi um divisor de águas na minha carreira: além do amadurecimento como atriz que um solo exige, passei a enxergar o trabalho das mulheres de uma forma diferente em um mundo tão machista.

A história dela é muito triste: uma artista brilhante que fazia os pés das esculturas assinadas por Rodin, com quem teve um romance. Ela terminou a vida em um asilo psiquiátrico, renegada pela família. O trabalho no filme Elize também é um divisor porque é minha primeira experiência num projeto audiovisual de grande porte. 

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"Flavio Tolezani e Erica Montanheiro - Divulgação

CE - Como preparadora de elenco, você trabalha diretamente com atores na construção de personagens. O que essa experiência nos bastidores acrescenta quando você volta a ocupar o lugar de atriz?
EM -
 As múltiplas funções que exerço na arte compõem quem eu sou como artista. Uma coisa alimenta a outra. E penso todas as funções a partir da arte do ator. Escrevo pensando na voz que vai dizer aquele texto, dirijo tendo como eixo central o corpo dos atores.

Quando preparo os atores penso na construção das personagens e quando vejo o resultado me sinto lá em cena com eles, naqueles corpos, em cada gesto construído, em cada tempo de piada, em cada emoção conquistada por eles. Quando volto a ocupar o palco carrego um pouquinho do humor de cada um deles comigo. A gente se contamina. 

CE - Você está envolvida em projetos bastante diferentes entre si, da atuação à preparação de elenco. Como faz para mudar de universo e manter a disponibilidade criativa necessária para cada trabalho?
EM -
 Atuar sempre me dá frio na barriga. Aquela adrenalina gostosa de uma montanha-russa. E isso já é um alimento à criatividade: pensar sobre o trabalho do ator. Apesar da diversidade das funções e dos projetos, meu olhar sempre parte do ator.

Além disso, cada trabalho traz assuntos diferentes e isso é enriquecedor: acabei de preparar o antropólogo Michel Alcoforado para sua primeira aula-espetáculo; ler seu livro (Coisa de Rico) e ouvi-lo falar sobre antropologia foi um motor criativo. A criatividade é um músculo que precisa ser estimulado e a cultura é estímulo.  

CE - Em outubro, você estreia como atriz em “Cansei de Ser Belo”, com direção de Kleber Montanheiro. O que te atraiu nesse projeto e o que esse trabalho desperta em você que talvez seja diferente dos personagens que interpretou anteriormente?
EM -
 O que me atraiu logo de cara foi a oportunidade de trabalhar de novo com o Kleber Montanheiro (diretor, meu irmão). Mas além disso, o texto é uma comédia ácida de Emílio Boechat, faz rir e traz reflexões sobre os limites da vaidade, do ego, das aparências.  Faço todas as personagens femininas da peça, o que é um parque de diversões. 

CE - Você também está na equipe criativa do musical “Gil – Andar com Fé”, como preparadora de elenco. O que representa para você participar de uma obra dedicada a um artista tão importante para a cultura brasileira e quais são os desafios de preparar um elenco para contar uma história como essa?
EM - 
Estar na equipe criativa de uma obra sobre  Gilberto Gil é imenso. Gil é uma universidade.  Ele não é “só música” — é história do Brasil, é resistência, é reinvenção constante.

O trabalho da preparação no teatro musical tem basicamente três eixos: o primeiro é pré-ensaios - estudos sobre a personagem/ contexto histórico e treinamento vocal / corporal para a composição da personagem; esse primeiro momento é pra levantar material.

O segundo é diretamente na sala de ensaio, compreendendo o que a direção quer e ajustando o trabalho dos atores, “traduzindo” o que a direção precisa para conduzir o ator no percurso e alcançar o resultado final.

Por fim, tem o trabalho de interpretação de texto: compreensão do percurso, embocadura, criação de imagens no trabalho com a palavra. Esse espetáculo foi ainda mais desafiador porque tem muitas figuras reais retratadas ali: o jogo foi encontrar o equilíbrio entre a mimesis de personalidades da nossa cultura (Gil, Caetano, Gal, Bethânia, Rita Lee, Elis) e a verdade de cada performer.

É o Gil do Gui Ventura, a Rita Lee da Mariel, o Caetano do Henrique. Cada ator/atriz traz sua particularidade e história no diálogo com o artista que ele está interpretando. 

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"A atriz Erica Montanheiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação - Denis Felipe
Por - Flávia Viana

CE - Depois de tantos anos dedicados ao teatro e agora ampliando sua presença no audiovisual, como você enxerga o atual momento da carreira? É uma fase de consolidação, de reinvenção ou de abertura para possibilidades que antes não estavam no seu radar?
EM -
 Eu diria que é um pouco das três coisas. Tem consolidação, porque anos de teatro me deram um repertório técnico e emocional que uso hoje com mais segurança. Tem reinvenção, porque são linguagens diferentes: no teatro a energia é construída para se sustentar num arco contínuo diante do público ao vivo; no audiovisual, o organismo vivo é a câmera - é preciso saber jogar com ela.

E sim, é preciso estar aberta para esse novo mundo, para conhecer os profissionais que fazem o audiovisual brasilileiro. Acho que depois de um tempo de carreira a gente para de ter medo de sair do lugar onde já é reconhecido, e isso é libertador.

CE - “Elize, Sombras de uma Mulher” parte de uma história real que já é muito conhecida pelo público brasileiro, mas apresenta novas camadas e perspectivas sobre essa trajetória. Na sua visão, o que o filme consegue revelar sobre essa história que talvez ainda não tivesse sido tão explorado?
EM - 
Acho que antes de qualquer coisa é preciso lembrar que Elize foi julgada e condenada pelo crime que cometeu. Não cabe a nós, atores e atrizes do filme, qualquer opinião sobre isso. Não há justificativa e é preciso respeitar a dor da família da vítima.

Mas dito isso, podemos olhar pro cinema como um lugar que provoca atravessamentos e reflexões. O público já conhece essa história pelas manchetes, pelo julgamento midiático que ela sofreu na época. O filme tenta fazer o caminho inverso: sair da manchete e entrar na pessoa.

A gente teve acesso a camadas que o noticiário não teve tempo ou interesse de explorar: o histórico familiar violento de Elize molda quem ela se tornou. Olhar para a história familiar de Elize levanta questionamentos sobre nossa sociedade. As relações abusivas na linhagem de mulheres desta família me chamou atenção e me sensibilizou. A mãe tem um histórico de relações abusivas e violentas.

Foi uma mulher presa em um ciclo — o que ela não via/não queria ver, decisões que ela toma/deixa de tomar são elementos que constituem o que Elize vive na adolescência e na vida adulta, como por exemplo, os abusos sofridos por parte do padrasto.

Acho que o filme revela principalmente isso: que por trás de qualquer caso que vira notícia existe uma trajetória de vida, com dores, escolhas e circunstâncias que não cabem em uma manchete. 

CE - Como você acredita que o filme contribui para que o público enxergue Elize para além do crime pelo qual foi condenada?
EM - 
Eu acho que o grande papel do filme é humanizar sem justificar. A gente não está ali para absolver ninguém, mas para mostrar que uma pessoa não se resume ao pior momento da sua vida. Espero que quem assista saia enxergando a Elize como uma mulher inteira — uma mãe com história, com feridas, com contradições — e não só como a personagem de um caso policial. 

CE - A mãe de Elize aparece em momentos pontuais, mas sua presença é determinante para compreender algumas das feridas que acompanham a protagonista. Na sua visão, o que essa personagem representa dentro da narrativa e por que era importante que o público conhecesse também esse lado da história de Elize?
EM -
 O desafio foi encontrar humanidade sem justificar a omissão da mãe diante do padrasto abusivo e a relação dele com Elize. Expor essas contradições em uma relação mãe e filha (que deveria ser o lugar de acolhimento e afeto) foi o foco da construção da personagem.

Com pouco tempo de tela, cada gesto, cada silêncio e cada olhar precisa carregar a história da personagem e a relação com a protagonista de maneira objetiva. Tem que ser uma flecha! Não dá tempo de fazer mistério pra entregar depois.

É preciso aproveitar cada segundo expondo a intenção e o sentido de cada ação, tudo tem que ter um porquê. É preciso trabalhar  o que  não é dito — o que ela evita olhar, o que ela finge não perceber — para que o público sinta o histórico de dor das personagens imediatamente. Preciso aqui ressaltar a beleza do encontro com Lorena Comparato.

Que atriz magnífica, que artista sensível e comprometida, que pessoa bonita pra se ter na vida. Nosso jogo e química dentro e fora do set foram de extrema beleza e troca - muito diferente da relação tóxica da Elize e sua mãe na narrativa. Retratar a mãe e a relação de Elize com ela é, de certa forma, mostrar de onde vêm essas sombras que dão nome ao filme.





 

 

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