Correio B

SAÚDE E ALIMENTAÇÃO

Ultraprocessados são uma escolha prática e acessível, mas trazem muitas consequências à saúde

Cada vez mais comuns na mesa das famílias brasileiras, os alimentos ultraprocessados são uma escolha prática e acessível, mas trazem consequências devastadoras à saúde

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Uma transformação profunda na alimentação, caracterizada pela substituição da comida de verdade por produtos industrializados, está redefinindo o perfil de saúde do País. Em vez de desnutrição aguda, o Brasil agora enfrenta uma epidemia de doenças crônicas, impulsionada pelo consumo crescente de alimentos ultraprocessados.

A obesidade já afeta um a cada dois adultos e uma a cada três crianças, enquanto estudos recentes revelam que um aumento de 10% no consumo desses produtos eleva em 3% o risco de morte prematura. 

O QUE SÃO OS ULTRAPROCESSADOS?

Os ultraprocessados não são simples versões modificadas de alimentos. São formulações industriais criadas a partir de substâncias extraídas de alimentos (como óleos, amidos, açúcares) ou sintetizadas em laboratório contendo pouco ou nenhum alimento inteiro. Suas características distintivas incluem:

Alimentos ultraprocessados são meras formulações industriaisAlimentos ultraprocessados são meras formulações industriais - Foto: Freepik

> Ingredientes de uso industrial: presença de substâncias raramente usadas em casa, como xarope de milho de alta frutose, gordura hidrogenada, isolados proteicos e maltodextrina;

> Aditivos cosméticos: utilização intensa de corantes, aromatizantes, emulsificantes e realçadores de sabor para imitar ou intensificar qualidades sensoriais de alimentos frescos;

Alta conveniência: são produtos prontos para consumir, aquecer ou reconstituir, feitos para substituir refeições preparadas em casa;

> Hiperpalatabilidade: formulações científicas combinam açúcares, gorduras, sal e aditivos para criar sabores extremamente atraentes e que podem induzir ao consumo excessivo;

> Exemplos comuns: refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, barras de cereal açucaradas, nuggets, salsichas, pães de forma industrializados com emulsificantes e bebidas lácteas adoçadas.

CLASSIFICAÇÃO NOVA

Para orientar a população, o Guia Alimentar para a População Brasileira adotou a classificação Nova, desenvolvida por pesquisadores brasileiros. Ela categoriza os alimentos com base no grau e no propósito do processamento industrial, indo muito além do simples conteúdo de nutrientes.

Para facilitar a comparação, aqui estão as quatro categorias da Nova:

> Grupo 1: alimentos in natura ou minimamente processados. Definição: partes comestíveis de plantas ou animais, que podem ter passado por processos como limpeza, secagem, moagem ou pasteurização sem adição de outras substâncias.

Exemplos: frutas, legumes, ovos, leite pasteurizado, arroz, feijão, carnes congeladas, farinhas. Função na dieta: formar a base da alimentação.

> Grupo 2: ingredientes culinários processados. Definição: substâncias extraídas do Grupo 1 ou da natureza, usadas para temperar e cozinhar.

Exemplos: óleos, sal, açúcar, manteiga, vinagre. Função na dieta: usar em pequenas quantidades no preparo das refeições.

Grupo 3: alimentos processados. Definição: produtos fabricados com a adição de sal, açúcar ou outro ingrediente do Grupo 2 a um alimento do Grupo 1, para aumentar sua durabilidade ou palatabilidade.

Exemplos: vegetais em conserva, frutas em calda, queijos, pães feitos apenas com farinha, água, sal e fermento. Função na dieta: consumir em pequenas quantidades, como parte de refeições baseadas no Grupo 1.

> Grupo 4: alimentos ultraprocessados. Definição: formulações industriais com cinco ou mais ingredientes, incluindo substâncias de uso exclusivo industrial e aditivos cosméticos.

Exemplos: refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo. Função na dieta: Evitar.

IMPACTOS

Estudos associam o alto consumo de alimentos ultraprocessados ao maior risco de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão e alguns tipos de câncer.

Um mecanismo-chave é a “quebra” dos sinais de saciedade: esses produtos, muitas vezes com alta densidade calórica (duas a cinco vezes maior que um prato de arroz e feijão), “enganam” o organismo, que não registra adequadamente as calorias consumidas, levando à ingestão excessiva.

Além do impacto na saúde física, evidências emergentes também apontam para riscos aumentados de depressão, ansiedade e declínio cognitivo.

Paralelamente, a cadeia produtiva dos ultraprocessados é intensiva e poluente. Baseia-se em monoculturas (como soja e milho), demanda grande uso de água, agrotóxicos e fertilizantes e gera toneladas de embalagens não biodegradáveis. O transporte de longa distância ainda contribui com a emissão de poluentes.

COMO EVITAR

Evitar os ultraprocessados exige atenção crítica e apoio de políticas públicas. Aqui estão estratégias práticas:

1. Desconfie do marketing: termos como “integral”, “fonte de vitaminas”, “vegano” ou “orgânico” na embalagem não garantem que o produto não seja ultraprocessado. Um biscoito com grãos integrais ainda pode ser carregado de açúcar, gordura saturada e aditivos;

2. Leia a lista de ingredientes: é a ferramenta mais poderosa. Desconfie de listas longas com nomes pouco familiares. Prefira produtos cujos ingredientes você reconhece como comida de verdade;

3. Use os novos rótulos de advertência: A legislação brasileira agora exibe um selo frontal em formato de lupa indicando “alto teor” de açúcares adicionados, gorduras saturadas ou sódio. Evite produtos com esses selos;

4. Priorize a regra de ouro do Guia Alimentar: baseie sua alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados e em preparações culinárias. Use ingredientes culinários com moderação e limite os processados.

Para ajudá-lo a começar, imagine como seria reorganizar as compras da semana priorizando os grupos menos processados da classificação Nova.

Desjejum/Café da Manhã

Evitar: barras de cereal industrializadas, iogurte com sabor e adoçado, pão de forma com aditivos, cereal matinal açucarado. Priorizar: frutas da estação, iogurte natural, pão feito com farinha, água e fermento (feito em casa ou de padaria artesanal), ovos.

Uma alimentação saudável requer alimentos in natura ou minimamente processadosUma alimentação saudável requer alimentos in natura ou minimamente processados - Foto: Freepik

Refeições Principais (Almoço/Jantar)

Evitar: hambúrgueres congelados, nuggets, macarrão instantâneo, lasanhas prontas, sopas em pó, molhos industrializados. Priorizar: arroz, feijão, legumes e verduras frescos, carnes, ovos, peixes, preparações caseiras (guisados, ensopados).

Refeição nutritivaExemplo de refeição nutritiva da culinária brasileira - Foto: Freepik

Lanches

Evitar: salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, bolos industrializados, refrigerantes. Priorizar: Frutas, oleaginosas sem sal (castanhas, nozes), iogurte natural, pipoca feita em casa (sem mixes prontos).

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FOLIA

Bebeu muito no Carnaval? Veja dicas de nutricionista para amenizar a ressaca

Ressaca acontece por conta de desidratação, hipoglicemia, efeitos tóxicos do álcool e acetaldeído no cérebro

15/02/2026 17h00

Pessoa com ressaca - Imagem de ilustração

Pessoa com ressaca - Imagem de ilustração

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Milhares de foliões pulam Carnaval nesta sexta (13), sábado (14), domingo (15), segunda (16) e terça (17).

Mas, muitos aproveitam a festa como se não houvesse amanhã e exageram na dose alcoólica. Como consequência, a ressaca é a primeira a 'dar as caras' no dia seguinte.

Ressaca é um conjunto de sintomas físicos e mentais, que causam dor de cabeça, sensibilidade à luz e som, fadiga, sede, tontura, náusea, vômito, boca seca, cansaço, sudorese e falta de apetite.

O álcool, em excesso, afeta a alteração da absorção de nutrientes, causa sobrepeso e aumento da barriga, altera a flora intestinal, interfere na imunidade, prejudica a pressão arterial e causa cirrose.

Em entrevista ao Correio do Estado, a nutricionista pós-graduada em Nutrição Esportiva, Lauana Emanuela Oliveira, afirmou que o fígado é o órgão do corpo que mais sofre com o excesso de álcool.

"O fígado é responsável por transformar substância tóxicas em não tóxicas no nosso organismo e o álcool é uma substância tóxica. Quando o álcool chega no fígado, é transformado em ácido acético, que é uma substância que não nos faz mal. Mas, antes desse processo acontecer, ele é transformado em acetaldeído, que é algo mais tóxico ainda. Então, o nosso organismo não fica apenas exposto apenas a uma substância tóxica, mas sim a duas", explicou.

"A sensação de mal estar é causada pelo acetaldeído. O fígado ficou trabalhando para processar o álcool e deixou de executar funções importantes, como liberar glicose nos momentos de jejum. O cansaço do dia seguinte é resultado de um corpo intoxicado que ficou lutando contra os baixos níveis de açúcar no sangue", finalizou.

As dicas que a especialista dá, para amenizar a ressaca, são:

  • Comer melancia, melão, abacaxi e laranja (frutas com alto teor de líquido)

  • Tomar bastante água

  • Ficar em repouso

  • Se alimentar bem

  • Tomar café preto

Coma alcoólico

Coma alcoólico é quando se ultrapassa o limite de metabolização do álcool pelo fígado. Com isso, o órgão não consegue mais realizar seu papel e o nível de álcool continua alto no sangue, causando intoxicação nos órgãos internos e no cérebro.

O excesso ocorre quando há mais de uma grama de álcool por litro de sangue e depende não apenas da dosagem que é consumida, mas também do peso, altura, alimentação e constituição física da pessoa. 

A partir das três gramas por litro, já é possível aparecer problemas cardiorrespiratórios, perda de consciência, desmaios, convulsão e hiportermia.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filme

"Viver Elke Maravilha foi um trabalho de observação e detalhes muito grandes"

15/02/2026 16h00

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filme

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filme Foto: Arturo Cordero

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Celebrando 15 anos de carreira, Gabi Spaciari pode ser vista em duas produções recentes do streaming: Na Netflix, a atriz interpreta Elke Maravilha no longa “Silvio Santos vem aí”, ao lado de Leandro Hassum. Já na Prime Video, ela pode ser vista nos filmes “O armário mágico” e “Um caso de outro mundo”, que protagoniza ao lado de Glauce Graieb e Nívea Maria.

Paranaense, Gabi também é produtora. Entre seus projetos está o curta-metragem "Broken Hills", dirigido por Edmilson Filho. A obra, que ela escreveu e estrelou, recebeu diversos prêmios e indicações de Melhor Atriz em festivais internacionais. Atualmente, a artista está em fase de pós-produção do documentário longa-metragem "Mom Street", que dirigiu e produziu, abordando a comunidade de Skid Row, em Los Angeles, e possíveis soluções para a situação das pessoas em situação de rua.

Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Gabi Spaciari também atuou nos longas brasileiros "Love in Quarantine" e “Fora de Cena”.  Ela ainda tem trabalhos na Espanha, nos Emirados Árabes e nos Estados Unidos, onde participou da série americana "The Bold and the Beautiful", exibida pela CBS, e da peça "Paisaje Marino con Tiburones y Bailarina" - vencedora do Encore Award no Hollywood Fringe Festival (2018).

Gabi também tem no currículo campanhas para marcas nacionais e internacionais, como O Museu do Luvre, Warner Bros, Museu Sheik Zayed, e participações em videoclipes “Maresia", do cantor português Gohu, e "One Last Time", da cantora canadense Maggie Szabo.

Gabi é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, trabalhos e seu papel como a icônica Elke Maravilha em filme. 

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filmeA atriz Gabi Spaciari é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Arturi Cordero - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Gabi você interpreta Elke Maravilha no filme “Silvio Santos Vem ai’”, que está disponível na Netflix. Como foi dar vida a esse ícone nacional? Como a caracterização impactou na sua atuação?
GS -
 Foi uma delícia! Não tem como colocar um ornamento na cabeça de 30 centímetros e agir naturalmente, imediatamente a gente vira Elke! Elke tem muitas camadas, nesse filme a gente vê só a caracterização. 

CE - Você também pode ser vista nos longas “O armário mágico” e “Um caso de outro mundo”, do qual é protagonista, na Prime Video. Como você observa o espaço que streaming dá para produções e artistas hoje?
GS -
Acho que é uma via de mão dupla, custa tanto para fazer uma produção que ter uma quantidade tão diversa de filmes, sem precisar produzir é extremamente lucrativo para os streamings. E para os filmes é essencial exposição. Então, acho que ambos se beneficiam.

CE - Apesar de vários filmes no currículo, você ainda não tem novelas. Sonha em trabalhar nesse tipo de produção no Brasil?
GS -
Claro que sim! Poder ir ao set durante meses seguidos deve ser uma delícia para o ator. No cinema, as produções que participei duraram de 2 semanas a 2 meses. 

CE - Acha que fazer novela e TV aberta são ainda fundamentais para a visibilidade dos artistas?
GS -
 Depende do país que estamos falando. Se for Brasil, com certeza, já que somos o país das telenovelas. Ao redor do mundo, não. Os programas mais vistos não são novelas.

CE - Você fez vários trabalhos pelo mundo, como nos EUA e na Espanha. O que enxerga de diferente no mercado internacional? E como é se manter trabalhando fora do país?
GS -
 Cada país difere muito em termos de produção audiovisual. Os EUA são mais estruturados e acessíveis em termos de acesso aos castings, por exemplo. A Espanha é um mercado aquecido da Europa, onde já fiz comercial. Mas, em qualquer parte do mundo, oO caminho é sempre o mesmo: agências, testes, conhecer gente, manter material atualizado, continuar aprendendo…

CE - Em Paralelo à vida de atriz, você é produtora e tem curtas em festivais e está finalizando outros. Como é assumir as rédeas de projetos pessoais? 
GS -
 É gratificante ver ideias que eram só suas ganhando vida e sendo abraçadas por outras pessoas. Acho que esse é o poder da comunicação. Acredito que é uma necessidade contar histórias e, às vezes, elas ainda não foram abordadas por determinado ângulo. Então, surge daí a minha necessidade de contá-la.

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filmeA atriz Gabi Spaciari é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você está festejando 15 anos de trajetória artística. Qual avaliação você faz da sua carreira até aqui? 
GS -
 Às vezes, eu olho pra trás e parece que já vivi várias vidas. A menina que fazia teatro na cidade de 6 mil habitantes é muito diferente da que trabalhou em Los Angeles. Sempre o que me motivou foi o aprendizado como ser humano para ser uma artista melhor. Acredito que ter morado e trabalhado em várias culturas ao redor do mundo transformou muito minha visão e trajetória enquanto artista.

CE - Você mora em Dubai. Como é a vida por ai? Como é atravessar oceanos pra fazer trabalhos como atriz?
GS -
 Sim! Em Dubai trabalho em comerciais e fotos para marcas bem conhecidas como Museu do Louvre e Warner Bros, por exemplo. Também como assistente de direção em produções locais. Sempre se ganha algo e se perde algo! Aqui as produções cinematográficas são quase inexistentes. 

CE - Quais seus sonhos profissionais?
GS -
 Quero continuar produzindo histórias com senso crítico social, como o documentário que estou trabalhando sobre Skid Row. E participar de filmes e projetos que sejam interessantes! De história, de equipe, mais do que quantidade estou buscando alinhamento e qualidade. 

CE - Quais os próximos projetos a caminho?
GS - 
Mom Street, meu documentário que está em pós-produção. Ele tem direção e produção assinadas por mim e aborda a comunidade de Skid Row, em Los Angeles, e possíveis soluções para a situação das pessoas em situação de rua.

 

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