A Associação Comercial e Industrial de Corumbá decidiu não realizar campanha natalina este ano, alegando que os comerciantes não aceitaram a proposta de redução dos juros para estimular o consumidor inadimplente a limpar o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
A reação do comércio está relacionada à ausência de clima de fim de ano na cidade. A prefeitura deverá decorar o centro somente na semana do Natal. "É difícil trabalhar o comércio numa cidade onde o poder público só pensa em eventos", afirmou o presidente da entidade classista, Alfredo Zamlutti Junior.
No ano passado, a prefeitura enfeitou a cidade com luminárias às vésperas do Natal, o que se repetirá agora. Essa decisão teve reação contrária também na Câmara de Vereadores, onde foi cobrada a decoração para aumentar a autoestima da população e em apoio ao comércio.
"A decoração não é gasto, é investimento", afirmou o vereador Marcos de Souza Martins (PT), lembrando que o custo é pequeno, pois a prefeitura já conta com peças de iluminação usadas em anos anteriores, e o efeito da decoração estimula não apenas o consumo, mas reflete na geração de empregos temporários.
Concorrência
Alfredo Zamlutti está pessimista com as vendas e culpa a prefeitura. As contratações temporárias não devem passar de 15%, segundo ele, e o comércio local ainda enfrenta a forte concorrência do centro comercial de Puerto Quijarro, na Bolívia, situado a 6 km de Corumbá.
"Já pedimos autorização para fechar o centro, mas ninguém nos ouve. A prefeitura não faz nada para embelezar a cidade nesse final de ano", acusa o empresário.
Zamlutti anunciou, ontem, que a Associação Comercial promoverá um concurso de vitrine, premiando com dinheiro as três mais criativas. E aguardará uma definição da prefeitura em relação à interdição das ruas.