A atividade econômica cresceu pelo sexto mês consecutivo em novembro do ano passado. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que a economia teve expansão de 0,42% na comparação com outubro.
Apesar da trajetória, o levantamento revela que a atividade apresentou a primeira desaceleração desde maio. Isso quer dizer que, pela primeira vez em seis meses, o número avançou menos que no mês anterior. Em 12 meses, o crescimento acumula alta de 8,33%. A expansão reforça a aposta de que o juro deve subir 0,50 ponto porcentual na próxima semana - em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central - para conter a demanda e a alta dos preços.
Nova pesquisa do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostra que a economia segue em trajetória de expansão iniciada em junho do ano passado. O movimento, porém, deu um leve sinal de desaceleração em novembro, já que o desempenho mensal foi menor que o visto em outubro, quando o índice havia crescido 0,51%. Entre junho e outubro, o indicador apurado pelo Banco Central sempre cresceu mais que no mês anterior.
Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o indicador é acompanhado com lupa pelo comando o Banco Central porque indica o ritmo da economia. O número é importante especialmente no atual período em que a demanda interna tem avançado a passos mais rápidos que a capacidade das fábricas de aumentar a oferta.
Com os consumidores atuando em velocidade maior que a produção, preços têm subido em ritmo acima do centro da meta de inflação, que é de 4,50% em 2011. "Embora o ritmo seja um pouco mais modesto, o Brasil continua crescendo em uma velocidade considerada acima do ideal", afirma o economista-chefe da LCA Consultoria, Braulio Borges.
Reação. Para conter esse movimento, a equipe econômica já tomou algumas atitudes, como as medidas macroprudenciais anunciadas em dezembro e o início de ano com ritmo um pouco mais ameno nos gastos públicos. A terceira ação deve ser anunciada na próxima semana, quando o mercado prevê aumento do juro básico da economia em 0,50 ponto, para 11,25% na primeira reunião do Copom do governo Dilma.
"Essas medidas devem fazer com que a atividade econômica apresente uma desaceleração mais visível a partir de meados do primeiro semestre", diz Borges, ao comentar que a economia vai sentir inicialmente as medidas prudenciais e a eventual contenção de gastos públicos. Em seguida, a economia passa a sentir o aperto monetário esperado para o período entre janeiro e abril. "Com essas medidas, é provável que a economia reduza o ritmo mensal para algo entre 0,2% e 0,3%, cerca de metade do que temos visto", diz Braulio Borges.
Para reforçar o entendimento de que é preciso subir o juro, o Gradual Corretora destacou em relatório enviado ontem aos clientes que as recentes chuvas na região Sudeste devem prejudicar a produção e distribuição de alimentos, o que pode acelerar a remarcação de preços no segmento.
Ao citar as enchentes que atingiram São Paulo na segunda e terça-feira, a corretora afirma que esse é "outro elemento trágico que conspira para a alta da Selic na próxima reunião do Copom". Pela primeira vez sob a presidência de Alexandre Tombini, o BC se reúne nos próximos dias 18 e 19 para decidir sobre o rumo do juro.