A inflação acumulada entre janeiro e novembro é a maior índice dos últimos oito anos em Campo Grande. Os 5,95% apurados pelo Núcelo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes), da Anhanguera/Uniderp), neste ano, só não são superiores aos 11,63% registados no mesmo período de 2003. A educação e o vestuário, que acumularam as maiores altas no ano, puxaram o índice para cima e no limite da tolerância de dois pontos para cima da meta de 4,5% de inflação, definido pelo Banco Central.
Em novembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-CG) fechou em 0,37%, inferior aos 0,41% verificados em outubro deste ano. Porém, foi ele o responsável por deixar a inflação acumulada no ano, a maior desde 2003 e ainda, atingir o teto máximo do acumulado em 12 meses estipulado pelo Banco Central do Brasil (BCB), já que, no período, chegou a 6,5%.
Apesar dos números, o coordenador do Nepes, Celso Correa de Souza, afirma que a situação não chegou a um ponto crítico. "Acredito que, em dezembro, não teremos um índice alto, pelo menos não maior que os 0,52% registrados em dezembro do ano passado. E, por conta disso, devemos fechar o ano dentro, pelo menos, do limite máximo de 6,5%", pondera.
Os grupos que apresentaram maiores variações foram alimentação (0,67%), vestuário (0,67%), transportes (0,55%) e educação (0,20%). Habitação, despesas pessoais e saúde, inflacionaram 0,18%, 0,17% e 0,14%, respectivamente.
O grupo educação foi que apresentou a maior taxa acumulada no ano de 2011, ficando em 9,77%, seguido dos grupos vestuário 8,70%, habitação 7,79% e saúde 6,45%, com índices acima da inflação acumulada deste ano, de 5,95%.
Em relação à inflação acumulada nos últimos doze meses, ela foi maior nos grupos educação 9,81%, vestuário 9,22%, habitação 8,67% e saúde 6,79%, com índices acima dos 6,5% totais de Campo Grande.
Reflexos
Embora não esteja ainda em índices críticos, a inflação de Campo Grande já chega ser preocupante, segundo o economista Volmir Meneguzzo. Ele explica que, embora IPC-CG tenha ficado abaixo do IPCA que, até outubro registrou 6,97%, essa pressão nos preços dispara uma cadeia ruim para a economia.
"A população reduz o consumo, obrigando a indústria a diminuir a produção, o que desencadeia na redução do emprego", aponta. Também há reflexos sobre o setor de serviços, já que é o primeiro a ser cortado em momentos de crise. "As empresas cortam consultorias e outras terceirizações. Os consumidores deixam, por exemplo, de contratar um pintor para os planos de reforma da casa, assim como qualquer outra coisa que não seja essencial", diz.
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