A economia brasileira vem apresentando resultados satisfatórios desde o fim da crise de 2008, e tornou-se, inclusive, a sexta maior do mundo, ultrapassando a do Reino Unido, segundo dados do Centro de Economia e Pesquisa de Negócios (CEBR, na sigla em inglês), divulgados no último dia 26 de dezembro. Contudo, é possível identificar alguns vilões em 2011 que prejudicaram a renda do consumidor, como a alta nos preços do etanol e do aluguel de imóveis, a inflação oficial, que estourou a meta do governo nos 12 meses, e o desempenho negativo da Bovespa. Confira alguns setores que destoaram do avanço do País em 2011.
Etanol
Neste ano o preço médio do etanol ultrapassou os R$ 2 por liltro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em março, o litro subiu de R$ 1,872 para R$ 2,083, e no mês seguinte atingiu R$ 2,301, o maior valor do ano. As justificativas para o aumento foram a maior quantidade de carros flex (movidos a etanol e/ou gasolina) aliada a uma menor produção do biocombustível pelos produtores de cana-de-açúcar. Com a elevação, a venda de gasolina no País bateu recorde em abril, com cerca de 2,4 bilhões de litros, segundo o Sindicato Nacional de Distribuidores de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).
A alta no preço do combustível levou o governo a diminuir, em primeiro de outubro, a quantidade de etanol adicionado à gasolina, de 25% para 20%, para aumentar a oferta do produto no mercado forçando a queda nos preços. No entanto, o preço do etanol voltou ficar acima de R$ 2 até fechar o ano em R$ 2,054, em dezembro.
Inflação
A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também destoou em 2011. Em maio, embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior, de 0,77% para 0,47%, o indicador atingiu 6,55% em 12 meses, ultrapassando a meta do governo de 4,5% no ano, com dois pontos percentuais de tolerância, ou seja, no máximo 6,5%.
Desde então, o IPCA ficou acima da meta no acumulado dos últimos 12 meses até novembro, quando desacelerou para 6,64%. De janeiro a novembro de 2011, o IPCA registra alta de 5,97%.
Aluguel
Embora possa ser encarado como uma consequência do aquecimento da economiam, o valor do aluguel atingiu recordes de valorização, sobretudo nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O último dado do ano disponibilizado pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), em dezembro, mostrou que o aluguel residencial na capital paulista cresceu 19,8% no período dos 12 meses terminados em novembro, configurando a maior alta desde 2005.
Já no Rio de Janeiro a elevação foi ainda mais significativa. Segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RJ) do Estado, foram verificados aumentos de 50% nos preços do aluguel em algumas regiões da capital apenas no primeiro semestre, com a média de valorização de 30% a 40%, afirmou o órgão.
Bovespa
Em resumo, o pior investimento de 2011. O Ibovespa, índice que reúne as principais ações da bolsa brasileira em volume de negociações, obteve variação negativa de 18,1% neste ano, terceira maior desvalorização anual desde 1995.
Petrobras e Vale, que juntas representam pouco mais de 20% do Ibovespa, foram as que mais encolheram em valor de mercado (valor somado de todas as ações). A estatal perdeu cerca de R$ 80 bilhões em valor de mercado, enquanto que a Vale, aproximadamente R$ 70 bilhões. Se somadas as perdas de valor das empresas brasileiras listadas na bolsa no mesmo período, tem-se recuo de quase R$ 215 bilhões.