No primeiro trimestre do ano passado, o salário da trabalhadora sul-mato-grossensense correspondia a 87,62% do valor recebido pelos homens e caiu para 86,61% nos mesmos meses de 2012.
Essa involução, que contraria a trajetória das conquistas realizadas pelas mulheres, repete-se em 17 estados brasileiros, atingindo 76,19% – é o caso do Pará, onde a diferença salarial entre os gêneros passou de R$ 57,76 para R$ 101,77. Além disso, em quase todo o País, o salário masculino é maior que o feminino. Apenas em um estado, no Acre, o ganho delas (R$ 882,53) supera o deles (R$ 871,51). Nacionalmente, a diferença entre os valores recebidos por homens e mulheres aumentou 6,7%, passando de R$ 131,47 para R$ 140,34.
A distância entre os salários se relaciona com a escolaridade – quanto maior o grau de instrução maior é essa diferença. Entre os analfabetos, os homens (R$ 771,22) ganham 10,61% a mais que as mulheres (R$ 697,20). No universo dos profissionais com nível superior, o abismo é de 63,32%: enquanto eles recebem, em média, R$ 3.077,34, elas ganham R$ 1.884,17.
Andar de ré em se tratando da equidade salarial dos gêneros é algo difícil de conceber, o que explica a pausa feita pela vendedora Jeniffer antes de tentar arriscar uma resposta. Após dizer que o homem passa uma imagem de ser mais responsável, ela permaneceu na dúvida e fez uma auto-critíca: “Isso é preconceito, né?”