O famoso tripé macroeconômico, formado pelo câmbio flutuante, pelas metas fiscais e de inflação, criado no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e mantido pelo seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, entra o ano de 2013 desacreditado, segundo economistas ouvidos pelo G1.
De acordo com avaliação dos analistas de instituições financeiras, o câmbio não é mais flutuante no Brasil, e sim administrado, ao mesmo tempo em que as metas fiscais (objetivo de economia para pagar juros da dívida pública) e de inflação (pelo IPCA, que serve como referência para a fixação dos juros por parte do BC) não mais "ancoram" as expectativas do mercado. Ou seja, ninguém acredita mais que elas serão cumpridas.
"Há uma deterioração bastante grave da política macroeconômica. Foi justamente o tripé que permitiu ao Brasil o crescimento sustentado, a confiança dos investidores. A gente vê um regime que não nos parece sustentável no médio prazo. O governo não tem regra clara de atuação. Vai agindo mês a mês para corrigir desequilíbrios que são gerados. Isso atinge o investimento. Não é por acaso que, mesmo com juro baixo e câmbio apreciado [dólar alto], o investimento não responda. É difícil ampliar investimento em cenário de desconfiança", avaliou Thiago Curado, economista da Tendências Consultoria.