Apesar de esperado, o reajuste nos preços do combustível anunciado ontem pela Petrobras foi considerado por analistas como insuficiente, já que, com os novos valores, a estatal do petróleo não conseguiu zerar a diferença de preços entre o mercado interno e o mercado externo.
A decepção parece ter atingido os investidores, com as ações da petrolífera entre as maiores quedas da Bolsa hoje. Às 12h50, os papéis preferenciais (sem direito a voto) da empresa recuavam 3,97%, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, caia em torno de 0,91%.
Em relatório, a analista Lilyanna Yang, do UBS, chama atenção para o fato de que, mesmo com este reajuste, os preços da gasolina e do diesel no Brasil ainda estão 5% e 11% abaixo dos valores praticados no exterior.
Em negociação com o governo desde o ano passado, o reajuste de 6,6% da gasolina nas refinarias da Petrobras será o primeiro com impacto ao consumidor desde 2005 -desde então o governo abria mão da arrecadação da Cide (imposto federal dos combustíveis) para anular a alta nos postos.
O diesel, por sua vez, sofreu aumento menor, de 5,4%.
O analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, é cético em relação à reação dos investidores ao anúncio, mas ressalva que a notícia, apesar de tudo, é boa.
"Nós acreditamos que a reação do mercado ao anúncio deve ser negativa, refletindo o desapontamento com a magnitude do preço. O anúncio é positivo como tudo que se refere ao fluxo de caixa da Petrobras. O problema é que este aumento não cobrirá as perdas passadas e não trará os resultados de refinaria da Petrobras de volta ao azul", avalia Sequeira em relatório.