Mesmo com a inflação em alta, os fundos de renda fixa índices, que investem em papéis atrelados ao desempenho de indicadores como os de inflação, não devem repetir este ano o bom desempenho de 2012. Isso porque a boa performance desses produtos não se deve apenas ao aumento da inflação, mas principalmente à queda do juro básico (taxa Selic). As NTN-Bs, por exemplo, os principais papéis em que esses fundos investem, são remuneradas pela variação do IPCA mais uma taxa (cupom de juros), cuja oscilação é proporcional à da Selic.
REGRAS
Pela regra desses investimentos, quando os juros caem, o preço de revenda dos títulos sobe, o que contribui para aumentar a rentabilidade dos fundos que detêm os papéis, cujo valor aumenta. Já quando os juros sobem, o preço dos títulos cai e, consequentemente, o ganho dos fundos. E, na avaliação de especialistas consultados pela Folha, para conter o aumento da inflação, o governo poderá aumentar o juro básico do país (a taxa Selic) em algum momento neste ano, o que prejudicaria o desempenho desses investimentos.
"É preciso avaliar constantemente a evolução do cenário econômico, especialmente em relação ao aumento da pressão inflacionária, que é uma realidade hoje", diz Erasmo Vieira, consultor da Planilhar Planejamento Financeiro.
Mauro Calil, educador financeiro, destaca que o maior erro dos investidores é relacionar o ganho passado de uma aplicação a um desempenho similar no futuro. "Não é porque algo rendeu rendeu 20% em um ano que vai render o mesmo no próximo. Não há garantia."
Com a Selic em 7,25% ao ano, a categoria teve ganho de 21,7% em 2012, o maior entre todos os tipos de fundo, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capital).
Já em 2013 até dia 1º de fevereiro -dado mais recente disponivel-, os fundos renda fixa índices acumulam rentabilidade de 0,37%, menor que a de outros fundos, como os de renda fixa tradicionais, que têm ganho de 0,72%. Diferentemente dos fundos de índice, que buscam seguir ou superar seu indicador de referência (como os de inflação), os de renda fixa aplicam em ativos como títulos públicos (com mínimo exigido de 80% da carteira total) e de empresas, mas sem seguir um índice específico.