A sabatina de Janet Yellen, indicada por Barack Obama ao comando do Fed (banco central americano), trouxe alívio aos investidores do mundo inteiro ontem, indicando que o estímulo econômico será mantido pelo menos até o próximo ano nos Estados Unidos. Neste cenário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou o dia em alta de 2,34%, a 53.451 pontos. Foi a maior valorização diária do índice desde 18 de setembro. O índice acumulou ganho de 2,3% na semana, que foi mais curta, uma vez que amanhã não haverá negócios na BM&FBovespa devido ao feriado de Proclamação da República. "O mercado viu com bons olhos a sabatina da Janet Yellen porque ela não somente se mostrou à favor da continuidade do estímulo econômico nos Estados Unidos, como também indicou que um corte do incentivo pode estar longe de acontecer", diz Paulo Gala, estrategista da Fator Corretora.
O banco central americano tem injetado na economia cerca de US$ 85 bilhões mensais, comprando títulos públicos. Como parte desse valor acaba migrando a outros países, especialmente os emergentes, como o Brasil, a possibilidade de um corte no estímulo ficar mais distante traz alívio aos investidores. "A Janet Yellen sinalizou uma postura bem próxima à de Ben Bernanke [atual presidente do Fed ]. Ela está focada na criação de empregos e o fato de ela ter dito que não vê bolhas nos mercados também foi visto com bons olhos pelos investidores", diz Luis Gustavo Pereira, estrategista da Futura Corretora.
Mesmo na véspera do feriado, o volume financeiro movimentado na BM&FBovespa ontem foi dentro da média do mês, atingindo R$ 6,98 bilhões. Segundo analistas, parte disso deve-se ao vencimento de opções sobre ações (mercado que aposta no valor futuro dos papéis), que ocorre na próxima segunda-feira. A temporada de divulgação de resultados das empresas brasileiras também movimentou a Bolsa. Liderando a ponta positiva do Ibovespa, os papéis da B2W subiram 12,21%, a R$ 14,70, após a companhia mostrar redução no prejuízo trimestral e melhora nas margens operacionais entre julho e setembro. Em seguida, os papéis da Anhanguera subiram 10,07%, a R$ 15,19. Mesmo tendo sofrido queda de 91% no lucro líquido do terceiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$ 4,3 milhões, a empresa divulgou estimativa de sinergias após fusão com a Kroton de R$ 300 milhões.