Uma jornada de quatro meses, dez orçamentos e um gasto estimado de R$ 20 mil. Tudo para deixar o imóvel recém-comprado o mais confortável possível. “Agora que comprei a minha casa, quero investir em móveis de qualidade”, diz, enfático, o publicitário Henrique Savarese Attílio, 36 anos. As aquisições realizadas por Attílio ilustram o comportamento de consumo decorrente de mudanças no desenho social de Mato Grosso do Sul: em dois anos, a classe B teve acréscimo de 46 mil famílias, disparada de 25%. O avanço, muito acima das variações verificadas nos demais grupos, aquece mercados, como o da decoração, que, neste ano, deve movimentar R$ 648 milhões no Estado, segundo reportagem na edição de hoje do jornal Correio do Estado.
Após acordar do sonho da casa própria com as chaves na mão, o consumidor, mais capitalizado, passou a sonhar com o conforto do lar. Segundo a reportagem de Osvaldo Júnior, esse investimento se tornou mais próximo da realidade financeira dos sul-mato-grossenses nos últimos anos, em razão da migração de famílias das camadas inferiores para as superiores.
De acordo com o IPC Marketing, instituto que mensura o potencial de consumo por faixa de renda, havia, em 2011, 184.823 domicílios nas classes B1 e B2; neste ano são 231.068. Esse aumento, de 25%, relaciona-se com os números da classe C: com a movimentação para a camada superior, o número de famílias desse grupo permaneceu praticamente estável – passou de 344.088 para 344.168. No mesmo intervalo, a classe A apresentou a segunda maior alta, de 3,95% (de 21.369 para 29.864 lares). Já a D reduziu em 10,6% (de 104.972 para 93.838) e a E cresceu apenas 3,21% (de 4.858 para 5.014).