Depois de encerrar dezembro com o pior desempenho em cinco anos, o comércio campo-grandense tem à frente dois meses de vendas sazonalmente fracas. Conforme a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), o volume de vendas do último mês de 2014 recuou 0,29% em relação ao mesmo período de 2013. Trata-se do primeiro resultado negativo desde 2010 – a ACICG não tem dados anteriores a esse ano. O cenário é agravado por um fator sazonal: no primeiro bimestre, o consumo é relativamente baixo, em razão das despesas de início de ano, como pagamento de impostos e matrícula escolar. Para amenizar o quadro, as lojas da Capital apostam em promoções, mas o setor só deve iniciar recuperação a partir de março.
Na avaliação do presidente da ACICG, João Carlos Polidoro, a variação negativa de dezembro decorreu, entre outros motivos, da queda no poder de compra e da decisão de parte dos campo-grandenses de priorizar o pagamento antecipado dos impostos (IPTU e IPVA). “Neste ano, cresceu muito o desemprego, principalmente na construção civil. Isso reduziu o poder de compra da classe C, que é uma parcela da população importante para o comércio. Além disso, muitos preferiram antecipar o pagamento de impostos para aproveitar os descontos do IPVA e IPTU, o que tirou de circulação parte do dinheiro que iria para o varejo”, afirmou Polidoro.
O resultado foi um dezembro com queda nas vendas no comércio de Campo Grande. Apenas no período natalino, o recuo foi de 1,7% em relação ao ano anterior. Neste mesmo comparativo, as vendas cresceram 2,5% em 2013 e 4,1% em 2012.
A reportagem, de Osvaldo Júnior, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.
