Em Campo Grande, já tem consumidor modificando o cardápio, alguns deles trocando a carne por ovo e aves, em virtude da alta dos preços. Em alguns cortes, o reajuste chega a 64,45%, se comparado ao custo registrado em dezembro.
“Costumava comprar uns três quilos de carne bovina por semana; agora, estou me contentando com meio quilo, um quilo. Hoje, por ser sábado, aumentei um pouquinho. Estou fritando ovo. Aliás, o pobre está comendo ovo já há um bom tempo”, disse Antônio Lucas da Silva, 74, já aposentado, mas ainda na ativa como armador [preparador de ferragens em obras de construção].
A opinião de Silva engrossou o discurso de consumidores ouvidos pela reportagem, ontem de manhã, no Mercadão Municipal, em Campo Grande, centro comercial que serve como termômetro para a economia da cidade.
O comerciante Ale Ramez, libanês naturalizado brasileiro há 14 anos, frequentador regular do Mercadão, disse não entender a razão das variações nos preços da carne. “A carne sai daqui [Mato Grosso do Sul] e vai para o Líbano, o que não compreendo é que, lá, a mesma carne custa mais barato. Hoje, está difícil para o assalariado comer carne com frequência, muito difícil. Agora [ontem, num dos açougues do Mercadão] estou pagando um preço maior de que outro consumidor lá no Líbano”, relacionou Ramez, negociante de roupas em Campo Grande.
O país de Ramez fica no Médio Oriente, região espremida entre Israel e Síria, onde ocorrem bombardeios quase todos os dias.
A reportagem, de Celso Bejarano, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.