A crise no Brasil é um exemplo dos danos que a corrupção pode causar a um país, afirmou a secretária de Comércio dos EUA, Penny Pritzker.
Para ela, a volta da estabilidade será lenta. Questionada sobre a situação brasileira durante um evento em Washington, ela não escondeu sua inquietação.
"É complicado. Uma situação muito desafiadora. O Brasil é um país tão maravilhoso, rico em recursos e pessoas realmente formidáveis", disse Pritzker. "Estamos vendo as implicações que a corrupção pode ter para um país em tão pouco tempo. É desestabilizador".
Para ela, levará algum tempo para a situação no Brasil se normalizar.
"É um país enorme e extremamente importante para a região. Nossa esperança é de que ele possa superar isso e lidar com o escândalo, mas a sensação é que levará tempo. Não parece que irá virar a página rapidamente", disse a secretária em uma conferência do Conselho das Américas, realizada na sede do Departamento de Estado.
Ao falar dos movimentos e parcerias comerciais na região, ela disse que o Mercosul está no lado protecionista e fechado, em contraste com países que estão se abrindo com novas iniciativas. Segundo ela, há poucas oportunidades de interagir com os países do bloco.
"Há duas visões concorrentes. Uma é a da abertura econômica", disse ela dando como exemplo dessa vertente a Parceria Transpacífico (acordo comercial entre EUA e outros 11 países) e o novo governo argentino. "A outra é uma postura mais para dentro, mais protecionista, isso se reflete no Mercosul", disse.
"Certamente do ponto de vista comercial nosso compromisso é com os países que estão abraçando uma postura mais aberta. Com aqueles que escolheram uma atitude mais protecionista não há muitas oportunidades para fazer mais".
A secretária de Comércio americana também fez uma alusão crítica ao magnata Donald Trump, que lidera a corrida presidencial republicana com ataques constantes aos acordos comerciais assinados pelos EUA.
"O comércio é um imperativo. Não podemos dizer que vamos erguer cercas ao redor do país e achar que isso é suficiente", disse. "O isolamento nunca funcionou na história e vai funcionar menos ainda num mundo em que todos estão conectados".
A conferência foi aberta com um discurso da Roberta Jacobson, secretária-assistente do Departamento de Estado americano. Ela fez comentários sobre vários países, como Argentina Chile e México, mas nada disse sobre o Brasil.