Com o Dia dos Namorados, as festas de São João e a Copa do Mundo chegando, além do tempo frio que começa a dar as caras, os lojistas do centro da Capital apostam em mercadorias especiais para atrair clientes e aumentar o movimento, especialmente após a greve dos caminhoneiros na semana passada, que derrubou as vendas do comércio. Contudo, quem anda pela Rua 14 de Julho não encontra apenas lojas e centros comerciais de portas abertas, mas também esbarra em muitos vendedores de rua, organizados nas calçadas com suas bancas improvisadas e oferecendo roupas de frio, artigos relacionados à Copa do Mundo, alimentos, frutas, brinquedos e muitos outros produtos diversos.
Com gritos aos clientes, muitas vezes com rimas e piadas para chamar atenção, eles disputam com as lojas, com seus estoques vastos e ambientes climatizados, e tentam ganhar pela simpatia.
Nos últimos meses, as ruas centrais estão mais cheias de ambulantes e camelôs, e um dos motivos citados por eles é a crise e o desemprego que assolam o País.
Nas calças do centro, os vendedores dizem que o movimento ainda está fraco. “Estou aqui faz uma semana e o pessoal não está comprando muito, não. Acho que a greve atrapalhou também”, comenta José Neto, 48 anos, que há 20 anos trabalha como ambulante pelas ruas de diversas cidades de Mato Grosso do Sul, mas agora retornou à Capital para aproveitar as datas comemorativas e as promessas de vendas melhores.
Em razão do tempo frio, Neto levou muitas meias e peças de roupa de inverno para as ruas. Mesmo assim, o retorno está abaixo do esperado. Ao menos, ele diz faturar cerca de um salário mínimo e meio por mês.
A dona de casa Dalva Maria, 54 anos, teve a mesma ideia. Na terça-feira, ela decidiu pegar um estoque de meias novas que tinha guardado desde o ano passado e foi para a esquina da 14 de Julho, montou uma banca e expôs seus produtos.
Ela conta que a crise e o desemprego têm afetado sua família, já que a filha perdeu o trabalho e não está conseguindo uma nova oportunidade. “Está bem complicado lá em casa, tive que vir ajudar a complementar a renda”, comenta.
Segundo os ambulantes, já faz algum tempo que a prefeitura não tem colocado muitos obstáculos à permanência dos vendedores nas calçadas, apesar de a venda de vários produtos não ser permitida. “Eu acho que é por causa da crise, estão liberando a gente, porque sabem que as coisas estão muito difíceis para todo mundo”, opina Arnaldo Gonçalves, 63 anos, que foi para o centro para vender produtos de torcida para a Copa do Mundo.
Eles relatam que antigamente era mais difícil permanecer trabalhando na região central, já que os fiscais apareciam com bastante frequência e até apreendiam as mercadorias. Mas já faz algum tempo que está mais tranquilo e, por isso, eles voltaram em peso para as calçadas.
IMIGRANTE
Do Egito, o imigrante com muita dificuldade de falar português e que se identificou apenas com o primeiro nome, Bilal, 25 anos, revela que está na cidade há um mês. Veio porque o irmão já mora no Brasil e o chamou para viver aqui também. Em busca de oportunidades, o egípcio recém-chegado comprou um estoque de meias e luvas e tenta vender sua mercadoria em meio aos campo-grandenses que percorrem apressadamente o centro. Mas, infelizmente, fazendo sinal com o polegar virado para baixo, ele informa que as vendas não estão muito boas, pelo menos por enquanto, já que, com muito bom humor, o imigrante demonstra não perder a esperança.
FISCALIZAÇÃO
Conforme a legislação municipal, não é permitido que os ambulantes comercializem mercadorias na área central, nas esquinas e nos transportes públicos. Ao fazer esse tipo de comércio, eles correm o risco de terem suas mercadorias apreendidas.
Só é permitida a venda nas ruas de produtos alimentícios, como churros, picolé, pipoca, milho, cana, entre outros. E a recomendação do poder público é que esses vendedores não permaneçam parados em um só local e circulem pelas calçadas.
Por meio da assessoria de imprensa, a Semadur informou que as fiscalizações ocorrem de forma rotineira e são decorrentes de denúncias. “Uma vez constatada a irregularidade, são tomadas as medidas cabíveis, em alguns casos com a apreensão da mercadoria e até autuação, pois, segundo o artigo 5º da Lei 2.909, que instituiu o Código de Polícia Administrativa do Município de Campo Grande, ‘é vedada a utilização dos logradouros públicos para atividades diversas daquelas permitidas neste código’. Desta forma, a Semadur faz o seu papel de fiscalizar o cumprimento da legislação”, finaliza a nota.