Economia

Projeção econômica

FMI revisa para baixo expectativa do PIB brasileiro

O crescimento é projetado para 1,8% e 2,5% em 2018 e 2019

Redação

12/07/2018 - 09h00

O Conselho do Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que o Brasil está com um desempenho econômico abaixo do potencial, a dívida pública é alta e as perspectivas de crescimento no médio prazo não são inspiradoras. Após baixar a projeção de crescimento para o PIB brasileiro deste ano de 2,3% para 1,8%, a instituição diz que o Brasil precisa avançar com o ajuste das contas públicas.

O Conselho do FMI aponta, no comunicado sobre a conclusão das consultas do capítulo IV para o Brasil,  "uma suave recuperação", apoiado pela política monetária acomodatícia e por medidas fiscais, mas com a ausência de reformas.

"O crescimento é projetado para 1,8% e 2,5% em 2018 e 2019, respectivamente, conduzido pela recuperação do consumo doméstico e pelo investimento", indicou o documento. A projeção para o PIB de 2019 também estava em 2,5% em abril.

Na avaliação do Fundo, como contraponto ao aperto das condições financeiras globais, o "compromisso com a busca de consolidação fiscal, ambiciosas reformas estruturais e o fortalecimento da arquitetura do setor financeiro" são necessários para colocar o Brasil "em um caminho de forte, balanceado e duradouro crescimento".

O FMI destacou, ainda, que o Brasil precisa avançar com o ajuste das contas públicas porque ressalta que, mesmo que os gastos federais continuem constantes em termos reais no nível registrado em 2016, a dívida pública bruta deve continuar subindo e atingirá um pico numa marca pouco acima de 90% do PIB em 2023. "A consolidação fiscal é chave para manter a confiança na sustentabilidade da dívida", destacou a instituição.

O Fundo ressaltou, ainda, que "o Brasil também é vulnerável ao aperto das condições financeiras globais e possíveis interrupções no comércio" e que esses riscos podem ser ampliados caso não haja continuidade da agenda de reformas.

Ainda no comunicado, o FMI enfatizou que a inflação no Brasil atinge mínimas históricas, o que ocorreu, em boa medida, devido à fraqueza da economia, à queda de preços de alimentos e a expectativas bem ancoradas. "A inflação é projetada para subir na direção da meta de 4,25% em 2019 com dissipação de choque de preços de alimentos e redução do hiato do produto."

O Fundo destacou, ainda, que o déficit de transações correntes atingiu 0,5% do PIB em 2017, com contração de importações motivada, em parte, pelo colapso de investimentos privados. Com a recuperação da economia em curso, a instituição acredita em uma piora das contas correntes, cujo déficit deve ficar próximo de 2% no médio prazo. Por outro lado, o FMI afirmou que os bancos brasileiros são resilientes, apesar de perdas registradas durante a recessão econômica em 2015 e em 2016.

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