Quem foi demitido e acabou engrossando as estatísticas do desemprego brasileiro pode ter bons valores de verbas rescisórias a receber, dependendo do salário e tempo que passou na emrpesa. É um momento de angústia pela incerteza em relação ao futuro, mas também de planejar as contas e fazer bom uso do dinheiro.
A economista comportamental Andreia Saragoça disse ao Correio do Estado que a primeira atitude é pensar no sustento até conseguir um novo emprego.
Como o mercado de trabalho é incerto e a situação de desemprego pode durar mais do que se espera, o recomendado é pensar em pelo menos seis meses de ganhos comprometidos.
“Eu chamo de reserva estratégica. Ela tem que ser embasada nos gastos mensais. Pode ser pensada até por mais tempo. Um semestre é o tempo mínimo”, explica.
FUJA DAS TENTAÇÕES
Segundo reportagem do Valor Investe, uma pessoa que tenha trabalhado por cinco anos em uma mesma empresa com salário de R$ 3 mil, receberia aproximadamente R$ 18 mil em verbas rescisórias.
Esse montante varia de situação para situação, mas com tanto dinheiro em mãos, muitas pessoas tendem a cogitar aproveitar para quitar dívidas já vencidas ou antecipar pagamentos de bens parcelados, como financiamentos de carros e casas, quando falta pouco para a quitação.
Porém, embora vantajosa, a ideia é um erro. “Não indicaria pagar dívidas vencidas, pois a pessoa está em uma situação de vulnerabilidade, não sabe quando vai conseguir um novo emprego”, diz a economista.
Somente após a recolocação no mercado de trabalho é que essa atitude pode ser colocada na pauta, e ainda assim de maneira programada para não prejudicar as demais contas.
“O mesmo vale para dívidas a vencer. Pode ser que usar o dinheiro para isso faça com que me falte no futuro”, pondera Andreia.
Igualmente não é recomendado aproveitar a situação de desemprego e o dinheiro disponível para abrir um negócio, empreender.
A economista recorda que montar uma empresa não exige apenas verbas, mas também conhecimento da área na qual se pretende mergulhar.
“Tem gente que pensa em montar uma marmitaria, por exemplo, e sequer sabe cozinhar. Certa vez tive um cliente que havia recebido uma herança e queria montar uma empresa de energia solar. Iria gastar mais ou menos R$ 500 mil. Entrei em contato com pessoas do setor para conversarem com ele sobre a realidade do ramo e ele viu que ia fazer besteira, desistiu”, relata.
Diante da incerteza causada especialmente pela crise financeira, apostar as únicas fichas que se tem pode representar uma perda.
Por outro lado, a economista afirma que com planejamento e parcimônia, é possível sobreviver a essa fase ruim sem prejudicar a qualidade de vida.
“Muitas pessoas usam o termo gastos supérfluos. Eu não gosto. Porque de repente é algo que faz a pessoa se sentir bem”, afirma.
Colocando tudo no papel (receitas e despesas) é possível encaixar, por exemplo, alguns momentos de descontração, sem exageros e talvez com frequência menor do que o usual.
Um exemplo são as saídas para comer fora. Não será possível todos os dias, mas dependendo da situação, dá para planejar atividades como essa sem prejudicar drasticamente o orçamento.
Em resumo: desemprego é uma fase ruim, mas é perfeitamente possível sair do buraco com cautela, paciência e planejamento.
O ideal, segundo a economista, é que essa ponderação, esse controle, já estivesse presente na vida das pessoas mesmo em momentos de “vagas gordas”.
E se o desemprego durou menos tempo do que o esperado, por que não aproveitar o que sobrou para investir?