Economia

PARA 2022

Com custo de vida mais caro, reajuste do salário mínimo em 6,2% deve ser insuficiente

Proposta enviada pelo governo projeta passar de R$ 1.100 para R$ 1.169

O governo federal enviou ao Congresso Nacional a proposta de um salário mínimo de R$ 1.169 para 2022. Segundo economistas, a projeção de aumento de 6,27% pode não ser o suficiente para o trabalhador, mas pode ajudar no poder de compra por um determinado período.

O valor consta no projeto da Lei Orçamentária Anual divulgado pelo Ministério da Economia no fim do mês passado. 

O valor é R$ 69 maior que o salário mínimo atual, de R$ 1.100, e representa uma alta pouco maior que 6,2% – que é a previsão do Ministério da Economia para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) deste ano, feita no mês de julho. 

Com isso, não está previsto aumento real (acima da inflação).

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a previsão é de que o índice termine o ano em 6,4%.

Para o economista Marcio Coutinho, o reajuste pode ajudar no poder de compra, mas com o passar do tempo ficará defasado.

“O aspecto positivo é que tenta repor o poder de compra do brasileiro. Por outro lado, no aspecto negativo, é que esse poder de compra com o passar do tempo vai se deteriorando, ou seja, se a gente começa ter um nível de inflação maior, daqui a pouco esse poder de compra já está defasado", enfatiza.

"Então, o aspecto negativo é a demora para repor esse poder de compra”, completa.

O doutor em economia Michel Constantino explica sobre o governo ter projetado o reajuste somente até o nível da inflação.

“Somente atualiza o valor da inflação, não tem realmente um aumento real. A gente está com a pandemia em curso e ainda estamos em recuperação da economia", explica.

"Se o governo aumenta mais do que a inflação, ele tem de tirar de algum lugar, em geral, que a gente tem visto no orçamento, é que, ao tirar de algum lugar, tira também do pessoal que mais precisa, é de um Bolsa Família, é de alguma atividade social ou é da educação”, completou.

No entanto, Constantino também aponta que o aumento não é suficiente.

“O aumento não é suficiente para o trabalhador, mas, pelo menos, atualiza o salário dele, essa atualização é importante porque senão ele tem perca do poder de compra", ressaltou.

"Ao perder poder de compra, se ele tivesse abaixo da inflação, aí, sim, você não consegue comprar os mesmos produtos com aquele salário, mas atualizando, pelo menos, ele consegue continuar com o mesmo padrão de vida dele”, completou.

De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário-mínimo serve de referência para 50 milhões de pessoas no Brasil, das quais 24 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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COMPARATIVO

Para compreender a diferença do poder de compra em relação ao salário mínimo, o Correio do Estado fez um comparativo considerando os dados de Mato Grosso do Sul.  

Em 2015, o salário mínimo estava em R$ 788. Com isso, o trabalhador conseguia colocar em torno de 263 litros de gasolina comum no veículo, que custava R$ 2,99 por litro em agosto daquele ano.  

No mês de agosto, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do combustível custou em média R$ 5,89 com o salário mínimo deste ano, de R$ 1.100, daria para abastecer 186 litros.  

Considerando os dados do Dieese, em se tratando do valor do quilo da carne, em julho de 2015, os cortes bovinos como patinho, coxão duro e coxão mole custavam R$ 20,12, o que daria para comprar 39 kg (com o mínimo a R$ 788).  

Já no mesmo mês deste ano, o quilo dos cortes era comercializado pelo preço médio de R$ 38,84. Com o salário vigente daria para adquirir 28 quilos de carne bovina.

PREÇOS

Constantino ressalta que é preciso levar em consideração que o Brasil está passando por um momento de pandemia, no qual, os preços tendem a subir.

A economista e supervisora técnica do Dieese-MS, Andreia Ferreira, acredita que se o aumento tivesse sido feito em julho, o trabalhador conseguiria adquirir mais itens para o seu sustento.

“Se o aumento de R$ 69 tivesse sido feito em julho, o trabalhador poderia comprar um litro a mais de leite, e um quilo a mais de carne, feijão, arroz, farinha, batata, tomate e açúcar”, ressaltou.

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