Economia

retomada

Pesquisa mostra diminuição do desemprego com deterioração de rendimentos

Inflação e qualidade de ocupação observadas na pesquisa incidam queda nos ganhos do último trimestre

Rodrigo Almeida

28/12/2021 - 10h43

Amostragem feita até o final do mês de outubro mostrou queda nos índices de desocupação. Taxa era de 13,7% no trimestre anterior passou para 12,1% ao final do terceiro tri de 2021. A taxa de pessoas ocupada subiu 3,6%. Isso representa 3,3 milhões de trabalhadores a mais.

A boa notícia vem acompanhada de um dado não tão animador. O ganhos caíram 4,6%, atingindo 2449 reais em média. Se comparado o mesmo trimestre do ano anterior, a queda foi de 11,1%.Com mais pessoas trabalhando e o mesmo bolo de rendimentos, o resultado é de deterioração do que é recebido. 

Os dados são da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD-Contírua), divulgada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e foram divulgados na manhãs desta terça-feira (28). A pesquisa é um termômetro para o mercado de trabalho no Brasil.

Do segundo trimestre para o terceiro o setor privado puxou 4,1% de aumento nas contratações com carteira assinada, ou 1,3 milhão de pessoas a mais. Esse movimento já era observado na pesquisa finalizada em julho, no encerramento do segundo trimestre.

“Do aumento de 3,3 milhões de pessoas na ocupação, 40% são trabalhadores com carteira assinada no setor privado.Então, embora o emprego com carteira no setor privado ainda esteja em um nível abaixo do que era antes da pandemia, vem traçando uma trajetória de crescimento”, explica firma a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy . 

Outro número que apresentou aumento foi o de empregados sem carteira, que subiu 9,5% (ou 1,0 milhão de pessoas). Essa categoria, ao final de outubro, somava 12 milhões de trabalhadores.

Com o aumento de contratações a taxa de desocupação no país caiu pelo segundo trimestre consecutivo, no entanto segue menor ao período pré-pandemia. No fechamento do 4º tri de 2019, a desocupação no país atingia 11,4%.

Inflação

Apesar do aumento de parcela de ocupados no Brasil, a inflação aperta os rendimentos médios para o período. O ganhos caíram 4,6%, atingindo 2449 reais em média. A explicação está em dois fatores, parte das contratações são sem carteira assinada ou em ocupações com remuneração menores e o aumento da inflação, que chego aos dois dígitos no acumulado de 2021.

Segundo comunicado à imprensa do IBGE, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a queda foi de 11,1%. A coordenadora ainda cita a estabilidade da massa de rendimentos se manteve em 225 bilhões nos últimos dois trimestres de queda na desocupação.

Este indicador é calculado usando o rendimento médio de todos os trabalhos na pesquisa multiplicado pelo total de pessoas ocupadas. Logo, se o número de pessoas ocupadas aumenta, e o rendimento médio se mantém estável, a média de rendimentos tende a cair.

Agentes do crescimento

Como observado na maioria das cidades brasileiras, o comércio vem expandindo e retomando o ritmo normal de atuação. Com a redução brusca da pandemia, o setor vem puxando o aumento de contratações.  

A Pnad-Contínua aponta que o número de ocupados no comércio cresceu 6,4%, o que representa 1,1 milhão de pessoas a mais trabalhando no setor. A indústria vem em seguida com um aumento de 4,6%, ou mais 535 mil pessoas. No entanto, os melhores setores em aumento percentual foram alojamento e alimentação (11,0%), com mais 500 mil pessoas e construção, houve crescimento de 6,5% na ocupação (ou 456 mil pessoas).

Berenguy ressalta que apesar de números animadores em seis dos dez agrupamentos de atividades utilizados pela pesquisa, no comparativo com o trimestre anterior, foi possível observar crescimento em nove. “Isso indica que a conjuntura econômica do trimestre encerrado em outubro é muito diferente do mesmo período do ano passado. A recuperação já mostra um cenário muito mais favorável para a ocupação”, afirma.

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