Economia

Desaceleração

Fila do INSS atinge o menor nível em 18 meses no Estado

Estoque de pedidos em análise recuou 45,1% desde janeiro e chegou a 23,9 mil em junho; cenário estadual contrasta com avanço das negativas no País

A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Mato Grosso do Sul caiu 45,1% no primeiro semestre e atingiu em junho o menor patamar desde dezembro de 2024. O estoque de requerimentos em análise passou de 43.569, em janeiro, para 23.924, em junho, uma redução de 19.645 pedidos em seis meses.

A quantidade de pedidos de junho é 28,5% superior aos 18.622 requerimentos registrados em dezembro de 2024, mas representa o menor estoque dos últimos 18 meses. A redução ocorre depois de uma sequência de alta que levou a fila ao maior nível da série recente em fevereiro deste ano, quando chegou a 44.926 pedidos.

A partir de março, o movimento se inverteu: eram 37.131 requerimentos aguardando análise. O número caiu para 32.681 em abril, depois para 28.831 em maio e chegou a 23.924 em junho.

Ainda conforme informações dos boletins estatísticos do INSS, a trajetória contrasta com a registrada ao longo de 2025. Depois de encerrar 2024 com 18.622 pedidos, a fila saltou para 33.697 em janeiro de 2025 e chegou a 41.535 em março. 

O estoque permaneceu acima de 38 mil durante praticamente o restante do ano, alcançando 42.971 em dezembro. Em janeiro deste ano a fila voltou a crescer, chegando a 43.569, e atingiu o pico de 44.926 em fevereiro.

“Nosso compromisso não é apenas reduzir a fila. É reduzir o tempo de espera das pessoas. Porque, por trás de cada requerimento, existe um cidadão que precisa da proteção do Estado. Seguiremos trabalhando para que o cidadão tenha acesso ao seu direito com mais agilidade, transparência e segurança”, disse o diretor de Benefícios do INSS, Leonardo Bittencourt.

NEGATIVAS

A redução da fila em MS ocorre em um momento em que os números nacionais revelam outro aspecto da atuação do INSS. No primeiro semestre, foram 4.319.336 benefícios indeferidos em todo o País, acima dos 4.239.522 concedidos no período. A diferença é de 79.814 negativas a mais que concessões.

Segundo o INSS, o volume de indeferimentos cresceu 69,8% em relação ao primeiro semestre de 2025. Dos benefícios negados, 2.762.767 eram relacionados à incapacidade, cerca de 64% do total.

Para a advogada previdenciarista Juliane Penteado, os números não significam necessariamente que o instituto esteja negando benefícios de forma indevida, mas reforçam a necessidade de preparação antes do protocolo.

“Nem toda negativa significa que o INSS errou, assim como nem todo segurado que teve o benefício negado deixou de ter direito. Muitas vezes, o problema está na forma como os requisitos e as provas foram apresentados no processo administrativo”, afirma.

Segundo a especialista, inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), vínculos e contribuições não reconhecidos, ausência de documentos, falta de cumprimento de exigências e provas médicas insuficientes podem comprometer o pedido.

Em MS, o movimento foi contrário, o número de benefícios concedidos foi maior que o de negados. No primeiro semestre, foram 59.366 benefícios indeferidos e 61.202 deferidos.

FILA ÚNICA

A queda do estoque em MS ocorre após a implantação da fila única nacional, que passou a permitir que requerimentos sejam analisados por servidores de diferentes regiões do País, independentemente da agência onde foram protocolados.

Conforme explicou ao Correio do Estado a advogada previdenciária Kelly Ferreira do Valle, a mudança alterou a lógica de tramitação dos pedidos.

“É como se o governo acabasse com as ‘filinhas’ de cada agência e criasse uma fila única para o Brasil inteiro. Antes, se a agência de Campo Grande estivesse lotada, o seu processo ficava parado lá. Agora, com o sistema unificado, se um funcionário do Rio Grande do Sul ou da Bahia ficar livre, ele consegue puxar e analisar o processo de um morador daqui de Mato Grosso do Sul na hora”, diz. 

Para Juliane Penteado, a centralização também permite distribuir melhor a carga de trabalho e priorizar processos mais antigos.

“A ideia central é justamente atacar a grande fila de processos pendentes no INSS, que chegava a milhões de pedidos antes da mudança, e reduzir o tempo de espera dos segurados”, afirma.

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