Economia

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Arrecadação de impostos federais em MS ultrapassa R$ 10 bilhões em nove meses

Os números apontam um crescimento real de 6,25% na comparação com o mesmo período do ano passado

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A arrecadação de impostos federais em Mato Grosso do Sul ultrapassou a barreira dos R$ 10,282 bilhões no período acumulado de janeiro a setembro deste ano.

O número aponta um crescimento real de 6,25% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a arrecadação foi de R$ 9,602 bilhões.

Em nota técnica, a Receita Federal informou que este número já inclui o registro de acréscimo real do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 4,07% nos últimos doze meses.

A nota diz ainda que o acréscimo observado no período pode ser explicado principalmente pelo crescimento dos recolhimentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).

MUNICÍPIOS

Para chegar ao número total da arrecadação de impostos, tributos e contribuições federais em Mato Grosso, torna-se necessária a obtenção do somatório da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande com as alfândegas de Corumbá, Mundo Novo e Ponta Porã. E em cada ponto de arrecadação os resultados foram diferenciados.

Na alfândega de Corumbá, por exemplo, a arrecadação atingiu o montante R$ 26,682 milhões este ano, contra R$ 26,986 milhões de janeiro a setembro do ano passado, configurando-se uma queda de 1,13%. 

Já na alfândega de Mundo Novo, a arrecadação acumulada no ano está em R$ 7,127 milhões, contra R$ 5,439 milhões ano passado, uma elevação de 31%.

O desempenho da alfândega de Ponta Porã foi a que mais chamou atenção negativamente. Isso porque este ano, no período acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação chegou a R$ 23,374 milhões, ante R$ 26,249 milhões no mesmo período de 2021, o que gerou um decréscimo arrecadatório de 10,95%. 

Na Delegacia da Receita Federal em Campo Grande, a arrecadação acumulada deste ano atingiu R$ 10,224 bilhões. No ano passado, no período de janeiro a setembro, o número ficou em R$ 9,543 bilhões, gerando um crescimento de 7,13%. 

Isolando o mês de setembro, a arrecadação de impostos federais em Mato Grosso do Sul ficou em R$ 1,310 bilhão este ano, contra R$ 1,256 bilhão em setembro do ano passado. Neste caso, o crescimento mensal também é real e na ordem de 4,5%.

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NACIONAL

No âmbito nacional, a União arrecadou com todas as receitas R$ 166,28 bilhões em impostos em setembro. Na comparação com setembro do ano passado, houve um crescimento real de 4,07%, descontada a inflação.

O valor é o maior desde 2000, tanto para o mês de setembro quanto para o período acumulado. No acumulado do ano, a arrecadação alcançou R$ 1,63 trilhão, representando um acréscimo pela inflação de 9,52%. 

Quanto às receitas administradas pela Receita Federal, o valor arrecadado em setembro foi de R$ 159,60 bilhões, representando um acréscimo real de 2,65%, enquanto no período acumulado de janeiro a setembro a arrecadação alcançou R$ 1,53 trilhão, alta real de 7,64%.

7,13% de crescimento

Na Delegacia da Receita Federal em Campo Grande, a arrecadação acumulada deste ano atingiu R$ 10,224 bilhões. No ano passado, no período de janeiro a setembro, o número ficou em R$ 9,543 bilhões, gerando um crescimento de 7,13%.

Agronegócio

Falta de armazenagem faz com que MS deixe de arrecadar R$ 6,1 bilhões em grãos

Mais de 12 milhões de toneladas de soja e milho da safra 24/25 não tinham onde ser armazenadas no Estado

22/02/2026 13h35

Safra do milho perdida deixou de arrecadar R$ 1,7 bilhão

Safra do milho perdida deixou de arrecadar R$ 1,7 bilhão FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A falta de local para armazenar a produção de grãos em Mato Grosso do Sul fez com que mais de R$ 6,1 bilhões deixassem de ser arrecadados na safra 2024/2025. Esse valor corresponde ao quantitativo que deixou de ser capturado pelos produtores devido à limitação estrutural dos silos no Estado. 

Da quantia total, R$ 4,7 bilhões representam a soja e R$ 1,4 bilhão, o milho, evidenciando uma sensibilidade maior da oleaginosa às condições do mercado e à insuficiência da capacidade de estocagem. 

Os dados são de um estudo desenvolvido pela Aprosoja/MS, desenvolvido para analisar o impacto na comercialização dos grãos causado pela falta de armazenagem adequada especialmente no período da colheita. 

Na safra analisada, a produção estimada de soja e milho foi de 24,26 milhões de toneladas. Enquanto isso, a capacidade de estocagem é de 16,39 milhões de toneladas.

De acordo com o parâmetro técnico recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a capacidade de armazenagem deve equivaler a 120% da produção anual.

Assim, Mato Grosso do Sul apresenta um déficit de 12,72 milhões de toneladas, o mesmo que 43,7% da capacidade necessária para atender adequadamente à demanda das safras. 

Entre os municípios, Maracaju foi o que mais sofreu custo de oportunidade, deixando de arrecadar R$ 708,5 milhões. O município, maior produtor de grãos do Estado, corresponde, sozinho, a mais de 11% do “prejuízo”.

Em seguida, Ponta Porã, com R$ 457,9 milhões; Sidrolândia, com 401,2 milhões; Dourados, com R$ 318,6 milhões; e São Gabriel do Oeste, com R$ 265,7 milhões “perdidos”. 

Ao todo, esses municípios somam mais de R$ 2,15 bilhões em perdas por falta de armazenagem. 

“A comercialização forçada no período de colheita reduz o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa da atividade. Sem a possibilidade de escolher o momento mais adequado para vender sua produção, o produtor perde flexibilidade para escalonar as vendas, negociar melhores preços e projetar receitas ao longo do ciclo produtivo, o que fragiliza o planejamento financeiro. Por isso, a armazenagem deve ser encarada como um instrumento de gestão econômica, essencial para a sustentabilidade e a competitividade das propriedades”, afirmou o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc. 

Maior produção, menor armazenamento

Nos últimos cinco anos, a produção média de soja e milho em Mato Grosso do Sul ultrapassou 22 milhões de toneladas, deixando um déficit de armazenagem no Estado superior a 11 milhões de toneladas. 

Segundo a Aprosoja/MS, a capacidade de armazenamento no Estado é de 16,4 milhões de toneladas, enquanto a necessidade estadual chega a 27,5 milhões de toneladas. Essa diferença de 67,8% obriga muitos produtores a venderem suas safras logo após a colheita, impedindo de esperar por preços melhores do mercado.

Assim, o ritmo da capacidade de armazenamento dos grãos não acompanha o crescimento da produção agrícola. 

Entre 2014 e 2025, a capacidade de armazenagem saltou de 9,01 milhões para 16,39 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 82%. No mesmo período, a produção cresceu 69%, saindo de 17,23 milhões para 29,11 milhões de toneladas. 

A consequência disso foi o aumento do déficit de armazenagem de 8,25 milhões para 12,72 milhões de toneladas, um crescimento de 54%. Em 2023, foi registrado o déficit recorde da série, de 21,23 toneladas, após uma safra excepcional. 

Expansão

Para o economista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, a expansão da armazenagem vem ocorrendo de forma reativa. 

“Historicamente, o déficit estrutural vem acontecendo em resposta ao crescimento da produção, o que limita a capacidade momentânea, aumenta a demanda por transporte no pico da colheita, pressiona negativamente a cotação dos fretes e reduz o efeito multiplicador da atividade agrícola sobre a economia local, afetando comércio, serviços e arrecadação municipal”, avaliou.

Segundo o estudo, o valor perdido na safra 24/25 equivale a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho no Estado, quantia que poderia financiar investimentos em novas estruturas de armazenamento. 

Como já noticiado pelo Correio do Estado, em julho do ano passado, o governo do Estado anunciou apoio aos investimentos de R$500 milhões da empresa Coamo para ampliar a indústria e construir novos armazéns. 

Conforme a gestão estadual, a empresa pretende expandir sua unidade de processamento de soja em Dourados e construir mais três armazéns nas cidades de Sidrolândia, Amambai e Dourados. 

Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), detalhou que a ampliação da fábrica da Coamo localizada em Dourados terá um investimento de R$200 milhões. 

Atualmente, a planta que tem capacidade de processamento de 3 mil toneladas de soja por dia, e após ampliação, vai passar para 4 mil toneladas/dia. Já os novos armazéns serão construídos nos demais municípios, com previsão de investimento de R$80 milhões em cada um.

Empregos

Indústria, construção e comércio cortam 34 mil vagas com ensino superior em 2025, mostra FGV

O número de empregados com carteira assinada em 2025 foi menor que nos anos anteriores

22/02/2026 13h00

Construção civil puxou a geração de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul

Construção civil puxou a geração de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul Paulo Ribas

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O mercado de trabalho no País mantém-se robusto e resiliente, com abertura líquida de vagas com carteira assinada em 2025, mas em menor quantidade do que nos anos anteriores. Num cenário em que a população ocupada segue renovando recordes, a formalização deveria ter espaço para avançar e melhorar a qualidade do conjunto de empregos existentes.

Porém, em meio aos juros elevados, as atividades de indústria, construção e comércio já cortam postos de trabalho mais qualificados, com demissões de funcionários que completaram o ensino superior. Considerando todas as dispensas e admissões, os três setores juntos eliminaram 34.297 empregos formais com ensino superior completo em 2025.

Os dados são de um estudo das pesquisadoras Janaína Feijó e Helena Zahar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), obtido com exclusividade pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O levantamento tem como base os microdados do Novo Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho.

Em 2025, o mercado formal criou 1.279.448 vagas, 398 mil postos a menos do que em 2024, uma queda de 23,7%. Apenas 1,9% desses novos postos de trabalho foram vagas com ensino superior completo: 24.513. Entretanto, houve demissão líquida entre esses funcionários com maior nível de instrução na indústria, 13.686 vagas a menos em relação a 2024; na construção, 8.179 postos a menos; e no comércio, 12.432 a menos. O resultado geral só não foi negativo porque o setor de serviços absorveu mais 58.300 trabalhadores com ensino superior, e a agricultura, mais 509.

"A gente sabia que a manutenção de uma taxa de juros elevada por muito tempo teria rebatimento no mercado de trabalho, mesmo que fosse de forma tardia. Então, a partir de junho esse impacto esperado no mercado de trabalho se consolidou, foi gerando saldos negativos. Desde agosto a geração de empregos vinha caindo na margem, e quando chegou o último trimestre, ela se consolidou de fato", relatou Feijó.

Em dezembro, o mercado formal registrou o pior saldo para o mês da série histórica do Novo Caged, com perda de 618.164 vagas líquidas, desempenho 11,3% inferior ao de dezembro de 2024. Com exceção da agropecuária, todos os demais setores econômicos apresentaram retração ante dezembro do ano anterior.

"A taxa de juros é um dos principais fatores que afetam a geração de postos formais. A gente já tem outros problemas estruturais também. No Brasil há dificuldade de contratar CLT porque os encargos trabalhistas ainda permanecem muito elevados. (...) Tem outros elementos adjacentes que influenciam, como as expectativas dos empresários. Se eles percebem que o ambiente econômico está muito desfavorável, eles tendem a postergar essa decisão de contratar especialistas no negócio e a não contratar novas pessoas", frisou Feijó. "Mas a gente sabe que para o País crescer, a gente tem que focar na geração de postos formais."

Quanto a 2026, a desaceleração da atividade econômica e a manutenção de juros em patamares elevados geram expectativas de um desempenho ainda mais modesto na geração de empregos com carteira assinada, diz o estudo. Feijó acrescenta que o cenário será de mais incerteza, por conta das eleições no segundo semestre, embora seja esperado algum efeito de retenção de mão-de-obra em setores específicos por conta de pacotes de estímulo do governo e da realização da Copa do Mundo de Futebol

"O nível de incerteza tende a aumentar, e as pessoas tendem a esperar até o final do ano para ver como é que vai se consolidar a questão eleitoral, quem vai ganhar, para poder decidir o que vai fazer (sobre investimentos em contratações)", estimou a pesquisadora do Ibre/FGV.

O resgate do fôlego no emprego com carteira depende, em primeiro lugar, de uma redução na taxa básica de juros, mas também da melhora no ambiente de negócios, defendeu.

"A gente tem conseguido aumentar a população ocupada, mas a qualidade ainda deixa a desejar. Uma sociedade que tem mais de 38% de trabalhadores na informalidade, isso é muito prejudicial, por conta da evasão fiscal. Do ponto de vista do trabalhador também é ruim, porque ele não tem garantia", justificou Feijó.

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