Política

Eleições 2022

Em debate, Riedel desafia Contar a publicar certidões negativas da mulher e do vice

Candidato do PSDB prometeu publicar documentos nesta sexta; Contar nada disse

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Depois de faltar a três debates neste segundo turno, enfim, capitão Contar, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PRTB, ficou cara a cara com seu adversário, Eduardo Riedel, do PSDB.

Discussões, bate-bocas e acusações marcaram o início do debate promovido pela TV Morena e que durou duas horas. Na maior parte do confronto, Riedel tentou emparedar Contar, que, para defender-se, atacava o governo de Reinaldo Azambuja, fiador da candidatura do tucano.

Por vezes, Riedel provocou seu concorrente que, em alguns temas, como saúde, por exemplo, quis sair-se da questão com réplicas genéricas, isto é, não específica, imprecisa ou vaga.

Contar, principalmente num dos quatro blocos do debate, quando questionado acerca de plano de investimento para o Estado, lançava suspeitas de corrupção contra o governo, o qual Riedel foi secretário estadual por sete anos.

A convite do Correio do Estado, Daniel Miranda, doutor em Ciências Sociais, viu o debate e prometeu comentar trechos dele.

"Então, o primeiro bloco foi o mais agitado, até pelo formato mais 'livre' do debate. Não houve grandes novidades em relação a debates anteriores ou à propaganda política: Contar mais confortável no papel de 'oposição', mesmo sendo candidato ao governo há meses já, tentando confrontar Riedel como se estivesse na tribuna da Assembleia Legislativa [é deputado estadual] discursando contra o governo de Azambuja (como fez ao longo de seu mandato). Tentando a todo momento manter o debate no tema da corrupção e tentando ligar Riedel o máximo com isso, citando nomes de empresas".

Seguiu o doutor: "Riedel, nesse ponto, pareceu um pouco mais preparado do que em debates anteriores, foi evasivo quanto às denúncias contra o governo Azambuja (obviamente), mas foi "para cima" também apontando, novamente, para a esposa de Contar e suas atividades empresariais para tentar equilibrar o debate e constranger Contar nesse tema (além de desestabilizá-lo, por envolver diretamente sua família)".

Riedel contou um episódio que envolveria a empresa da mulher de capitão Contar com um contrato publicitário com a prefeitura de Ribas do Rio Pardo, cidade distante uns 100 quilômetros da capital. O caso em questão corre na esfera judicial.

Ainda segundo Daniel Miranda: "além disso, Riedel também desafiou Contar a postar certidões negativas dele e de seu vice (Beto Figueiró). Nesse ponto, foi a primeira vez que vi o Contar (pelo que me lembro) sendo evasivo quanto ao tema da transparência, tão forte em sua campanha".

Eduardo Riedel disse no meio e no final do confronto, que nesta sexta-feira (28), dois dias antes da eleições, vai postar na internet as certidões negativa dele, da mulher e do vice, Barbosinha. A certidão negativa é um documento utilizado para comprovar a existência ou não de ação civil, criminal ou federal contra uma determinada pessoa.

Contar evitou esticar o assunto e não revelou se vai ou não concordar com a proposta de Riedel, no caso, expor as certidões negativas do vice, dele e da mulher.

Para cientista social, o segundo bloco foi "mais engessado por causa do formato de pergunta-resposta, ficou nítido o contraste entre os candidatos, com Riedel tentando assumir a iniciativa e controlar o tom da conversa, desafiando Contar a detalhar mais seus planos, que é o ponto mais frágil de sua candidatura".

Num instante do debate, os adversários falavam da regionalização da saúde e Contar indagou Riedel a "razão" de o atual governo, em oito anos de mandato, não ter concluído o programa, que consiste em fortalecer o atendimento à população que mora em cidades distantes de cidades maiores.

Riedel discordou de Contar e fez um questionamento ao concorrente: quanto de dinheiro restava para concluir o programa da regionalização da saúde.

Capitão Contar citou dois números, no último cravou que eram precisos R$ 16 bilhões. Riedel disse que "não conhecia tal número" e respondeu: R$ 500 milhões.

O candidato Contar disse, depois, que seria bem mais fácil para Riedel detalhar os números porque já atuava no governo. O candidato do PSDB retrucou a resposta e disse que seu adversário era deputado estadual vice-presidente da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa, portanto, teria a "obrigação de entender" do assunto.

Contar respondeu que, se eleito, vai contratar os "melhores técnicos do Brasil" para se tornar "o melhor governador que MS já teve".

Ainda conforme o cientista social, depois do segundo bloco, o debate seguiu na mesma toada dos demais, isto é Riedel tentando emparedar Contar com dados e Contar criticando o governo Azambuja".

Os candidatos falaram além da educação, saúde, programas sociais, também de meio ambiente.

Este foi o último debate do segundo turno, único participado por Contar: Ridel compareceu a todos. Ambos os postulantes ao governo do Estado já haviam declarado apoio à reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

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Processo Disciplinar

Conselho de Ética decide futuro de Marcos Pollon nesta terça

Deputado sul-mato-grossense pode ser suspenso por três meses após manifestação realizada em Campo Grande; aliados denunciam perseguição política

18/05/2026 16h22

Deputado sul-mato-grossense pode ser suspenso por três meses

Deputado sul-mato-grossense pode ser suspenso por três meses Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados deve votar na próxima terça-feira (19) o parecer que recomenda a suspensão do mandato do deputado federal Marcos Pollon (PL) por três meses.

A representação está relacionada a um discurso realizado pelo parlamentar durante manifestação em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

A fala ocorreu em três de agosto, em Campo Grande, durante um ato pró-anistia. No parecer apresentado ao colegiado, o relator entendeu que a manifestação do deputado ultrapassou os limites considerados adequados para o exercício parlamentar.

Pollon, no entanto, afirma ser alvo de perseguição política e questiona a condução do processo disciplinar. Segundo o deputado, o pedido de punição foi motivado diretamente pelo discurso em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

“Discursar é não apenas um direito, mas uma das funções essenciais do mandato, atividade indispensável à democracia e integralmente protegida pela Constituição, independentemente do conteúdo da fala”, declarou o parlamentar ao comentar a representação.

Além da análise do novo parecer, também termina nesta terça-feira o prazo para apresentação de recurso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) contra outra decisão do Conselho de Ética que já havia recomendado suspensão de dois meses do mandato de Pollon.

Esse outro processo está relacionado à ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados durante protesto de parlamentares em defesa dos presos pelos atos de 8 de janeiro.

Segundo aliados do deputado, mais de 100 parlamentares participaram da manifestação, mas apenas três foram alvo de representação disciplinar.

Apoio de Michele Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a afirmar, na última sexta-feira (15), que o deputado federal Marcos Pollon (PL) é a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro como pré-candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul.

A declaração foi feita nas redes sociais e amplia a tensão na escolha pelo candidato para a segunda vaga do PL ao Senado.

Na publicação, feita nos stories do Instagram, Michelle divulgou uma pesquisa de intenção de votos que mostra Pollon em primeiro lugar na disputa ao Senado, com 41% dos votos. Junto da imagem, a ex-primeira dama escreveu: "Pollon. O candidato do meu galego".

Anteriormente, em 28 de fevereiro, Michelle já havia divulgado uma carta escrita de próprio punho por Bolsonaro, onde o ex-presidente afirmava que Pollon era seu candidato ao Senado por MS.

"Adianto que por Mato Grosso do Sul pelo seu caráter, honra e dedicação enquanto deputado federal, o meu candidato será Marcos Pollon", dizia a carta. Na postagem, Michelle também reforçou: "O Deputado Marcos Pollon é o nosso candidato ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul".

Indefinição

Apesar do apoio do ex-presidente, o nome de Pollon não é unanimidade no partido e a segunda vaga ainda não foi decidida, havendo certa tensão na disputa, já que Pollon afirma ter direito a vaga pelo partido, enquanto o pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), diz que haverá uma pesquisa para definição do nome, que está entre o ex-deputado estadual Capitão Contar e Pollon.

No mês passado, em sua primeira visita a Campo Grande como pré-candidato, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que, até o momento, o ex-governador Reinaldo Azambuja é o único pré-candidato ao Senado pelo PL que tem um lugar assegurado na chapa para disputar as eleições de outubro.

Flávio Bolsonaro disse que o nome de quem será o pré-candidato será decidido após pesquisas e minimizou a carta escrita pelo pai, afirmando que ele não sabia do acordo que haveria uma pesquisa.

 

Política

Lula diz a aliados que vai insistir na indicação de Messias para o Supremo

No dia 29 de abril, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo, rejeitando Messias por 42 votos a 34

18/05/2026 15h00

Jorge Messias

Jorge Messias Foto: Divulgação

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Mesmo depois da derrota histórica no Senado Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a aliados que vai reenviar à Casa a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições. O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) ainda adota cautela sobre a possibilidade.

No dia 29 de abril, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo, rejeitando Messias por 42 votos a 34. Com o resultado, Lula rompeu uma aliança que tinha com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), apontado como artífice da derrota.

Nos últimos dias, Lula disse a aliados que está disposto a mandar a indicação de Messias novamente ao Senado e que fará a indicação antes das eleições de outubro.

O presidente deu a sinalização mesmo sem a certeza de como seria uma segunda votação de Messias e antes mesmo de se acertar com Alcolumbre o nome que vai apresentar. Aliados de Lula ponderam que o envio da indicação ainda dependeria de concretização e conversas com o Senado.

Aplausos

O ponto de virada, segundo integrantes do Palácio do Planalto, foi a cerimônia de posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última terça-feira.

O advogado-geral da União foi aplaudido fortemente na solenidade Para Lula, o gesto representou um sinal de respeito e reconhecimento ao trabalho de Messias e um desagravo ao indicado Alcolumbre, que estava presente na posse, não aplaudiu nem cumprimentou o presidente. Ele estava ao lado de Lula na mesa da cerimônia, o que gerou um clima de mal-estar durante a posse do novo presidente do TSE.

Conversa

Messias teve uma conversa com Lula antes da posse de Nunes Marques no TSE. Foi a segunda reunião entre os dois desde a derrota no Senado. Segundo aliados do chefe da AGU, Messias só aceitaria uma nova indicação com muita certeza de que seria aprovado, principalmente após amargar a primeira derrota. Ele entrou em férias na última quarta-feira e só deve voltar ao trabalho no dia 26 de maio.

O ministro recebeu apoio de juristas ligados a Lula, aliados do governo e líderes evangélicos após a derrota no Senado.

Em conversas reservadas, eles prestaram solidariedade a Messias e disseram que tinham certeza que ele foi vítima de um jogo político-eleitoral no Senado e que não foi rejeitado por falta de reputação ou qualidade técnica para o cargo de ministro do Supremo. A vaga no STF está aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.

Depois da derrota, bolsonaristas chegaram a articular com Alcolumbre para barrar eventuais outras indicações de Lula até a eleição. A rejeição do Senado a uma indicação para o STF não acontecia havia 132 anos, desde 1894, e representa uma crise de grandes proporções para o Palácio do Planalto.

Sem atrativo

Uma segunda opção chegou a entrar na mesa, a de Messias assumir o Ministério da Justiça, mas essa hipótese está mais em segundo plano. O atual ministro da pasta, Wellington César Lima e Silva, vem recebendo críticas internas no governo em uma pauta sensível para Lula em ano eleitoral, que é a segurança pública.

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, levaria Lula a criar o Ministério da Segurança Pública e a reorganizar os cargos. Para Messias, porém, a pasta da Justiça não é atrativa, segundo interlocutores, pois falta pouco tempo para o término do mandato.
 

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