Economia

SUPERENDIVIDADOS

Centenas de servidores caíram em "armadilha" do Banco Master

Banco liquidado deixa calote em fundos de pensão e uma carteira repleta de pessoas insolventes, alvo de juros abusivos

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Só este ano, pelo menos 270 pessoas, a maioria composta de servidores do município de Campo Grande, ajuizaram processos na Justiça contra o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central do Brasi na terça-feira, alegando dívidas impagáveis e a condição denominada “superendividamento”, uma insolvência da pessoa física.

Ao longo da semana, depois que o banco foi liquidado e seu presidente, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal (PF), o assunto pairava sobre os credores da instituição bancária – entre eles o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG).

Logo, o Correio do Estado verificou o outro lado, o dos devedores do Banco Master, e encontrou, só em Campo Grande, um total de 272 ações ajuizadas somente este ano, de pessoas alegando dificuldades em pagar juros abusivos, mostrando dívidas impagáveis e, o pior, uma armadilha que levava o servidor a pensar que estava entrando em um crédito consignado, mas, na verdade, estava sacando dinheiro do cartão de crédito, pagando apenas o valor mínimo descontado em seu salário e vendo essa dívida explodir pelo uso do crédito rotativo do Banco Master.

É o caso da agente comunitária de saúde R. E. S. A., que tem um salário de R$ 3.703,67, mas vinha tendo descontos de R$ 3.157,35, sobrando apenas R$ 546 de seu pagamento à sua disposição.

A maior parte do valor retido pela prefeitura do salário da servidora é pelo Banco Master, que no ano passado, com apoio do próprio Município, ofereceu o produto Credcesta a seus servidores, que não passava de um cartão de crédito comum, cujos descontos poderiam ser feitos diretamente na folha do servidor, mediante juros abusivos.

DENÚNCIA

O Correio do Estado chegou a denunciar a armadilha à qual os servidores do município estavam sendo submetidos em julho do ano passado. A reportagem foi anexada neste processo da servidora, o mais recente do Judiciário de Mato Grosso do Sul de devedores do Banco Master.

Para poder ampliar o número de servidores com acesso à Credcesta, que nada mais era que um cartão de crédito com juros mensais de pelo menos 4,5% ao mês, o Município reajustou no ano passado a margem de empréstimos consignados em 15%.

Com isso, houve uma enxurrada de agentes financeiros oferecendo empréstimos a servidores negativados. Os juros e o status de cartão de crédito eram omitidos. A venda era de um empréstimo consignado, embora o dinheiro vivo que os servidores sacavam nada mais fosse que o limite do próprio cartão.

Para piorar, o desconto consignado em folha é apenas do pagamento mínimo, o que coloca o servidor em crédito rotativo, fazendo sua dívida disparar.

Agora, a servidora está com uma dívida crescente, mesmo depois de a prefeitura ter tornado sem efeito, em maio do ano passado, o convênio firmado em maio de 2023.

Mesmo sem poder utilizar o cartão, a servidora tem descontados todos os meses R$ 385 pelo Banco Master. A dívida desta servidora ainda é baixa diante de outros casos, como o de um servidor que viu uma dívida de R$ 20 mil saltar para mais de R$ 100 mil.

Porém, ela pede a suspensão unilateral do contrato com o Banco Master e o fim do recolhimento pela Prefeitura de Campo Grande, por ultrapassar a margem consignada permitida por lei. Ainda não houve decisão.

“Importante destacar que o cartão Credcesta foi amplamente ofertado aos servidores públicos municipais, sendo a única opção viável de crédito consignado após a restrição imposta pela prefeitura municipal ao acesso a outras modalidades de consignados convencionais. Esse cenário forçou muitos servidores, incluindo a autora, a aderirem ao cartão, sem plena ciência das condições desvantajosas que o contrato impunha”, afirma a advogada da vítima, Laís Fujimori.

A advogada ainda complementa em seu pedido feito ao Judiciário:

“Atualmente, a autora encontra-se em situação de endividamento progressivo e eterno, onde o desconto mensal não reduz a dívida principal, mas apenas cobre encargos financeiros abusivos, mantendo-a aprisionada a um contrato flagrantemente lesivo. A prática da instituição financeira caracteriza abuso de direito, onerosidade excessiva e violação ao Código de Defesa do Consumidor, tornando imperiosa a intervenção judicial para reequilibrar a relação contratual”.

Assim como essa agente de saúde, outra servidora pública, I. V. S. L., também tem uma dívida crescente, mas apenas atendeu o vendedor e nunca sequer utilizou o cartão. Mesmo sem ter feito saque algum ou qualquer compra, ela tem descontados todos os meses, pelo Banco Master, R$ 265.

Apesar da liquidação do banco, tecnicamente as dívidas impagáveis permanecem. A obrigação desses servidores continua, a não ser que consigam sair na Justiça da armadilha a que foram submetidos.

“A pessoa continua devendo e tendo que pagar a dívida. O banco está em liquidação, e o interventor do Banco Central exigirá o pagamento, como foi contratado”, explicou o advogado André Borges.

OUTRA PONTA

É com os altos juros cobrados de pessoas superendividadas, quase insolventes, que o Banco Master tinha seu rendimento. Do outro lado, oferecia há um ano uma remuneração de até 140% do CDI para captar recursos por meio de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).

Seria também dos altos juros cobrados desses servidores que o Banco Master também pretendia remunerar os fundos de pensão dos quais captou dinheiro, como o IMPCG.

Há pouco mais de um ano, o instituto aplicou R$ 1,2 milhão em letras emitidas pelo Banco Master e que não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Talvez nunca mais os aposentados de Campo Grande vejam esse dinheiro, muito menos os rendimentos.

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DÍVIDAS

Cresce o número de empresas inadimplentes em MS e número chega a quase 130 mil

Número acompanha o cenário nacional, que registrou 8,8 milhões de CNPJs em débito em fevereiro de 2026

01/05/2026 18h00

São mais de 129 mil empresas negativadas em MS e 8,8 milhões no Brasil

São mais de 129 mil empresas negativadas em MS e 8,8 milhões no Brasil FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O número de empresas com "o nome sujo" em Mato Grosso do Sul continua crescendo desde a virada do ano de 2025 para 2026. Dados do Serasa Experian enviados ao Correio do Estado mostram que o número, que em janeiro já era recorde, aumentou em fevereiro, chegando a 129.407 empresas no Estado. 

No período de um ano, a quantidade de empreendimentos com restrições de crédito em MS saltou mais de 42%, o que acompanha o cenário nacional. Em todo o País, somente em fevereiro de 2026, a inadimplência atingiu mais de 8,8 milhões de CNPJs.

Entre janeiro do ano passado e o começo do ano atual, o montante de dívidas era de R$ 2,16 bilhões, chegando a R$ 3,28 bilhões em janeiro deste ano, o que representa um avanço de mais de R$ 1,1 bilhão em valores inadimplidos no Estado.

No mesmo período, a quantidade de dívidas passou de 737.723 para 977.014 registros, indicando aumento relevante na quantidade de compromissos financeiros em atraso.

Além disso, cresceu também o número de débitos pendentes, com média de oito débitos em atrasos por CNPJ, acima da média nacional, de sete débitos por empresa. 

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a trajetória de aumento de empresas inadimplentes não apresenta sinais consistentes de reversão. 

"O ambiente de crédito permanece restritivo, com custos financeiros elevados e amior seletividade na concessão, o que limita a recomposição de caixa das empresas e sustenta a necessidade de rolagem e alongamento de passivos, mantendo a inadimplência em patamares elevados", afirmou.

Segundo a Datatech, a maioria expressiva da inadimplência é formada pelas micro e pequenas empresas, representando 95,2% do total nacional. 

"Essas empresas são mais sensíveis ao ambiente de crédito restritivo, pois dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação de prazos e custos financeiros. Com juros ainda elevados e concessão mais seletiva, essas empresas enfrentam maior dificuldade para recompor capital de giro, o que contribui para a persistência da inadimplência nesse segmento", avalia a economista. 

Cenário nacional

A quantidade de 8,8 milhões de empresas negativadas no Brasil em fevereiro de 2026 aproxima o indicador da máxima histórica registrada em dezembro de 2025. 

O setor de Serviços concentra mais da metade do número total, com 55,4% das empresas em débito no mês de fevereiro. Na sequência, aparecem o Comércio (32,6%), Indústria (8,1%) e o setor Primário (0,9%), segmento voltado à produção de matéria-prima, como o setor agropecuário.

"A maior concentração da inadimplência no setor de Serviços está alinhada à sua relevância estrutural na economia brasileira. O segmento responde por cerca de dois terços do Produto Interno Bruto [PIB] do País e concentra a maior parte das empresas formalmente ativas, o que torna natural sua maior participação no total de empresas negativadas", explicou Camila. 

Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com Serviços (31,5%) e com Bancos e Cartões (19,5%), setores relacionados a compromissos com fornecedores e despesas operacionais para manutenção das atividades, além do uso recorrente de crédito para gestão de capital de giro. 

O avanço da inadimplência ocorre em um cenário de custo de crédito elevado no Brasil. Economistas apontam que a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, influencia diretamente o custo de captação das instituições financeiras e, consequentemente, o valor final cobrado em empréstimos e financiamentos. 

O spread bancário (diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada ao tomador) é considerado elevado no País e contribui para o encarecimento do crédito.

Especialistas destacam ainda fatores estruturais que ajudam a explicar o nível elevado dos juros, como o desequilíbrio das contas públicas, o baixo nível de poupança interna, a insegurança jurídica e a baixa concorrência no setor bancário. 

 

LOTERIAS

Resultado da Dia de Sorte de ontem, concurso 1207, quinta-feira (30/04): veja o rateio

A Dia de Sorte realiza três sorteios semanais, às terças, quintas e sábados, sempre às 21h; veja quais os números sorteados no último concurso

01/05/2026 10h55

Confira o resultado do Dia de Sorte

Confira o resultado do Dia de Sorte divulgação

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 1207 da Dia de Sorte na noite desta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$400 mil.

Premiação

  • 7 acertos - Não houve ganhadores; 
  • 6 acertos - 30 apostas ganhadoras, (R$ 2.886,24 cada); 
  • 5 acertos - 1.160 apostas ganhadoras, (R$ 25,00 cada); 
  • 4 acertos - 14.804 apostas ganhadoras, (R$ 5,00 cada).

Mês da Sorte

  • Dezembro - 37.030 apostas ganhadoras, (R$ 2,50)

Confira o resultado da Dia de Sorte de ontem!

Os números da Dia de Sorte 1207 são:

  • 23 - 15 - 26 - 28 - 29 - 01 - 19 
    Mês da sorte: 09 - setembro

O sorteio da Dia de Sorte é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: 1208

Como a Dia de Sorte tem três sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre no sábado, 02 de maio, a partir das 20 horas, pelo concurso 1208. O valor da premiação está estimado em R$650 mil.

Para participar dos sorteios da Dia de Sorte é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 3,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 7 dente as 31 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar 4, 5, 6 e 7 números.

Como apostar na Dia de Sorte

Os sorteios da Dia de Sorte são realizados às terças, quintas e sábados, sempre às 19h (horário de MS).

O apostador marca entre 7 e 15 números, dentre os 31 disponíveis no volante, e fatura prêmio se acertar 4, 5, 6 e 7 números.

Há a possibilidade de deixar que o sistema escolha os números para você por meio da Surpresinha, ou concorrer com a mesma aposta por 3, 6, 9 ou 12 concursos consecutivos através da Teimosinha.

A aposta mínima, de 7 números, custa R$ 3,00.

Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.

É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.

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