Há 10 anos o mundo parou para assistir um dos símbolos da considerada nação mais poderosa do mundo desmoronar. As Torres Gêmeas foram ao chão ao vivo em plena manhã de terça-feira em um ataque suicida no qual sequestradores de avião colidiram nos prédios, matando 2.996 mil pessoas (oficialmente).
Neste dia o jornal Correio do Estado fez a terceira edição extra de sua história. Desde a fundação, em 1954, apenas o golpe militar de 64 e o sequestro e morte do filho de Lúdio Coelho, em 1975, renderam uma edição extra, no meio da tarde. O editor de capa Nery Kaspary, conta para os leitores como foi a preparação desta edição extra:
Laís – Como foi o dia 11 de setembro de 2001 na redação do Correio do Estado?
Nery - Começou 8, 9 da manhã, as TVs ficaram o dia todo ao vivo, tempo inteiro flashs. Aos poucos a coisa foi crescendo e foi se notando a importância do fato. Eu cheguei aqui às 13h, a decisão já estava tomada, uma edição extra estava começando a ser feita.
A maioria das pessoas já estava vendo pela TV ao vivo. Internet não estava tão popularizada quanto hoje, mas as pessoas já tinham uma noção das informações básicas. Aqui decidiu-se fazer uma edição extra para registrar a importância do fato. Essa edição saiu lá por 16h, já estava na rua.
Laís – Então a mobilização da equipe foi grande e rápida para isso acontecer
Nery - Para fazer uma edição extra não é só o pessoal da redação, tem que antecipar o horário da revisão, da diagramação, da paginação e da gráfica. Só na gráfica devem ser 30 pessoas. Foi uma mobilização geral. E a tarde foi distribuído gratuitamente, não foi para as bancas. E teve que mobilizar gente para distribuir, foi um grande esquema industrial que teve que se montar.
No dia, o mundo inteiro parou. Os olhos do mundo inteiro ficaram voltados para aquilo. Eu tenho 46 anos e não me lembro de nada parecido com aquilo. Guerra no Iraque, invasão do Afeganistão, não tem nada que lembre essa reação
Laís - É porque era um símbolo, um ícone da nação mais poderosa do mundo
Nery - Talvez nem tanto. É porque era transmissão ao vivo da tragédia. Era um cinema real, pessoas pulando de cima das torres e TVs transmitindo. O avião bateu na primeira torre e começaram a entrar flashs ao vivo, quando o outro avião bateu na segunda torre, tudo já estava sendo filmado e aquilo começou a desmoronar por horas e horas.
Todas as pessoas com mais de 25 anos hoje, lembram ainda o que estavam fazendo naquele dia. Outro fato que para nós brasileiros pode se comparar é ao dia que a seleção brasileira é campeã mundial ou é eliminada da Copa do Mundo. A mesma coisa com o 11 de setembro, as pessoas lembram o passo a passo daquele dia.
Laís – O Correio do Estado já fez outras edições extras desde a fundação, em 54?
Nery - A única vez que teve uma edição extra depois aquilo foi quando o Brasil foi pentacampeão. E antes disso, só na época que o Ludinho foi sequestrado e morto, isso foi em 75 se não me engano. Edição extra do Correio do Estado é algo muito raro. Mas para a Copa do Mundo você pode preparar uma semana antes, coloca o placar e fecha os detalhes da matéria. Mas aquele dia não, começaram a pipocar os atentados e teve que se tomar uma decisão, tivemos o entendimento de que era realmente um fato histórico muito importante.
A edição extra não foi nem tanto para informar os campo-grandenses sobre os fatos em si, mas para deixar registrado que se trava de algo extremamente excepcional. No dia seguinte os assinantes receberam também a edição extra encartada dentro do jornal normal. O papel do jornal muitas vezes é esse - reforçar a noção de importância que as pessoas têm de determinados fatos.



