Economia

CRÉDITO IMOBILIÁRIO

Em MS, financiamento de imóveis tem queda de 39% em 12 meses

Entre janeiro e agosto de 2022, foram 2.569 unidades a mais financiadas que no mesmo intervalo deste ano

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Levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) aponta queda de 39,24% na quantidade de imóveis financiados em Mato Grosso do Sul até agosto.

Neste ano, foram negociadas 3.978 unidades habitacionais ante as 6.547 unidades em 2022.

No montante, a diferença resultou uma perda porcentual de 35,33%, uma vez que neste ano foram disponibilizados recursos na ordem de R$ 1,188 bilhão contra R$ 1,837 bilhão de 2022, ou seja, R$ 569 milhões a menos liberados para compra de imóveis.

A corretora Digiany Godoy, do escritório Itamar Godoy, analisa que o aumento do valor do metro quadrado superou a inflação nos últimos anos no Estado, podendo ser esse um dos fatores que também contribuiu para a derrocada na modalidade de negociação, além dos juros altos.

“Há uma discrepância entre os valores praticados em Campo Grande e em outras cidades do País. Essa valorização não é compatível com a economia de uma forma geral, com o poder de compra e nem com a oferta de crédito”, pondera.

Profissional do setor imobiliário há mais de uma década, a corretora ainda ressalta que os altos preços podem ocasionar uma redução de compra como vem acontecendo, podendo levar a uma economia improdutiva, já que o consumidor fica menos disposto a investir.

Com destaque para a Capital, ela ainda salienta que a queda é considerável na quantidade de financiamentos pela combinação de fatores que vão desde a alta dos juros, a diminuição na oferta de crédito e até as restrições impostas aos mutuários.

Ainda, deve-se levar em conta que o mercado imobiliário, especialmente, o residencial, atende segmentos de renda baixa (que dependem de subsídio do governo e financiamentos) e aqueles de renda mais alta com recursos oriundos da poupança das Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e das Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs).

“Em apertada síntese, é dizer que, com as taxas altas, há perdas na poupança e que o investimento fica caro. Os bancos, então, passam a usar outros recursos, que pagam juros mais altos, o que encarece o financiamento para o usuário final [o comprador]. Consequentemente, há um aumento da inadimplência dos contratos, e os bancos se tornam cada vez mais seletivos na hora de emprestar”, detalha Digiany.

Nos quatro anos anteriores, houve uma instabilidade no volume de negócios fechados por meio de financiamentos para o período de janeiro a agosto, cujos números oscilaram.

Conforme o relatório da Abecip, em 2021, foram feitos 6.429 financiamentos, com o total de R$ 1,622 bilhão, enquanto em 2020 houve recuo de quase metade: R$ 851,378 milhões, com apenas 3.582 unidades negociadas.

Em 2019, a queda se agravou, com registro de 2.414 imóveis financiados, que totalizaram R$ 587,978 milhões. 

No mesmo período de 2018, o valor disponibilizado para financiamentos imobiliários com recursos da poupança no Estado chegaram a mínima de R$ 481,524 milhões, resultado de 2.438 moradias negociadas.

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SETOR 

O presidente do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi), Geraldo Paiva, afirma que a queda realmente aconteceu no Estado, sendo o aumento dos juros um dos fatores que contribuíram para o declínio da modalidade de compra.

“Ocorreu em praticamente todas cidades por conta da falta de recursos subsidiados dos agentes financeiros diante dos elevados juros praticados no mercado”, avalia.

Paiva ainda pontua que os bancos públicos estavam sem recursos, fazendo com que os consumidores não se interessassem em financiar imóveis subsidiados diante de um juros de 13,75% ao ano.

O representante da Secovi ressalta que, no momento, há três modalidades de financiamentos destinados à população de menor poder aquisitivo, sendo um do município, outro do Estado e, por fim, a entrada do novo Minha Casa, Minha Vida (MCMV), os quais devem influenciar no fluxo dos negócios.

“Lembrando que o MCMV, além de aumentar recursos, aumentou também o valor dos imóveis, em razão do aumento do custo de produção. Acredito que com esses financiamentos voltaremos a ter uma nova oferta de imóveis destinados a essa parte da população”, salienta.

Para o último trimestre do ano, Paiva faz projeções positivas. “Estimamos um reaquecimento dessa modalidade não só aqui em MS, como em todo Brasil. Precisaremos só ter a confirmação da disponibilidade dos recursos para o MCMV, que deverá ser o principal e mais atrativo das modalidades de financiamento”, conclui.

Conforme o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci-MS), Eli Rodrigues, a queda de fato houve, em parte, pelas altas taxas de juros aliadas à falta de recursos nos bancos estatais, o que trouxe uma queda nos financiamentos.

“Outro fato é que nós tivemos um desempenho muito significativo em 2022 . No entanto, com as mudanças do MCMV, por exemplo, agora teremos novos financiamentos, por conta de novos públicos sendo atingidos com o programa.

Acreditamos que, nos próximos meses, os números serão ainda mais satisfatórios para o segmento”, almeja.

FINANCIAMENTO

O economista Eduardo Matos frisa que a modalidade de crédito em questão é feita a partir de recursos da caderneta de poupança, ou seja, dinheiro depositado pelo público no fundo financeiro.

“O comprador contrata um financiamento e pode optar por financiar utilizando recursos que o público depositou em caderneta de poupança. Dessa forma, o banco utiliza essa verba para pagar o vendedor e remunera aqueles que realizaram os depósitos em caderneta de poupança”, detalha.

“No entanto, com a alta da taxa de juros, a caderneta de poupança, que já não era atrativa, se tornou ainda menos interessante em comparação a outros investimentos que têm risco parecido, como títulos públicos, fazendo com que grande parte do público migrasse para essas categorias de investimentos e, assim, diminuindo o montante de recursos disponíveis para os bancos realizarem esse tipo de operação”, ressalta Matos.

Ao contrário de 2022, neste ano a taxa básica de juros do País, a Selic, entrou em processo de redução, registrando cortes seguidos nas últimas reuniões do Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Desde o quinto encontro realizado neste ano, a Selic iniciou sua trajetória de queda após praticamente três anos acumulando altas sucessivas, as quais resultaram na máxima de 13,75% atingida em setembro de 2022. Até a primeira semana de agosto, a taxa se manteve estável no mesmo patamar.

O primeiro corte ocorreu naquele mês, quando o Copom decidiu reduzir o índice em 0,50%. A tendência de queda vinha sendo especulada por especialistas do mercado econômico desde o início do ano.

Desde então, a taxa básica acumula redução gradativa de 0,50%, recuando para 13,25% ao ano e, no mês passado, para 12,75%.

De acordo com o Boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado do BC, 
a indicação é de que a Selic chegue em 11,75% até o fim do ano. Para os dois anos subsequentes, a estimativa é de 9% e 8,5%.

O próximo encontro está previsto para os dias 31 de outubro e 1º de novembro. Ao fim do segundo dia de reunião, o Copom divulga o novo porcentual da Selic, que atualmente está em 12,75% ao ano.

Além da recente redução, o BC deixou o caminho aberto para novos cortes de 0,50% nas duas reuniões remanescentes deste ano, ou seja, a decisão de setembro será acompanhada da manutenção de um ciclo de reduções.

O menor porcentual da Selic registrado na história ocorreu há três anos, em agosto de 2020, chegando a mínima de 2% ao ano.

Economia

El Niño pode resultar em maiores cobranças de bandeira tarifária em 2026

Com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça a perspectiva de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano

07/02/2026 14h00

Crédito: Joédson Alves / Agência Brasil

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A possibilidade de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça a perspectiva de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano. Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), desde o fim do ano passado especialistas de mercado apontam para a perspectiva de mais meses de acionamento de bandeira vermelha em 2026, em relação a 2025, tendo em vista que as chuvas típicas dos meses de outubro a março vieram, até o momento, menos volumosas que a média histórica.

Atualmente está vigente a bandeira tarifária verde para o mês de fevereiro, sem cobrança adicional na conta de luz. O alívio é típico desta época do ano, quando as chuvas propiciam o enchimento dos reservatórios e, em decorrência, a metodologia da bandeira define que a cobrança adicional só é aplicada se o risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês) estiver muito alterado e o preço de referência para a energia de curto prazo (PLD) estiver extremamente elevado. O quadro muda a partir de abril, quando encerra o período úmido e o acionamento da bandeira pode ser determinado para patamares de déficit hidrológico e preço mais factíveis de serem alcançados.

Especialistas apontam que a partir de abril a bandeira já poderia passar à coloração amarela, com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts consumidos.

O especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, não descarta o acionamento da bandeira amarela já em abril, cenário que, conforme destaca, ficará mais claro na segunda metade de fevereiro, com a realização das chuvas esperadas para os próximos dias e a atualização dos mapas para o próximo mês. "Mas passando fevereiro, já começa a ficar muito difícil que mude muito o viés", disse, referindo-se à perspectiva de armazenamento de água nas hidrelétricas e citando a tendência de preço de referência para a energia crescente no período seco.

Ele reforça a perspectiva de maior frequência de bandeiras vermelhas em 2026 - a vermelha Patamar 1 tem custo adicional de R$ 4,463 a cada 100 KWh consumidos, enquanto a de Patamar 2, de R$ 7,877 a cada 100 KWh. "A dúvida é a quantidade de meses de [bandeira tarifária] vermelha 2 e quando vai ser a primeira que pode ser amarela", disse.

Sinal amarelo

A Ampere Consultoria prevê atualmente que a bandeira tarifária se mantenha verde até abril, uma visão melhor do que o projetado anteriormente em função da ligeira melhora nas previsões de chuvas para os últimos meses do período úmido. Mas o sócio consultor da empresa, Guilherme Ramalho de Oliveira, alerta que não dá para descartar completamente a possibilidade da cobrança adicional, já que cenários mais conservadores analisados pela consultoria ainda apontam a bandeira amarela no quarto mês deste ano.

Já o diretor de Comercialização da Armor Energia, Fred Menezes, prevê bandeira amarela em maio, escalando para a bandeira vermelha a partir de junho. "E a perspectiva é voltar a amarela somente em novembro ou dezembro", disse. Na avaliação dele, a potencial configuração de um El Niño pode a dificultar o retorno à bandeira verde nos últimos meses do ano.

O especialista de Estudos de Mercado da Envol, Vinícius David, também considera maior a chance de bandeira amarela a partir de maio, mas considera que a bandeira vermelha apenas em julho, com possibilidade de vermelha 2 ao longo do período seco, até setembro. A consultoria aponta perspectiva de bandeira amarela ou verde apenas nos últimos dois meses do ano.

David lembra que o El Niño não tem efeito direto previsível nas chuvas nas áreas de influência dos reservatórios das principais hidrelétricas do País. "Porém tem efeito secundário de temperaturas mais altas, que leva a carga mais alta, o que pode pressionar os preços pra cima", disse.

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boicote

Gasolina sobe com alta do ICMS e não baixa após desconto da Petrobras

Imposto estadual subiu 10 centavos o litro e Petrobras reduziu em 14. E, na comparação com o fim de dezembro, combustível está 15 centavos mais caro em MS

07/02/2026 12h05

Pesquisa da ANP nesta semana encontrou o menor valor de R$ 5,65. No final de dezembro, era possível abastecer por R$ 5,53

Pesquisa da ANP nesta semana encontrou o menor valor de R$ 5,65. No final de dezembro, era possível abastecer por R$ 5,53 Gerson Oliveira

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No dia 27 de janeiro a Petrobras reduziu em 14 centavos o preço da gasolina nas refinarias e a previsão dos revendedores de Campo Grande era de uma queda da ordem de nove centavos nas bombas. Quase duas semanas depois, porém, o que ocorre nos pontos de revenda é o contrário, com aumento nos preços médios, conforme demonstra pesquisa da Agência Nacional do Petróleo divulgada neste sábado (07). 

Na pesquisa divulgada no dia 24 de janeiro, quando já havia sido aplicado o aumento de 10 centavos relativo ao aumento do ICMS, o preço médio da gasolina comum em Campo Grande era de R$ 5,89, variando entre R$ 5,69 e R$ 6,08. 

Neste sábado (7), quase duas semanas após a redução nas refinarias, a mesma pesquisa revelou que o preço médio está em R$ 5,90, com variação de R$ 5,65 a R$ 6,19. Ou seja, apesar da redução na refinaria, o preço médio subiu um centavo. No caso do preço máximo, a diferença a maior é de 11 centavos, sendo que a previsão era de que ocorresse queda de nove centavos. 

E não é somente em Campo Grande que o setor de revenda mais uma vez "se esqueceu" de repassar a queda ao consumidor. Antes do anúncio feito pela Petrobras, o valor médio em Mato Grosso do Sul era de R$ 6,08. Neste sábado, conforme a ANP, está em R$ 6,10. O valor máximo, que era de R$ 6,89 no dia 24 de janeiro, subiu para R$ 6,19.

Em tese, o desconto feito no final de janeiro pela Petrobras deveria ter anulado o aumento do imposto estadual, que entrou em vigor no começo de janeiro, que foi de dez centavos sobre o litro da gasolina.

Os levantamentos feitos pela ANP mostram que a realidade ficou bem longe disto. Na pesquisa fechada no dia 27 de dezembro do ano passado, antes da alta do imposto, o preço médio da gasolina em Campo Grande estava em R$ 5,78. Na mesma data, o valor médio em Mato Grosso do Sul era de R$ 5,95. 

Na comparação com o fim do ano passado, neste sábado o preço médio da gasolina amanheceu 12 centavos mais alto em Campo Grande. Na média de todo o Estado,  a alta é de 15 centavos.

Ou seja, os revendedores elevaram os preços quando o governo estadual passou a cobrar mais ICMS e não reduziram quando a Petrobras baixou seus valores. 

Não é de agora que o setor de revenda literalmente boicota os consumidores. Desde o começo do ano passado, o preço da gasolina caiu 45 centavos nas refinarias da Petrobras. No mesmo período, os governadores de todo o Brasil elevaram em 20 centavos o ICMS. 

Então, apesar do aumento do imposto, ainda sobrou uma margem de 25 centavos para que os consumidores fossem beneficiados. Mas, na comparação com o dia 8 de fevereiro do ano passado, o preço médio nas bombas tanto de Campo Grande quanto nas cidades do interior está apenas três centavos menor. 

Em janeiro de 2025, o valor praticado pela estatal era de R$ 3,02 por litro. Com os três cortes anunciados  desde então, o litro caiu para R$ 2,57, uma redução de 15% em pouco mais de um ano.

RANKING

Os constantes boicotes ao consumidor acabaram tirando Campo Grande do primeiro lugar no ranking da gasolina mais barata entre as capitais brasileiras. No começo de fevereiro do ano passado, com valor médio de R$ 5,93, a cidade tinha a gasolina mais em conta entre todas as capitais. Agora, como os R$ 5,90,  está em terceiro lugar. Em São Luís, no Maranhão, o preço médio é de R$ 5,63, conforme a pesquisa divulgada neste sábado.

O mesmo aconteceu com o restante de Mato Grosso do Sul. No dia 8 de fevereiro do ano passado, o preço médio de R$ 6,13 colocava o Estado com o terceiro menor preço da gasolina. Amapá estava em primeiro lugar, com R$ 5,99.

 Agora, Mato Grosso do Sul caiu para sexto lugar. Em  primeiro lugar está o Maranhão, com R$ 5,87 (23 centavos a menos que aqui). Quer dizer, em outras regiões do Brasil os proprietários de postos e distribuidoras repassaram aos consumidores parte dos descontos feitos pela Petrobras. 

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