Com um contexto de investimentos de bilhões para escalar a produção, tratativas para incorporar um sócio estrangeiro na mineração no Pantanal e trâmite para ampliar o modal de navegação pelo Rio Paraguai, a exploração do minério de ferro em Mato Grosso do Sul já tem prospecção de crescer cerca de 33% neste ano.
Esse cenário foi analisado por gerência da LHG Mining, principal mineradora no Estado e que vem apresentando aumento de produção ano a ano, desde quando assumiu as minas em Corumbá e Ladário, em julho de 2022.
Para uma publicação especializada no setor de mineração, um executivo da empresa, que integra a holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, divulgou no mês de dezembro que deveria fechar 2025 com 12 milhões de toneladas exploradas, contra os 2,5 milhões de toneladas que começou na sua linha de produção, há cerca de três anos. Para o ano que vem, a meta é alcançar 16 milhões de toneladas.
De forma prévia, entre janeiro e outubro de 2025, os volumes exportados pela mineradora para o Uruguai já tinham alcançado 4,7 milhões de toneladas somente pelo porto Gregório Curvo, que é administrado pela LHG Mining.
Em 2025, a mineradora dos irmãos Batista chegou a cerca a 12 milhões de toneladas, e para 2026 a meta é de 16 milhões de toneladas - Foto: Bruno Rezende/Governo de MSNo porto Granel Química (Ladário), houve o despacho de 1,1 milhão de toneladas de minério, enquanto no Terminal Vetorial Logística o carregamento foi de 1,8 milhão de toneladas.
A empresa usa os três portos, mas divide a carga com os carregamentos de outras mineradoras, exceto no caso de Gregório Curvo. Esses dados são da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq).
O gerente geral da LHG Mining, Pablo Mendes, informou para a revista Minérios & Minerales que a produção teve um salto considerado em um prazo de três meses, em 2025.
“A ideia do projeto ‘90 dias para operar’ veio de uma necessidade, após a aquisição da mina pelo grupo JBS, para se posicionar no mercado de minério de ferro de forma mais agressiva. Queriam (os investidores) que ela estivesse dentro das três maiores produtoras do Brasil.
Foi o processo de contratação de uma usina de 3,5 milhões de toneladas, para fazermos a implantação e todo o processo de operação dessa planta. E em 90 dias conseguimos fazer terraplanagem, compramos equipamentos e instalamos. Colocamos minério no estoque neste período recorde”, detalhou Mendes.
O minério retirado na região do Pantanal tem um valor agregado que é ter mais de 65% de teor de ferro, o que aumenta a qualidade dessa commodity. Com os investimentos que estão sendo feitos, a estimativa é de que a exploração deverá ocorrer no período de 40 anos.

Também para garantir que as mudanças propostas pela empresa sejam implantadas, houve a contratação da Metso, que é apontada como pioneira em tecnologias sustentáveis e soluções para indústrias de agregados, processamento de minerais e refino de metais. Essa parceira atua em 50 países, com 17 mil empregados.
A LHG Mining está, atualmente, com mais de 2,2 mil funcionários e tem previsão para contratar até cinco mil pessoas nos próximos anos.
Para ter a estrutura necessária que permitisse explorar 12 milhões de toneladas de minério de ferro no ano passado, LHG Mining e Metso divulgaram que uma série de inovações foram implantadas nas minas de Corumbá.
Chegaram a manter cinco frentes simultâneas de construção, quatro guindastes, três muncks e mais de 100 pessoas trabalhando diretamente na obra, em momentos de pico.
“As pilhas de processo são embarcadas diretamente. Tem sido um aprendizado muito grande. A toda hora a gente dá uma rodada, dá uma apertada para produzir mais. Tudo isso para, em 2026, atingir o objetivo de chegar aos 16 milhões de toneladas”, estimou Pablo Mendes à Minérios & Minerales.
ARRECADAÇÃO
Esse crescimento contínuo representa, ao mesmo tempo, maior arrecadação dos atores públicos. A expectativa da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc)é de que essa nova fase vai gerar cerca de R$ 350 milhões em arrecadação de tributos anualmente. Com relação às compensações ambientais, o valor corresponde a R$ 40 milhões.
INVESTIMENTOS E NOVOS ACIONISTAS
A Semadesc havia divulgado em julho do ano passado que a LHG Mining está com um investimento global de R$ 4 bilhões a serem pulverizados ao longo dos anos.
Além da instalação de um transportador de correia, duas novas plantas de beneficiamento, o uso otimizado da hidrovia Paraguai-Paraná é uma prioridade.
Para conseguir alcançar isso, a empresa está aguardando a entrega de 400 barcaças que podem transportar 50 mil toneladas de minério. A construção dessa frota está dividida em quatro estaleiros, entre eles em uma unidade que fica em Manaus (AM).
Uma empresa canadense chamada Robert Allan Ltd. é a responsável pela arquitetura naval para a construção dessas novas barcaças.
Existe outra tramitação que é a concessão da hidrovia no Rio Paraguai, ao longo de 600 km, entre Corumbá e a foz no Rio Apa.
Nessa frente, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa critérios jurídicos nos setores ambiental e de gestão. O processo está parado por conta do recesso do órgão federal, que só volta a trabalhar em no dia 16.
Com relação ao quadro societário, há informações que a LHG Mining contratou o Citi (Citigroup) para intermediar a venda de ações minoritárias da mineradora. O foco seria um sócio estrangeiro, mas ainda não há detalhes oficiais divulgados.

