Economia

CONTIGENCIAMENTO

Governo de MS corta gastos para continuar sendo "bom pagador"

Decreto publicado no Diário Oficial estabelece limites para empenhos, mantém corte de 25% em contratos de custeio e reforça prioridade de preservar a capacidade de pagamento

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O governo de Mato Grosso do Sul voltou a acionar o freio nos gastos públicos e ontem oficializou a prorrogação do contingenciamento de despesas para todo o exercício de 2026.

Publicado no Diário Oficial do Estado, o Decreto nº 16.736/2026 estabelece um conjunto de medidas administrativas de racionalização, reprogramação e controle de gastos que atingem órgãos da administração direta e entidades autárquicas e fundacionais do Poder Executivo, incluindo despesas dos fundos especiais.

A medida dá continuidade à estratégia de ajuste fiscal adotada pelo Estado desde o meio do ano passado, já abordada em reportagens anteriores do Correio do Estado, no contexto da busca pelo equilíbrio entre receitas e despesas, preservação da capacidade de investimento e manutenção de indicadores fiscais considerados estratégicos pelo governo.

Assinado pelo governador Eduardo Corrêa Riedel (PP), o decreto entrou em vigor na data da publicação e terá efeito até 31 de dezembro.

Na prática, o texto reafirma diretrizes que já vinham sendo seguidas pela administração estadual, agora com força normativa renovada para o próximo exercício financeiro. Entre os principais objetivos está a manutenção do conceito de bom pagador do Estado.

“As diretrizes priorizam gastos com investimentos e a manutenção dos serviços essenciais, deixando claro que o ajuste não compromete áreas sensíveis à população. A adoção das medidas está fundamentada em critérios técnicos, como a análise da evolução das despesas nos últimos exercícios, o acompanhamento dos indicadores fiscais e a preservação da capacidade de pagamento do Estado, com meta de manutenção de classificação mínima nota B na metodologia da Capacidade de Pagamento (Capag)”, detalhou o governo, em nota.

A avaliação serve para definir quais entes federativos podem contrair empréstimos com garantias da União. A obtenção de nota geral A ou B na Capag é necessária para receber garantia do Tesouro Nacional em operações de crédito.

Um ente bem avaliado é considerado bom pagador e poderá acessar financiamentos com juros mais baixos. Os entes classificados com notas C ou D são considerados de alto risco e não terão o mesmo benefício.

Conforme informou o Correio do Estado em dezembro do ano passado, a gestão estadual caiu do conceito máximo A+ para B+ em razão do aumento do endividamento e da redução da disponibilidade de caixa em relação à Receita Corrente Líquida (RCL).

Levantamento do Tesouro Nacional aponta que a dívida estadual em relação à RCL subiu de 45,03% para 47,11%, mas, ainda assim, a classificação permaneceu na categoria A.

Situação semelhante ocorreu com o indicador 2 da Capag, referente à poupança corrente – relação entre despesas e receitas correntes. O porcentual avançou de 87,99% para 89,6%, mantendo a classificação B.

Já no critério de liquidez, o governo do Estado foi rebaixado de A para B, com o porcentual subindo de 4,10%, em 2024, para 7,91%. Esse indicador reflete o nível de obrigações financeiras em relação à disponibilidade de caixa.

De acordo com relatório fiscal publicado no Diário Oficial em dezembro, de janeiro a outubro, Mato Grosso do Sul arrecadou R$ 21,843 bilhões, o equivalente a 78,58% da previsão anual atualizada, de R$ 27,797 bilhões.

No mesmo período, as despesas liquidadas somaram R$ 22,046 bilhões, correspondentes a 74,61% da dotação autorizada para o ano, de R$ 29,547 bilhões.

“Com planejamento, disciplina e previsibilidade, o governo de Mato Grosso do Sul consolida uma trajetória de responsabilidade fiscal reconhecida nacionalmente. O decreto não representa retração, mas sim um instrumento de governança que assegura a continuidade dos investimentos estratégicos, sustenta a credibilidade institucional e garante que o Estado siga crescendo de forma equilibrada, mesmo diante de oscilações no cenário econômico”, afirmou a gestão estadual, em nota.

No ano passado, a meta do governo era de economizar entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões com o corte de gastos. O Correio do Estado questionou o Executivo sobre o montante efetivamente economizado e qual será a meta para este ano, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

LIMITE

Um dos pontos centrais do decreto é a limitação do total de empenhos de despesas dos órgãos da administração direta e das entidades autárquicas e fundacionais aos valores empenhados no exercício anterior.

A regra funciona como parâmetro geral e busca impedir a expansão automática das despesas discricionárias.

Ficam fora dessa limitação as despesas com pessoal, que seguem sujeitas às regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Mesmo nesses casos, o texto reforça que o acompanhamento permanece rigoroso, alinhado às metas fiscais do Estado.

O decreto também mantém a redução de 25% nos contratos de custeio, porcentual já previsto em norma anterior, agora revogada e substituída pelo novo texto. O corte incide sobre despesas recorrentes da máquina pública e reforça a diretriz de enxugamento administrativo.

Além disso, os órgãos estaduais são orientados a evitar despesas com aquisição de novos veículos, mobiliários, equipamentos e outros bens permanentes. A prioridade é utilizar e manter o patrimônio existente, adiando investimentos que não sejam considerados essenciais ou estratégicos.

Outras despesas de custeio também entram no radar do ajuste. O decreto cita expressamente gastos com diárias, passagens, participação em eventos e seminários e pagamento de horas extras, entre outros.

A orientação é de redução, reforçando um movimento de contenção já adotado em exercícios anteriores. A análise das despesas deverá considerar a essencialidade e o impacto dos gastos, além de critérios técnicos que possam justificar exceções pontuais.

Ainda assim, o texto deixa claro que qualquer exceção às regras dependerá de autorização prévia das Secretarias de Governo e Gestão Estratégica e de Fazenda, mediante solicitação formal e devidamente justificada pelo dirigente máximo do órgão interessado.

Outro ponto relevante é a previsão de revisões periódicas da programação orçamentária ao longo deste ano. As duas secretarias ficam responsáveis por acompanhar a execução das despesas e, se necessário, adotar novas medidas de racionalização, controle e contingenciamento.

A responsabilidade pela execução das medidas recai diretamente sobre os titulares dos órgãos e entidades.

O decreto determina que os gestores adotem as providências necessárias para cumprir as regras, especialmente aquelas relacionadas à redução de custeio, assumindo a responsabilidade pela adequação das despesas sob sua gestão.

CONTINUIDADE

Ao revogar o decreto anterior, de agosto de 2025, e estabelecer novas regras válidas até o fim deste ano, o governo sinaliza a continuidade de uma política fiscal conservadora, um dos pilares da atual gestão.

A estratégia busca conciliar ajuste fiscal com a preservação de investimentos considerados essenciais para o desenvolvimento econômico e social de Mato Grosso do Sul.

O decreto reforça esse discurso ao destacar que as medidas devem resguardar a continuidade dos serviços públicos essenciais e o cumprimento das obrigações legais e contratuais do Estado, ao mesmo tempo em que priorizam os gastos com investimento e a eficiência na execução orçamentária e financeira.

“A expectativa é manter, em 2026, um elevado patamar de investimentos públicos, especialmente em infraestrutura, desenvolvimento econômico e áreas sociais, demonstrando que responsabilidade fiscal e desenvolvimento caminham juntos quando há gestão técnica e compromisso com o futuro”, finaliza o governo do Estado, em nota.

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PESQUISA

MS tem a segunda menor taxa de desemprego do País

Em relação aos valores médios recebidos pelos trabalhadores do Estado, as mulheres ainda recebem quase mil reais a menos que os homens

20/02/2026 14h15

Taxa de desocupação no Estado atingiu o menor índice da série histórica

Taxa de desocupação no Estado atingiu o menor índice da série histórica FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com a segunda menor taxa de desocupação entre as Unidades da Federação brasileira. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira (20), o Estado também atingiu o menor resultado da série histórica. 

No 4º trimestre do ano passado, Mato Grosso do Sul tinha 2,29 milhões de pessoas em idade para trabalhar, 43 mil pessoas a mais que no mesmo período de 2024. Destas, 1,43 milhão estavam ocupadas e apenas 36 mil desocupadas. 

Ou seja, a taxa de desocupação no Estado nos últimos três meses de 2025 foi estimada em 2,4%, uma queda de 0,4% em relação ao trimestre anterior, atingindo o menor valor desde o início da pesquisa em 2012. 

O resultado fez com que Mato Grosso do Sul subisse três posições no ranking entre as UFs, ocupando a segunda menor taxa de desocupação do Brasil, juntamente com Mato Grosso e Goiás, atrás somente de Santa Catarina, onde a taxa foi de 2,2%. 

A média anual do Estado também caiu, passando de 3,9% em 2024 para 3,0% em 2025. 

Em Campo Grande, a taxa de desocupados também teve queda. O resultado de 3,1% é menor que o registrado no terceiro trimestre de 2025 em 0,3% e0,6% maior em relação ao mesmo trimestre de 2024. 

A taxa coloca a Capital no 4º lugar entre as capitais brasileiras com menores resultados. O resultado anual também caiu, passando de 3,7% para 3,1%. 

Com relação ao número de empregados no Estado, a pesquisa mostrou uma estabilidade em comparação ao trimestre imediatamente anterior, se mantendo em 1,04 milhão. 

Desses, 728 mil estão no setor privado, 219 mil no setor público e 90 mil são trabalhadores domésticos. 

Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o resultado é uma consequência de movimentos pontuais e estratégicos como o planejamento a longo prazo, um ambiente de negócios estável e com segurança jurídica, diversificação econômica, tendo como polos o agro, a bioenergia, a celulose, proteína animal e a indústria; um forte ciclo de investimentos privados e a integração logística e expansão de infraestrutura. 

“O Estado consolida um modelo de desenvolvimento que combina crescimento econômico, geração de empregos e aumento de renda, com base na produtividade e na atração de grandes players globais. O desafio agora é avançar na qualificação profissional, ampliar a inserção de jovens e manter a competitividade diante do novo cenário internacional”, afirmou. 

Rendimento

O valor de rendimento médio real mensal do trabalho principal em Mato Grosso do Sul foi de R$ 3.581, apresentando estabilidade em relação ao trimestre anterior, quando o valor ficou em R$ 3.482. 

Considerando o rendimento do trabalho principal, o Estado tem o 9º maior rendimento médio habitualmente recebido entre os estados do Brasil. O maior valor foi registrado no DF (R$ 6.053,00), seguido do SP (R$ 4.221,00). O menor valor foi obtido no MA (R$ 2.078,00), seguido de BA (R$ 2.267,00).

Em comparação ao rendimento médio recebido pelos trabalhadores por sexo, os homens em Mato Grosso do Sul recebem R$ 4.094, enquanto as mulheres recebem R$ 3,175, uma diferença de 22,5%. 

Ao que se refere à cor ou raça, a pesquisa mostrou que as pessoas que se declararam brancas recebem em média R$ 4.499,00 enquanto as que se declararam pardas recebem R$ 3.126,00 e as que se declararam pretas recebem R$ 3.162,00. Com isso, tem-se que população parda recebe cerca de mais de um terço (28,9%) a menos que a população branca do Estado. 

Nacional

Em 2025, a taxa anual de desocupação no Brasil recuou 1,0% frente ao resultado em 2024, chegando a 5,6%. No quarto trimestre do ano passado, a taxa foi de 5,1%, uma redução significativa de 1,1% relativamente ao mesmo período do ano anterior. 

Vinte unidades da federação atingiram a menor taxa anual de desocupação da série histórica da pesquisa. 

“A mínima histórica em 2025 decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionados pelo aumento do rendimento real. Contudo, a queda da desocupação mascara problemas estruturais: Norte e Nordeste mantêm informalidade e subutilização elevadas, evidenciando ocupações de baixa produtividade”, explica William Kratochwill, analista da pesquisa.
 

RESTITUIÇÃO

Lote residual do Imposto de Renda injeta R$ 8 milhões na economia de MS

3.304 contribuintes sul-mato-grossenses podem consultar o valor da restituição nesta sexta-feira (20)

20/02/2026 10h20

Aplicativo da Receita Federal para consultar restituição do IR

Aplicativo da Receita Federal para consultar restituição do IR DIVULGAÇÃO

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Lote residual do Imposto de Renda de Pessoas Físicas (IRPF-2025) vai injetar R$ 8.242.687,86 na economia de Mato Grosso do Sul, neste mês de fevereiro de 2026.

Os 3.304 contribuintes sul-mato-grossenses, que têm direito a receber o valor, já podem consultar, neste site, o valor de restituição. O montante será pago em 27 de fevereiro.

No Brasil, são 204.824 restituições com valor total de R$ 578.974.901,07.

O pagamento é realizado na conta bancária informada na Declaração de Imposto de Renda, de forma direta ou por meio de chave PIX.

A Receita tem cinco lotes de restituição, que devem ser pagos em maio, junho, julho, agosto e setembro, respectivamente. Os que não caíram dentro dos cinco lotes, caem no lote residual, ou seja, na Malha Fina, a partir do mês de outubro.

Calendário de restituição do Imposto de Renda 2025

  • 1º lote de restituição do IR 2025 - pago em 30 de maio
  • 2º lote de restituição do IR 2025 - pago em 30
  • 3º lote de restituição do IR 2025 - pago em 31 de julho
  • 4º lote de restituição do IR 2025 - pago em 29 de agosto
  • 5º lote de restituição do IR 2025 - pago em 30 de setembro
  • 1° lote residual do IR 2025 - pago em 31 de outubro
  • 2° lote residual do IR 2025 - pago em 28 de novembro
  • 3º lote residual do IR 2025 - pago em 30 de dezembro
  • 4º lote residual do IR 2025 - pago em 30 de janeiro
  • 5º lote residual do IR 2025 - será pago em 27 de fevereiro

COMO CONSULTAR?

Veja o passo a passo para consultar a restituição:

  1. Acesse este site
  2. Clique em "Consultar restituição de Imposto de Renda"
  3. Clique em "Iniciar"
  4. Informe o CPF e data de nascimento
  5. Clique em "Consultar"

Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição no prazo de 1 ano, deverá requerê-lo pelo Portal e-CAC, disponível no site da Receita Federal, acessando o menu Declarações e Demonstrativos > Meu Imposto de Renda e clicando em "Solicitar restituição não resgatada na rede bancária".

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