O Ibovespa hoje saltou 7,70% e encerrou a sessão aos 206.911,89 pontos. É a maior alta desde 24 de março de 2020, início da pandemia da covid-19, quando o índice subiu 9,64%. O movimento repercute o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (4). Durante a sessão, o índice atingiu a marca inédita de 209.605,7 pontos.
Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma diferença de quase 2 pontos porcentuais, vencendo a primeira etapa do pleito por 47,03% a 45,16% dos votos válidos. Além disso, o PL se consolidou como o maior partido do Senado, elegendo 19 parlamentares, o que lhe dará uma bancada de 28 a partir de fevereiro – hoje, conta com 15.
Analistas explicam que o tom positivo do Ibovespa está relacionado à expectativa de um ajuste fiscal. “O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027″, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
O dólar hoje recuou 4,12% cotado a R$ 5,0018, enquanto os juros futuros chegaram a cair mais de 8% nos vencimentos intermediários e longos. O Tesouro IPCA+ 2032, o Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2050 pagam agora retornos reais de 7%, 6,68% e 6,59%, abaixo dos níveis de 7,66%, 7,25% e 7,08% que ofereciam na sexta-feira (2). Já o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2032 pagam taxas de 12,62% e 12,81%, nesta ordem, menores do que os patamares de 13,84% e 14,21% da última sessão.
Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, explica que o movimento dos juros alimenta o Ibovespa. “Esta queda nos juros gera uma valorização para a própria Bolsa através do custo de oportunidade e da taxa de desconto dos preços das ações, alimentando um clima de otimismo e um fluxo expressivo para os ativos brasileiros”, afirma.
Os efeitos são sentidos nas principais ações do Ibovespa: os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) saltaram 6,68% nos ordinários e 8,19% nos preferenciais. Entre as ativos do setor financeiro, os papéis do Itaú (ITUB4) ganharam 10,37% e os do Banco do Brasil (BBAS3) avançaram 11%. Já os do Bradesco (BBDC3;BBDC4) tiveram alta de 15,03% nos ordinários e de 13,57% nos preferenciais. Os ativos do BTG Pactual (BPAC11) dispararam 22,52% e os do Santander (SANB11) tiveram alta mais contida, de 2,63%. A B3 (B3SA3), por sua vez, saltou 22,63%.
Outros destaques de alta do índice são Magazine Luiza (MGLU3), Cosan (CSAN3), Cyrela (CYRE3) e Localiza (RENT3), que subiram 24,18%, 23,79%, 18,40% e 20,68%, respectivamente. Apenas oito ações recuaram, com Suzano (SUZB3) na ponta negativa, tombando 5,39%. A Vale (VALE3), que começou o dia em alta, inverteu o sinal e cedeu 0,97%.
Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, pondera que os mercados já anteciparam um pouco do “trade eleitoral” nos últimos dias (na última semana, o Ibovespa subiu 4,71%), mas a força da votação da oposição deve prolongar a reação positiva para os próximos dias. “Ainda pode ter algum ajuste, dado que, para muitos investidores grandes, é difícil ajustar toda a posição em um dia. Não seria surpresa se observássemos mais altas nos próximos pregões”, afirma.
A sessão de hoje confirmou uma tendência: os pregões posteriores aos primeiros turnos das eleições costumam ser marcadas por fortes valorizações do Ibovespa. Dados levantados por Einar Ribero, da consultoria Elos Ayta, mostram que, nas últimas três eleições presidenciais, o índice deu um salto acima de 4% na segunda-feira após a primeira rodada de votação.
Em Nova York, o EWZ hoje, principal ETF (fundo de índice) de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, registrou ganhos de 13,35%, indicando entrada de capital estrangeiro na Bolsa local. Por lá, os índices acionários operaram em alta: S&P 500 e Nasdaq subiram 0,74% e 1,08%, respectivamente, ao passo que o Dow Jones avançou 0,26%.


