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Juliane Penteado

STF mantém possibilidade de perícia do INSS por análise documental e telemedicina

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Decisão do Supremo não acaba com a perícia presencial e reforça a necessidade de documentação médica adequada nos pedidos de benefícios por incapacidade

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, na prática, as regras que permitem a realização de avaliações médico-periciais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por análise documental e por meio de telemedicina.

A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.949, apresentada pela Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP).

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Toda empresa ensina, mesmo quando não treina

29/09/2026 00h03

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

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Toda empresa treina seus colaboradores, mesmo quando não possui um programa formal de treinamento.
Ela ensina pela maneira como recebe uma pessoa nova, pela forma como conduz uma reunião, pelo comportamento de seus líderes e, principalmente, pelo que aceita sem questionar.

Quando um atraso frequente não produz nenhuma consequência, a empresa ensina que o horário é apenas uma sugestão. Quando um profissional entrega bons resultados, mas trata mal os colegas, e ainda assim continua sendo valorizado, a organização ensina que desempenho importa mais do que respeito. Quando o líder centraliza todas as decisões, ensina que autonomia é um risco.

A cultura real de uma empresa não está escrita na parede. Está presente naquilo que acontece todos os dias.

É comum encontrar organizações com valores bem definidos no discurso: transparência, excelência, colaboração, inovação e respeito. São palavras importantes, mas que perdem força quando não encontram correspondência na rotina.

Não adianta defender transparência se as decisões importantes são tomadas de maneira obscura. Não adianta falar em inovação se qualquer erro é punido. Não adianta pedir colaboração quando os setores competem entre si e protegem informações. Também não adianta exigir autonomia de uma equipe que precisa pedir autorização para tudo.

Entre aquilo que a empresa declara e aquilo que pratica, o colaborador sempre aprenderá com a prática.

Esse aprendizado não acontece em uma palestra. Ele é construído pela repetição. As pessoas observam quem é promovido, quais atitudes recebem reconhecimento, que tipo de erro é tolerado e quais problemas a liderança prefere ignorar.

Com o tempo, esses sinais formam uma espécie de manual invisível. Ninguém precisa escrevê-lo. A equipe entende rapidamente o que realmente funciona naquele ambiente.

O problema é que muitas lideranças percebem a cultura apenas quando seus efeitos se tornam incômodos.

Quando os conflitos aumentam, a produtividade cai ou os melhores profissionais começam a sair, busca-se uma solução pontual: uma palestra, uma dinâmica ou um novo conjunto de valores.

Essas iniciativas podem contribuir, mas não conseguem corrigir sozinhas uma rotina que continua ensinando o contrário.

A formação de uma equipe não depende apenas do conteúdo transmitido. Depende da coerência da liderança. Um gestor pode fazer um discurso sobre responsabilidade, mas, se constantemente transfere a culpa pelos próprios erros, sua atitude ensina mais do que suas palavras.

Liderar é ensinar o tempo inteiro, inclusive nos momentos em que o líder acredita estar apenas administrando uma situação.

Isso torna a cultura um assunto menos abstrato e muito mais prático. Ela aparece na pontualidade das reuniões, na qualidade dos retornos, no cuidado com os clientes, na maneira como os conflitos são tratados e no compromisso com aquilo que foi combinado.

Pequenos comportamentos, quando repetidos, tornam-se padrões. Padrões compartilhados tornam-se cultura. E a cultura, cedo ou tarde, transforma-se em resultado.

Empresas que desejam mudar o comportamento de suas equipes precisam começar observando o comportamento de suas lideranças. Antes de perguntar por que as pessoas agem de determinada maneira, talvez seja necessário investigar o que o próprio ambiente vem ensinando.

Nenhuma equipe aprende apenas com aquilo que escuta. Ela aprende, sobretudo, com aquilo que vê acontecer.

Por isso, toda empresa deveria se perguntar: se os nossos comportamentos fossem o único material de treinamento disponível, que tipo de profissional estaríamos formando?

A resposta provavelmente revelaria mais sobre a organização do que qualquer quadro de valores colocado na parede.

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Gestão moderna exige repertório além da própria empresa

22/09/2026 00h03

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

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Toda empresa que cresce passa por um momento em que o improviso deixa de ser suficiente.

No começo, muita coisa funciona na conversa, na memória e na capacidade do dono de resolver problemas.

Mas, à medida que o negócio aumenta, entram novas pessoas, novos clientes, novos sistemas e novas responsabilidades. A complexidade cresce.

É nesse ponto que gestão passa a exigir método.

Processos precisam ficar claros. Indicadores precisam ajudar na decisão. Lideranças precisam ganhar autonomia. A tecnologia precisa ser usada para reduzir esforço, não para criar mais confusão.

Mas existe um componente dessa evolução que quase sempre recebe menos atenção: repertório.

Um gestor pode dominar profundamente a própria empresa e, ainda assim, ter uma visão limitada sobre outras formas de organizar, liderar e inovar.

Isso acontece quando ele passa tempo demais dentro da própria rotina.

As mesmas pessoas.

Os mesmos problemas.

As mesmas referências.

Os mesmos caminhos.

Com o tempo, aquilo que é familiar começa a parecer a única forma possível de fazer.

Esse é um risco.

Porque gestão também evolui quando o líder entra em contato com outras realidades.

Uma empresa pode aprender com outro setor.

Um processo pode ser melhorado ao observar como outra organização resolve um problema parecido.
Uma prática de atendimento pode inspirar uma mudança interna.

Uma tecnologia usada de forma diferente pode abrir uma nova possibilidade.

É por isso que benchmarking, eventos, viagens, conversas e novos ambientes não deveriam ser tratados apenas como experiências paralelas.

Eles também são ferramentas de gestão.

O objetivo não é copiar.

É comparar.

Observar.

Questionar.

Entender por que determinada solução funciona em outro contexto e se parte daquela lógica pode ser adaptada à realidade da própria empresa.

Esse exercício é especialmente importante agora, quando a tecnologia está mudando a velocidade da gestão.
Inteligência artificial, automações, dashboards e integrações permitem fazer mais em menos tempo. Mas, quanto mais tecnologia entra, maior a necessidade de critério.

Não adianta automatizar aquilo que não está bem definido.

Não adianta comprar um sistema sem entender o processo.

Não adianta usar IA para gerar respostas se a liderança não sabe fazer boas perguntas.

A tecnologia amplia capacidade.

Mas é a gestão que define direção.

E direção depende de visão.

Por isso, ampliar repertório também é uma forma de melhorar a qualidade das decisões.

Um gestor com mais referências tende a enxergar mais alternativas.

Consegue comparar modelos.

Percebe tendências mais cedo.

Questiona hábitos antigos.

E, muitas vezes, consegue voltar para um problema conhecido com uma solução que antes não parecia possível.

É aqui que processo, tecnologia e experiência se encontram.

O processo organiza.

A tecnologia acelera.

O repertório amplia a forma de pensar.

Esses três elementos juntos ajudam a empresa a amadurecer.

Nos próximos meses, terei a oportunidade de viver isso de forma ainda mais concreta em uma experiência internacional em Portugal. Mais do que participar de um evento, o que me interessa é justamente esse contato com outras visões, empresários, práticas e formas de pensar gestão e negócios.

A ideia não é buscar fórmulas prontas.

É voltar com perguntas melhores.

Porque muitas vezes o maior ganho de uma nova experiência não está na resposta que você encontra.
Está na pergunta que passa a fazer depois dela.

No fim, empresas melhoram quando conseguem transformar experiência em aprendizado, aprendizado em processo e processo em resultado.

E talvez um dos papéis mais importantes de quem lidera seja justamente esse: continuar expandindo a própria visão para que a empresa também consiga expandir a dela.

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