A Inpasa Agroindustrial S.A., uma das maiores produtoras de etanol de milho do país, acionou a Justiça de Mato Grosso do Sul para reaver 40 caminhões de sua frota — compostos por cavalos mecânicos e carretas-tanque — que continuam em circulação sob posse irregular do Grupo D&D Logística e Transporte, atualmente em recuperação judicial.
Segundo a empresa, os veículos deveriam ter sido devolvidos após a rescisão contratual, mas seguem sendo utilizados pela parceira, que enfrenta grave crise financeira, para realizar fretes com terceiros. Os rastreadores foram desativados, dificultando a localização dos bens.
Frota milionária em disputa
O processo traz a relação detalhada dos veículos, que inclui cavalos mecânicos Iveco 6x4 e dezenas de reboques tanques das marcas Randon e Biasi, todos modelos recentes (2021/2022).
Juntos, os ativos representam investimentos de alto valor, utilizados no transporte de etanol e combustíveis em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
No total, a frota listada contabiliza:
- 20 cavalos mecânicos (caminhões trator 6x4)
- 20 reboques tanques (dianteiros e traseiros, acoplados)
- 40 veículos ao todo
Descumprimento judicial e multas
A Justiça de Sinop (MT) já havia determinado a devolução imediata da frota, com multa diária que chegou a R$ 50 mil pelo descumprimento. Mesmo assim, o Grupo D&D permaneceu inerte, mantendo a posse dos caminhões e usando-os em operações próprias.
Diante da situação, a Inpasa solicitou o cumprimento da ordem em regime de plantão judicial em Campo Grande, incluindo autorização para uso de força policial e até mesmo diligências em horário noturno, para evitar o desaparecimento dos veículos.
Impasse empresarial
A disputa judicial evidencia o impacto da crise do Grupo D&D, que deixou de honrar contratos e interrompeu o transporte mínimo acordado com a Inpasa há mais de cinco meses. A empresa acusa a parceira de “apropriação indevida” dos caminhões e de enriquecimento ilícito, já que os veículos estariam sendo usados para gerar receita sem qualquer repasse.
Enquanto o impasse persiste, a Inpasa afirma estar sendo lesada em suas operações logísticas e exige a restituição integral da frota, fundamental para o escoamento de etanol de milho produzido em Mato Grosso.


