Tão certo como dizer que a terça-feira vem logo depois da segunda-feira, é o histórico das continhas de início de ano que já testam o humor e as finanças dos contribuintes. São os tais carnês do IPTU, o Imposto Predial e Territorial Urbano e, o IPVA, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.
Pagar estes tributos à vista ou parcelado, o que é melhor ao contribuinte? Prefeituras e governo ofertam descontos de até 20%, um atrativo que exige um estudo e simulação dos números para confirmar se realmente vale a pena.
Economista tarimbado, fonte frequente do Correio do Estado, apontou as alternativas, recomendou-se até o recurso de um empréstimo bancário para quitar a conta de uma só vez, mas acendeu o alerta: é preciso compreender a linguagem dos juros, dos números..
Prefeituras de Mato Grosso do Sul já criaram decretos que impõem condições de pagamento do IPTU, por exemplo, em cotas únicas ou em parcelas de 10 a 12 vezes. Descontos de até 20% da soma total.
Os descontos aparecem em medidas já adotadas pelos municípios de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e também Corumbá, conforme publicações em diários oficiais.
Márcio Ricardo Coutinho, professor de Economia, com mais de duas décadas de atuação na área financeira em bancos e cooperativas de crédito e que atua no mercado em Mato Grosso do Sul, narrou sua impressão acerca do pagar os impostos à vista ou parcelado. Note trechos:
“Eu entendo da seguinte maneira, se a pessoa tem dinheiro para pagar à vista, obviamente esse desconto de 20% que o órgão público está proporcionando, está oferecendo, é extremamente interessante, é extremamente vantajoso. Por qual motivo? Se você aplicar um dinheiro hoje, daqui um ano mais ou menos, daqui 10 parcelas, você não vai ter um rendimento acumulado de 20%. Seu rendimento vai ser bem menor. Então, por isso que é interessante. É como se fosse uma aplicação em um sentido inverso. Você não consegue hoje em dia, no mercado de renda fixa, uma taxa de juros de 20%”.
Seguiu o economista Márcio Coutinho:
“Por outro lado, tem que se avaliar a capacidade de pagamento da pessoa, não adianta nada a pessoa não ter dinheiro e querer pagar à vista e comprometer o orçamento da família, aí é complexo. Agora, por outro lado, se a pessoa não tem dinheiro, mas tem crédito, não custa nada tentar verificar junto aos bancos qual é a taxa de juros que conseguiria de empréstimo para fazer, pegar esse dinheiro emprestado para pagar o IPVA ou IPTU”.
Coutinho cita o motivo pelo qual citou a possibilidade de um empréstimo:
“Eu fiz a seguinte conta, imagina um determinado valor de IPTU de R$ 100 reais, se ele parcelar em 10 vezes serão 10 parcelas de R$ 10 reais, se ele pagar à vista ele paga R$ 80, então teria um desconto de 20%. Se ele pegar um financiamento num banco de R$ 80, a taxa de juros máxima, o custo efetivo máximo que ele teria que pagar, para ficar da mesma situação que ele optasse em parcelar diretamente com a prefeitura, tudo mais, seria uma taxa de juros de 4,28, em outras palavras, se o custo efetivo desse empréstimo for inferior a 4,28 vale a pena, inclusive a pessoa pedir o dinheiro emprestado e pagar a conta à vista este IPTU”.
GLOSSÁRIO ECONÔMICO
Descontos para Pagamento à Vista
Muitas prefeituras e governo estadual oferecem descontos atrativos para quem paga à vista. Por exemplo, em Campo Grande, o desconto no IPTU é de 20%, percentual igual ou bem parecido tem sido aplicado pelas prefeituras de Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas e Dourados. Já o IPVA, o tributo alcança desconto de até 20%.
Parcelamento:
Para quem não se preparou ou não tem recursos disponíveis, parcelar é a melhor opção. Mesmo se houver um extra no final do ano, pagar à vista depende do desconto, do prazo de parcelamento e da saúde financeira do contribuinte.
Considerações Financeiras
Saúde Financeira: Se o pagamento à vista exigir uso de economias ou empréstimos, é melhor parcelar. Se a cota única comprometer outros gastos, como entrar no rotativo do cartão de crédito, melhor dividir.
Investimento vs. Desconto: Mesmo com a taxa Selic em 11,75% ao ano, o desconto oferecido em muitos municípios ainda pode ser mais vantajoso que os ganhos de um investimento em renda fixa.
Reserva de Emergência: Pagar à vista é recomendado apenas se o contribuinte tiver uma reserva de emergência estabilizada, equivalente entre três e seis salários-mínimos.



