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GARGALO

Logística pode ser entrave do Estado para exportação de minério em 2021

Com seca dos rios, hidrovia fica inviável e projetos de retomada das ferrovias não devem avançar neste ano
06/01/2021 09:00 - Súzan Benites


De janeiro a novembro de 2020, Mato Grosso do Sul exportou 1,950 milhão de toneladas de minério de ferro, queda de 39% em relação ao mesmo período de 2019 – quando foram enviadas 3,216 milhões de toneladas ao exterior. 

Segundo a gestão estadual, a logística foi o principal entrave no ano passado e deve continuar sendo neste ano. 

Os caminhos possíveis para desafogar o envio do produto ao exterior seriam as hidrovias e ferrovias, mas não há avanços previstos para este ano.  

Em valores, segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/MDIC), o minério enviado ao exterior resultou em US$ 77 milhões negociados nos 11 meses de 2020, ante US$ 129,483 milhões no mesmo período do ano anterior – queda de 40,53%.

Segundo o titular da secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, Mato Grosso do Sul tem se destacado com soja, milho e carne e tem uma perspectiva positiva para o minério em 2021.  

“O minério realmente está com patamares elevados, se não tivéssemos essa questão da redução do calado do rio, o ano passado poderia ser melhor. A gente acha que para este ano teremos a retomada lá por fevereiro ou março da navegação em estruturas normais, e isso poderia potencializar o minério”, explicou.

Verruck ainda aponta que o desgaste das rodovias é intenso com a exportação do minério de ferro.

 “Estamos tendo de tirar todo esse minério em caminhões, fazendo uma pressão muito grande nas nossas BRs. Mas teremos uma retomada do mercado internacional do minério neste ano, assim como em 2020 tivemos a retomada do mercado internacional de açúcar”, concluiu.

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Apesar da perspectiva positiva, em 2021 a retomada do transporte ferroviário não terá avanços e a seca nos rios pode se repetir e impactar em menor envio de cargas por via fluvial.

RODOVIAS

Com a intensificação do envio de cargas por meio das BRs o desgaste e a manutenção exigem maior empenho financeiro. A BR-262, por onde o minério deixa Corumbá rumo aos portos, não tem previsão de duplicação, passando apenas por manutenções.  

O coordenador da bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso, Nelson Trad (PSD), diz que os deputados e os senadores estão focados em projetos que preveem melhorias nas rodovias.  

“Prova disso, são os projetos aprovados e apresentados pela bancada federal e que já estão empenhados pelo Governo Federal. Entre eles: a conservação e recuperação de ativos da infraestrutura da União em MS e a construção do anel rodoviário em Três Lagoas [BRs 262 e 158]”, diz.  

O senador ainda enfatiza que o avanço da Rota Bioceânica é o foco da bancada, porque acredita que ela “transformará a questão logística do Estado e do País”.

Ainda de acordo com Trad, em 2020, foram R$ 20 milhões em emendas para as obras do corredor com a adequação de capacidade da BR-267, do km 577 ao km 678,10; intervenções de adequação de plataforma da pista com implantação de 212.150 m² de acostamentos; implantação de 10,62 km de faixas adicionais; entre outras obras.