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Lucro, e não imposto, faz brasileiro pagar o carro mais caro

Lucro, e não imposto, faz brasileiro pagar o carro mais caro

uol carros

29/06/2011 - 01h00
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O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais - representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.

A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas as histórias que você verá a seguir vão mostrar que o grande vilão dos preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria automobilística tem um peso importante no PIB,o carro custa tão caro para o consumidor.

A indústria culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção: gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir, comocondução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.

Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.

Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.

Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?

Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, “é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa”. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.  

A carga tributária caiu e o preço do carro subiu

O imposto, o eterno vilão, caiu nos últimos anos. Em 1997, o carro 1.0 pagava 26,2% de impostos, o carro com motor até 100cv recolhia 34,8% (gasolina) e 32,5% (álcool). Para motores mais potentes o imposto era de 36,9% para gasolina e 34,8% a álcool.

Hoje – com os critérios alterados – o carro 1.0 recolhe 27,1%, a faixa de 1.0 a 2.0 paga 30,4% para motor a gasolina e 29,2% para motor a álcool. E na faixa superior, acima de 2.0, o imposto é de 36,4% para carro a gasolina e 33,8% a álcool.

Quer dizer: o carro popular teve um acréscimo de 0,9 ponto percentual na carga tributária, enquanto nas demais categorias o imposto diminuiu: o carro médio a gasolina paga 4,4 pontos percentuais a menos. O imposto da versão álcool/flex caiu de 32,5% para 29,2%. No segmento de luxo, o imposto também caiu: 0,5 ponto no carro e gasolina (de 36.9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.

Enquanto a carga tributária total do País, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, cresceu de 30,03% no ano 2000 para 35,04% em 2010, o imposto sobre veículo não acompanhou esse aumento.

Isso sem contar as ações do governo, que baixaram o IPI (retirou, no caso dos carros 1.0) durante a crise econômica. A política de incentivos durou de dezembro de 2008 a abril de 2010, reduzindo o preço do carro em mais de 5% sem que esse benefício fosse totalmente repassado para o consumidor.

As montadoras têm uma margem de lucro muito maior no Brasil do que em outros países. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes e que grande parte desse lucro vem da venda dos carros com aparência fora-de-estrada. Derivados de carros de passeio comuns, esses carros ganham uma maquiagem e um estilo aventureiro. Alguns têm suspensão elevada, pneus de uso misto, estribos laterais. Outros têm faróis de milha e, alguns, o estepe na traseira, o que confere uma aparência mais esportiva.  

A margem de lucro é três vezes maior que em outros países

O Banco Morgan concluiu que esses carros são altamente lucrativos, têm uma margem muito maior do que a dos carros dos quais são derivados. Os técnicos da instituição calcularam que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, é 5 a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos por 10% a 15% a mais.

O Palio Adventure (que tem motor 1.8 e sistema locker), custa R$ 52,5 mil e a versão normal R$ 40,9 mil (motor 1.4), uma diferença de 28,5%. No caso do Doblò (que tem a mesma configuração), a versão Adventure custa 9,3% a mais.

O analista Adam Jonas, responsável pela pesquisa, concluiu que, no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países.

O Honda City é um bom exemplo do que ocorre com o preço do carro no Brasil. Fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, ele é vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX). Neste preço está incluído o frete, de R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Restam, portanto R$ 20,3 mil.

Adicionando os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, teremos R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (10%). A soma dá R$ 40.692,00. Considerando que nos R$ 20,3 mil faturados para o México a montadora já tem a sua margem de lucro, o “Lucro Brasil” (adicional) é de R$ 15.518,00: R$ 56.210,00 (preço vendido no Brasil) menos R$ 40.692,00.

Isso sem considerar que o carro que vai para o México tem mais equipamentos de série: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo: 1.5 de 116cv.

Será possível que a montadora tenha um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro desses? O que a Honda fala sobre isso? Nada. Consultada, a montadora apenas diz que a empresa “não fala sobre o assunto”.

Na Argentina, a versão básica, a LX com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600), segundo o Auto Blog.

Já o Hyundai ix35 é vendido na Argentina com o nome de Novo Tucson 2011 por R$ 56 mil, 37% a menos do que o consumidor brasileiro paga por ele: R$ 88 mil.

Imposto

Proposta de tributação dos super-ricos ganha peso no G20, diz Haddad

Grupo reúne as 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia e a União Africana.

23/05/2024 21h00

Ministro da Fazenda Fernando Haddad

Ministro da Fazenda Fernando Haddad Arquivo

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira que a proposta brasileira de tributar os super-ricos ganhou relevância rapidamente dentro do G20, grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia e a União Africana.

Durante um simpósio de tributação internacional do G20, realizado em Brasília, Haddad destacou a necessidade de coordenação entre países para repensar mecanismos de ação tributária. "Nós não vamos resolver nossas dificuldades e desafios com as instituições atuais. Precisamos repensar os organismos multilaterais e o financiamento dessa equação", declarou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu a taxação dos bilionários como um instrumento crucial para financiar o combate à fome global.

Proposta brasileira ganha apoio

Haddad mencionou que a proposta brasileira está sendo bem recebida por países como a França. "É impressionante como essa proposta ganhou peso rapidamente, com manifestações de apoio até de países do G7 e da Europa. Há uma consciência crescente de que algo precisa ser feito", afirmou o ministro.

A pedido do governo brasileiro, o economista francês Gabriel Zucman está elaborando um relatório para o G20 sobre a taxação global dos super-ricos. Segundo Zucman, um imposto de 2% sobre o patrimônio de cerca de 3.000 bilionários poderia gerar uma receita de US$ 250 bilhões.

Diálogo com os Estados Unidos

Apesar da oposição dos Estados Unidos, expressa pela secretária do Tesouro, Janet Yellen, que afirmou que Washington não apoia um imposto global sobre a riqueza dos bilionários, o coordenador do Grupo de Trabalho de Arquitetura Financeira Internacional do G20, Felipe Antunes, destacou o diálogo positivo com os americanos. "Eles participaram das discussões, fizeram perguntas críticas, mas também construtivas", disse Antunes.

Antunes também mencionou que há debates sobre a redistribuição dessa tributação, com alguns países mais entusiasmados e outros mais céticos. Haddad enfatizou que a taxação global é uma novidade trazida pelo presidente Lula ao fórum do G20 que "veio para ficar".

Declarações de Lula

Durante a visita do presidente do Benin, Patrice Talon, ao Brasil, Lula reiterou a importância de tributar os super-ricos. "Se os 3.000 bilionários do planeta pagassem 2% de impostos sobre suas fortunas, poderíamos gerar recursos suficientes para alimentar as 340 milhões de pessoas que enfrentam insegurança alimentar severa na África", afirmou Lula.

O presidente brasileiro também criticou o impacto do pagamento da dívida externa sobre os países pobres, que prejudica investimentos em áreas essenciais como educação e saúde. "Não há como investir em educação, saúde ou adaptação às mudanças climáticas se grande parte do orçamento é consumida pelo serviço da dívida", concluiu.

Loteria

Resultado da Mega Sena 2728 de hoje, quinta-feira (23/05); veja os números

Prêmio estava estimado em R$ 40 milhões; Confira se você foi sortudo

23/05/2024 19h18

Confira o resultado do sorteio da Mega-Sena

Confira o resultado do sorteio da Mega-Sena Divulgação

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A Caixa Econômica Federal sorteou as seis dezenas do concurso 2728 da Mega-Sena na noite desta quinta-feira (23), no Espaço da Sorte, em são Paulo.

O prêmio estava estimado em R$ 40 milhões.

Números sorteados no concurso 2728: Confira o resultado

  • 02 - 43 - 11 - 09 - 25 - 51

Verifique sua aposta e veja se você foi um dos sortudos deste concurso.

O rateio, que é o número de acertadores e o valor que cada acertador irá receber, será divulgado em breve pela Caixa Econômica Federal.

Os sorteios são transmitidos ao vivo pelo canal do Youtube da Caixa.

Como jogar na Mega-Sena

Os sorteios da Mega-Sena são realizados três vezes por semana, às terças, quintas e aos sábados.

As apostas na Mega-Sena podem ser feitas até as 18h (horário de MS) do dia do sorteio em lotéricas ou pela internet.

A Mega-Sena paga milhões para o acertador dos 6 números sorteados. Ainda é possível ganhar prêmios ao acertar 4 ou 5 números dentre os 60 disponíveis no volante de apostas.

Para realizar o sonho de ser milionário, você deve marcar de 6 a 20 números do volante, podendo deixar que o sistema escolha os números para você, pela modalidade surpresinha, ou concorrer com a mesma aposta por 2, 3, 4, 6, 8, 9 e 12 concursos consecutivos, chamada Teimosinha.

A aposta mínima, de 6 números, custa R$ 5,00.

É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.

Premiação

Caso não haja acertador em qualquer faixa, o valor acumula para o concurso seguinte, na respectiva faixa de premiação.

Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao tesouro nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.

Não deixe de conferir o seu bilhete de aposta.

A quantidade de ganhadores da Mega-Sena e o rateio podem ser conferidos aqui.

 

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