Nem mesmo o cenário de juros elevados, crédito mais caro e consumo pressionado pela inflação foi capaz de frear o avanço do mercado de franquias em Mato Grosso do Sul.
O setor fechou o primeiro trimestre deste ano com faturamento de R$ 1,046 bilhão, mantendo ritmo de expansão superior ao de diversos segmentos do varejo.
Os dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que, na comparação com o primeiro trimestre de 2025, quando o setor movimentou R$ 898 milhões, o faturamento cresceu 16,5%. O número de unidades também avançou, passando de 2.833 para 2.997, alta de 5,8%, enquanto os empregos diretos aumentaram de 24.397 para 25.784, alta de 5,7%.
Ainda conforme os dados enviados ao Correio do Estado, o desempenho anual reforça uma tendência observada desde 2022.
Em quatro anos, o faturamento das franquias em MS saltou de R$ 619 milhões para R$ 1,046 bilhão, um crescimento acumulado de 69%.
No mesmo período, o Estado ganhou 518 novas unidades e mais de 5,3 mil postos de trabalho.
Os números indicam que o modelo de franquias segue atraindo investidores mesmo em um ambiente econômico considerado desafiador.
Conforme analistas de mercado, o suporte das franqueadoras, o reconhecimento das marcas e a padronização das operações reduzem riscos para quem deseja empreender e ajudam a explicar a expansão contínua do setor.
Levantamento da ABF ainda aponta que em 2025 o mercado de franquias faturou R$ 4 bilhões no Estado, alta de 10,8% em relação a 2024, quando o faturamento atingiu R$ 3,61 bilhões.

SAÚDE E BELEZA
Entre os segmentos com melhor desempenho em Mato Grosso do Sul, o de saúde, beleza e bem-estar lidera o faturamento, respondendo por 24,2% de toda a receita do franchising estadual e movimentando R$ 261,1 milhões no primeiro trimestre deste ano.
O setor registrou crescimento anual de 20,3% e acompanha uma tendência nacional de fortalecimento do consumo ligado ao autocuidado.
Segundo Ycaro Martins, fundador da Maxymus Expand, empresa especializada em alta performance, o avanço do segmento é resultado de uma transformação no comportamento de consumo.
“O crescimento desse segmento está diretamente ligado à mudança de mentalidade do consumidor, que passou a enxergar saúde, bem-estar e autocuidado como prioridade e investimento contínuo, e não mais como um consumo eventual. Hoje, as pessoas buscam qualidade de vida, autoestima, longevidade e experiências personalizadas. Isso abriu espaço para negócios mais especializados, recorrentes e altamente escaláveis”.
Para a CEO da franquia de beleza Royal Face, Claudia Abreu, o potencial econômico de Campo Grande chamou atenção logo nas primeiras visitas ao Estado.
“O ticket médio aqui é relativamente mais alto do que o da rede. Isso provavelmente tem a ver com o poder aquisitivo, e a gente sabe que a região é super-rica. O faturamento médio das lojas também é bom e tem a ver com o potencial da região”, afirma.
O desempenho da Capital, segundo ela, já abre espaço para novos investimentos.
“Tanto que eu até falei para a gestora da rede aqui para a gente abrir outra loja. Campo Grande é muito grande para ficar com uma loja só. Porque a cidade cresceu muito e tem muito potencial”, revela.
A executiva acredita que o crescimento do segmento está diretamente relacionado à mudança de hábitos dos consumidores.
“Apenas 5% da população já fez algum procedimento estético, e isso inclui desde design de sobrancelhas até injetáveis. Tem um potencial gigantesco, e as pessoas estão cada vez mais direcionando seus gastos para saúde, bem-estar e autocuidado”, diz.
OUTROS SEGMENTOS
Depois de saúde, beleza e bem-estar, os maiores segmentos do franchising em MS são serviços e outros negócios, com participação de 19,6% no faturamento (R$ 180,4 milhões), e alimentação (food service), responsável por 13,4% da receita ou R$ 126 milhões.
Em número de unidades, serviços e outros negócios lidera, com 665 operações, seguido por saúde, beleza e bem-estar, com 457, moda, com 344, e serviços educacionais, que somam 311 franquias.
No mercado de trabalho, serviços e outros negócios também ocupa a primeira posição, com 19,8% dos empregos diretos do setor. Alimentação responde por 17,5% das vagas e saúde, beleza e bem-estar, por 15,2%.

