Economia

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MS registra o pior saldo de empregos dos últimos 10 anos

MS registra o pior saldo de empregos dos últimos 10 anos

Redação

19/02/2010 - 08h23
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Mato Grosso do Sul registrou, em janeiro, o pior desempenho na geração de empregos no mês dos últimos 10 anos. Índice divulgado ontem, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelou acréscimo de apenas 1.680 postos de trabalho, enquanto, desde 2000, quando foram gerados apenas 511 no mesmo mês, o saldo não é menor do que 2.102 vagas – número verificado em janeiro do ano passado. Com isso, Mato Grosso do Sul passa a ocupar o 15º lugar na abertura de novas vagas, no ranking dos 27 estados pesquisados pelo Ministério. Os três primeiros colocados são: São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, respectivamente, com saldos de 19 a 50 mil novas contratações – valores muito superiores aos de MS. “Não houve um motivo específico para esse péssimo desempenho, já que a economia de modo geral vinha caminhando bem nos últimos meses. Acredito que o que ocorreu foi um fraco investimento por parte das empresas, que não quiseram contratar”, avalia o economista Áureo Torres. Ao observar a tabela de anos anteriores (ver ao lado), é possível perceber que a média de geração de empregos no Estado sempre esteve próximo de três e 4 mil novas vagas em janeiro. O mês, em relação a dezembro de 2009 – quando muitos temporários são demitidos do comércio – apresentou variação positiva de apenas 0,44%, o que não é comum, já que historicamente esta é uma época onde muitas empresas contratam para reposição e também ampliação de quadro, elevando a oferta de trabalho no mercado. Foram admitidos em janeiro 18.271 trabalhadores e demitidos 16.582. Outro fator que pode justificar em parte a situação é a falta de qualificação. Os setores que mais empregam, como o da construção civil, por exemplo, estão cada vez mais exigentes em relação à mão de obra. Muitos trabalhadores não satisfazem as necessidades das empresas, por não terem cursos de atualização e especialização em alguns subsetores da atividade. Mesmo assim, a construção civil, que nos últimos anos apresentou queda, começa e demonstrar recuperação, revelando saldo 1,44% maior que em dezembro, num total de 345 novos postos de trabalho. E quem basicamente puxou o índice estadual para que não ficasse negativo foi o setor agropecuário, responsável por cerca de um terço das vagas abertas no mês. Foram 571 contratações, motivadas principalmente pela colheita da safra, que se iniciou em meados de janeiro. Destacaram-se ainda os setores de serviços, com geração de 346 postos, e o comércio, com 212 (provavelmente a efetivação de alguns dos temporários contratados no Natal).

Comércio exterior

Equipamentos para megafábrica levam Finlândia a liderar importações de MS

Compra de caldeiras pela Arauco para unidade em Inocência fez país nórdico superar a Bolívia nas importações de fevereiro

16/03/2026 05h00

Perspectiva dos equipamentos da Valmet para a Megafábrica da Arauco

Perspectiva dos equipamentos da Valmet para a Megafábrica da Arauco Reprodução

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Pela primeira vez em mais de duas décadas, a Bolívia deixou de ser o país do qual Mato Grosso do Sul mais importa produtos. Pelo menos em fevereiro, um improvável parceiro comercial nórdico ultrapassou os vizinhos sul-americanos no ranking de importações de MS, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A Finlândia foi o maior parceiro comercial de Mato Grosso do Sul para importações em fevereiro. Ao todo, foram comprados US$ 126,1 milhões do país europeu no mês passado, ultrapassando a Bolívia, de onde foram comprados US$ 68,3 milhões em produtos.

Os compradores desses produtos são um só e são grandes players em suas áreas de atuação. O importador dos bens produzidos na Finlândia foi a Arauco, multinacional chilena que está levantando, em Inocência, a sua primeira megafábrica de celulose do Brasil e que, quando pronta, será a maior planta processadora de celulose em linha única do planeta.

Os US$ 126 milhões em equipamentos no mês passado referem-se a caldeiras para a planta processadora de celulose de fibra curta, que deve ficar pronta no fim de 2027. Ao todo, a Arauco planeja investir US$ 4,6 bilhões no Projeto Sucuriú, nome que leva a fábrica.

Os valores importados superaram as compras de outra gigante: a Petrobras. Desde que o gasoduto Bolívia-Brasil entrou em operação, no início dos anos 2000, a Petrobras tornou-se a maior importadora de Mato Grosso do Sul.

Nesta década, contudo, importa cada vez menos gás natural, visto que suas outras jazidas, sobretudo no pré-sal, têm dado conta da demanda interna e que – por falta de investimento – as jazidas bolivianas têm produzido cada vez menos.

Perspectiva dos equipamentos da Valmet para a Megafábrica da AraucoCaldeira da Arauco a caminho de Inocência/Divulgação

Em fevereiro, as importações da Arauco representaram uma fatia de 35,3% das compras do Estado, enquanto as compras de gás boliviano pela Petrobras representaram 18,8% das importações locais.

A expectativa é de que, no neste mês, o gás volte a liderar, uma vez que as caldeiras usadas na megafábrica da Arauco foram compradas em fevereiro. 

Elas são produzidas pela finlandesa Valmet, que fará todos os equipamentos da unidade.

Exportações

Na outra ponta da balança comercial, a celulose – justamente o produto que sairá da unidade da Arauco – continua liderando as vendas locais para outros países. Em fevereiro, as vendas de celulose representaram 31,5% do total de exportações, um total de US$ 251 milhões.

A carne bovina, por sua vez, mostra que tem se consolidado na vice-liderança de exportações neste início de ano. As vendas desse tipo de proteína animal representaram 21,8% das exportações locais: foram US$ 173,2 milhões.

A soja, que por um longo período no início desta década e na década passada foi o principal produto exportado pelo Estado, fica agora na terceira posição na balança comercial. Em fevereiro, teve participação de 15,2%  (US$ 121 milhões).

Quando se trata de destino das exportações, a China se mantém na liderança: 43,2% das exportações de fevereiro (US$ 343,8 milhões) têm o gigante asiático como destino. Os Estados Unidos aparecem em segundo, destino de 11,4% das exportações (US$ 90,9 milhões).

Os Países Baixos (Holanda) e a Itália, terceiro e quarto colocados, são as maiores portas europeias de entrada de produtos sul-mato-grossenses, e a maioria das compras é de celulose e de proteína animal. Os Países Baixos compraram US$ 33,2 milhões (4,2%) e a Itália, US$ 21,5 milhões (2,7%).

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INFLAÇÃO

Meta de inflação de 3% é possível, mas ainda gera debate sobre sustentabilidade

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu que a meta de inflação do Brasil é compatível com a dos seus pares, mas questionou a necessidade de taxas de juros tão elevadas no País

15/03/2026 21h00

Em fevereiro, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que defendia a revisão da meta de inflação, de 3%,

Em fevereiro, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que defendia a revisão da meta de inflação, de 3%, Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

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O Brasil convive com a mesma meta de inflação que seus pares emergentes latinos - México, Colômbia e Chile - mas mantém as maiores taxas de juros, ainda que esteja à beira de um processo de flexibilização monetária. Questões históricas, estruturais e de curto prazo da economia brasileira ajudam a explicar o juro elevado, mas economistas consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) ainda colocam em debate a sustentabilidade do alvo de inflação em 3% no desenho do País.

Em evento do BTG Pactual no mês passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu que a meta de inflação do Brasil é compatível com a dos seus pares, mas questionou a necessidade de taxas de juros tão elevadas no País, em 15% ao ano, quando comparado a México (7%), Colômbia (10,25%) e Chile (4,5%).

Uma economia com a maior pressão de dívida pública entre seus pares, uma taxa de juro neutra historicamente elevada, e expectativas de inflação - tanto corrente quanto futuras - ainda desancoradas ajudam a explicar o porquê de uma taxa de juros nominal em 15% no Brasil, segundo os analistas, que defendem um maior esforço no controle das contas públicas.

Mesmo que o nível do juro seja o maior entre os seus pares, o economista para América Latina do Citi, Ernesto Revilla, considera que o BC brasileiro tem tido mais sucesso entre seus pares na missão de atingir a meta de 3%. No horizonte relevante, no terceiro trimestre de 2027, o BCB projeta inflação em 3,2%.

"México e Colômbia, por exemplo, podem ter a mesma meta, mas os bancos centrais desses países estão relutantes em realmente reduzir a inflação até a meta. Diria que o BCB é mais respeitado por sua comunicação e análise técnica quando comparado aos bancos centrais do México e Colômbia", avalia.

Em fevereiro, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que defendia a revisão da meta de inflação, de 3%, "compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade".

O debate sobre uma eventual mudança na meta em um momento em que as expectativas de inflação estão desancoradas, porém, não seria a melhor ideia, segundo os economistas.

"Nunca é uma boa ideia discutir isso quando você está acima da meta, porque parece que está mudando as regras do jogo", diz Revilla.

Ele reconhece, porém, que é um tema que vale a pena ser revisitado após um processo de ganho de credibilidade.

Na mesma linha, o professor do Insper Marcelo Kfoury Moinhos considera que a meta de 3% no País é "ambiciosa" e concorda que uma mudança seria "contraproducente". Mas pondera que, ainda que o alvo fosse maior - de 4%, por exemplo, a dinâmica nos juros não seria tão diferente. "Vimos que a desaceleração da economia foi pequena frente ao nível do juro, por exemplo", observa.

Fiscal

Ex-diretor de Política Econômica do BC e professor da Fundação Getulio Vargas, Sérgio Werlang, defende há tempos uma meta de inflação maior para o desenho da economia brasileira, mas pondera que isso só será possível com um ajuste do lado fiscal. Werlang lembra que os pares latinos não têm o mesmo grau de indexação de gastos frente ao Orçamento brasileiro. "Se esses países conseguem conviver com uma meta de 3%, o Brasil talvez precise conviver com uma meta um pouco mais alta", afirma.

Uma reforma na estrutura de gastos públicos deve ser o principal desafio a ser enfrentado para novos desenhos da inflação no Brasil, segundo o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani

Ele também chama atenção para o momento atual, em que o BC passa por um processo de consolidação da credibilidade. "Quando alcançar o alvo de 3% e ancorar as expectativas, vale a pena o debate estrutural para uma eventual mudança", complementa.

Kfoury, do Insper, ainda considera que a potência da política monetária, sozinha, têm se mostrado insuficiente para uma ancoragem das expectativas de inflação. "Uma hipótese é a má coordenação com a política fiscal. É como estar com o acelerador em um pé e o freio no outro - o carro derrapa."

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