Em meio à alta do diesel em todo o País, o movimento para deflagrar uma nova greve de caminhoneiros ganhou força nos últimos dias. A última vez que a categoria parou foi há oito anos, motivada pelos mesmos percalços de agora.
A paralisação atual estaria confirmada desde o final da tarde de ontem (17) mas recuou na manhã desta quarta-feira (18), quando a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTLL) decidiu se reunir com caminhoneiros de todos os portos do País no porto de Santos, em São Paulo, na tarde de hoje.
A decisão, se haverá greve ou não, será anunciada após o resultado dessa reunião coletiva dos caminhoneiros autônomos. Em nota, a entidade afirmou que “estará ao lado dos trabalhadores, respeitando a decisão da maioria”.
A movimentação é liderada pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, que afirmou que está em “estado de alerta”.
“Estivemos em reunião no porto de Santos no dia 16 de março, e na ocasião, a maioria decidiu cruzar os braços. De fato, as condições que temos hoje, com os altos aumentos do combustível, não nos permite manter os transportes rodando. Depois dessa reunião de hoje, teremos tudo alinhado”, afirmou o presidente da Associação, Wallace Landim, o “Chorão”.
Para o representante da Associação Nacional de Transportes Terrestres, José Roberto Stringarsci, a ANTT também irá apoiar a decisão dos caminhoneiros.
“Nós somos à favor da categoria. O que a categoria decidir, com certeza estaremos apoiando. Nós não temos mais condições de rodar com todos esses reajustes, não tem como, as empresas não repassam os reajustes para nós, não tem mais como andar. Estamos em vários pontos do Brasil sem combustível, e em alguns estados brasileiros o valor já chegou a R$ 9. A grande maioria vai parar, vai dar início pelos portos brasileiros e estamos juntos e apoiando”, afirmou.
Na última quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto presidencial zerando as alíquotas do PIS e do Confins sobre a importação e comercialização do diesel em caráter temporário (até o dia 31 de dezembro deste ano), justificada pela alta do petróleo causada pela guerra no Irã.
Além disso, a própria Petrobrás reajustou o óleo diesel nas refinarias em R$ 0,38 após as medidas do governo. No entanto, em muitos postos do Brasil, inclusive em Mato Grosso do Sul, a redução no valor do combustível não chegou às bombas, com o litro chegando até a R$ 7,80 no Estado.
O aumento do valor do combustível afeta diretamente os custos da atividade de frete, que também aumenta. Com isso, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (18) um pacote de medidas para reforçar o cumprimento da tabela do piso mínimo do frete.
As medidas foram anunciadas em meio à pressão crescente dos caminhoneiros, descontentes com a alta do diesel e o descumprimento do piso do frete como fatores que inviabilizam o transporte de cargas. De acordo com dados da ANP, o aumento do preço do combustível elevou entre 4,8% e 7% os valores mínimos do frete.
Entidades de Mato Grosso do Sul, como o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística em Mato Grosso do Sul (Setlog), não responderam à reportagem sobre a possibilidade de adesão à greve ou não.
Impactos
Segundo estimativas do setor, o Brasil conta com cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos e em torno de 750 mil motoristas celetistas. A paralisação em massa da categoria afetaria o transporte de cargas e o abastecimento em diversas regiões, refletindo diretamente sobre os preços e atividades econômicas.
A situação deve ser proporcional ou até superior à de 2018, quando a categoria paralisou as atividades durante dez dias, causando tumulto em vários setores, como a falta de combustível nos postos, falta de alimentos nos supermercados e cancelamento de voos por falta de querosene de aviação.
Além disso, a paralisação retirou 1,2 ponto percentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018, segundo estimativas do Ministério da Fazenda na época.
A diferença entre as situações é que o atual governo tenta agir de forma preventiva, como a redução dos impostos e ampliação da fiscalização do setor, evitando uma escalada observada em 2018.


