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MERCADO INTERNACIONAL

Dólar nas alturas: quem sofre e quem se beneficia com as variações da moeda?

Economista explicou ao Correio do Estado os efeitos da cotação na economia
03/09/2020 06:00 - Ricardo Campos Jr


Um detalhe não escapa aos olhos de quem costuma acompanhar o noticiário econômico: qual foi a variação diária do dólar? Mesmo quem não entende muito bem do assunto sabe que a moeda norte-americana está com o valor nas alturas, um fator a mais para se preocupar neste período de pandemia, mas será que as cotações elevadas beneficiam algum setor da sociedade?

Como todas as nuances no mercado, há sempre quem sofra e quem comemore. A economista Daniela Dias explica ao Correio do Estado que para falar sobre os efeitos do dólar em Mato Grosso do Sul, é preciso levar em consideração dois aspectos que vão ajudar a compreender os impactos: importações e exportações.

“E por que eu digo isso? Porque a valorização da moeda dos Estados Unidos significa, em uma outra linguagem, que nós precisamos de mais reais para conseguir comprar um dólar. Logo, precisamos de mais dinheiro brasileiro para comprar algum item do exterior, seja produtos considerados industrializados ou semi-industrializados, e isso acaba interferindo no valor final ou no preço de revenda dele”, disse à equipe de reportagem.

Muitas indústrias, explica Daniela, importam os insumos que usam nas suas linhas de produção. Logicamente, cada centavo gasto deságua no preço que será cobrado quando o item ficar pronto. “Esse repasse pode seguir até o consumidor final, o produto acaba ficando com preço mais alto”. 

E esses efeitos incidem em diferentes áreas. “Por exemplo, muitos dos produtos do agro são ditados pelos seus preços no mercado internacional. Se o trigo que usamos é importado da Argentina, como acontece, o pão e todos os demais produtos que usam essa matéria prima podem subir nas prateleiras dos mercados. Então sofrem mais aquelas áreas que dependem de importações, como eletrônicos”, diz a economista.