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RETOMADA

Reativação de porto pode triplicar arrecadação de Ladário

Terminal portuário de Ladário vai levar grãos e gado e trazer sal, vinho, azeite e veículos para Mato Grosso do Sul, com isso a arrecadação pode triplicar
14/07/2020 10:00 - Súzan Benites


Desativado há mais de 20 anos, o porto de Ladário recebeu na semana passada a cessão provisória da área portuária de embarque e desembarque. 

O terminal que já foi uma das maiores plataformas multimodais da América do Sul quer retomar o posto. Conforme a administração do município, a retomada do porto triplicará a arrecadação local. A ideia é que gado e grãos sejam embarcados em Ladário e sigam para a Argentina. 

No caminho contrário, os planos são de importação de azeite, vinho, frutas e até veículos.

O plano mais concreto é o recomeço do embarque de gado por meio da hidrovia. Segundo o secretário especial Hedyl Benzi, que liderou a Secretaria de Fomento ao Desenvolvimento Econômico no projeto, o retorno das operações será a redenção da cidade. 

“Essa cessão representa um marco para Ladário, tanto pela dificuldade em conseguir quanto pelo que ela inicia. Um grande projeto de geração de renda. 

Temos no primeiro momento a questão do embarque e desembarque de gado. Ele estava fechado e, para começar isso, precisávamos do trâmite jurídico de regularização. 

Em dois meses, estaremos embarcando gado. O porto é a redenção de Ladário, nosso município está estagnado. A arrecadação é de R$ 5 milhões mensais, conforme cálculo da equipe econômica. Triplicaremos para R$ 15 milhões”, informou.

Os trabalhos para o retorno do terminal tiveram início no ano passado, com a atualização das matrículas. O porto de Ladário estava fora do cadastro nacional de portos. 

Após sete meses, foi liberada a atualização das matrículas e o cadastramento no sistema da União. Depois foram elaborados o projeto e a justificativa para o pedido de cessão provisória.  

TRATATIVAS

A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) participa das tratativas com o intuito de fechar convênios comerciais entre a cidade e países vizinhos. 

De acordo com o economista-chefe da associação, Normann Kallmus, a arrecadação, não só da cidade, como do Estado, será maior. “A reativação do porto traz mudanças na matriz de geração de renda com o aumento da prestação de serviços e dos empregos. 

Vamos ganhar competitividade, os nossos produtos vão aumentar os ganhos”, considerou.

O prefeito de Ladário, Iranil Soares, disse que em no máximo três meses deve sair a cessão definitiva que vai autorizar o transporte de carga viva para atender a demanda do transporte de bovinos.

“E também o porto de carga seca, que está parado há mais de 20 anos. O município vai trabalhar para atrair investimentos da iniciativa privada para reativar o terminal de carga seca. 

Para promover o desenvolvimento e a geração de emprego na região pantaneira”, explicou.

O gestor reforça que a conquista não foi fácil. “Trabalhamos tecnicamente para que os potenciais da Pérola do Pantanal fossem explorados. 

A partir de agora, Ladário tem a cessão provisória da área, que já foi uma das maiores plataformas multimodais da América do Sul, que em breve será reativada. Não se trata de promessa, trata-se de uma realidade”.

EXPORTAÇÃO

Foram firmados convênios com terminais portuários dos países vizinhos. De acordo com Kallmus, o município vai se transformar em uma região de integração das cadeias produtivas. 

Nas parcerias firmadas com a Argentina, a intenção é a de levar grãos e bovinos e trazer produtos como vinhos, castanhas, frutas secas, azeitonas, azeite e distribuir de MS para o resto do País.

O objetivo, segundo o economista, é ser um entroncamento hidro-ferro-rodoviário e moldar a cidade para ser um centro de distribuição. “Fechamos convênio com Barranqueras, na Argentina, e mais ao sul com Ibicuy, que é um porto fluvial com capacidade de entrar um navio panamax [grande curso], com capacidade de 50 mil toneladas. 

Estamos organizando para que seja uma linha direta com a cidade, principalmente para exportação de soja – o frete ficará 25% menor e vai fazer com que nosso produto seja mais competitivo. 

Essa conexão com a Argentina vai ser muito importante na região de Rosário e Santa Fé, que são polos de exportação de farelo de soja da Argentina, fazendo com que nosso produto chegue direto na esmagadora de soja”, ressaltou Kallmus.

Outra intenção é fazer cabotagem, que é o transporte entre portos do mesmo País. A cidade pantaneira será distribuidora de sal, com 50 mil toneladas do produto mensalmente trazidas de Mossoró (RN). 

Atualmente, vindo de caminhão, o frete é duas vezes mais caro que o próprio produto. “O sal será carregado em Areia Branca [RN], vai descer pela costa até o Sul do País, entrará em Ibicuy [Argentina] e, de lá, chegará a Ladário. 

A economia será de 20% sobre o preço atual. Seremos um entreposto de sal, não só para MS, mas para os estados e países vizinhos, como Bolívia e Paraguai. O impacto será a economia de US$ 20 a cada U$ 100”, enfatizou o economista da ACICG.

Benzi explica que hoje há 54 câmaras de comércio argentinas interessadas em manter relação comercial com Mato Grosso do Sul. “Temos também encomendas de Dubai, Cidade do Cabo, Vietnã e China. 

Uma montadora fez uma proposta de 600 veículos por mês entrando por Ladário quando o porto estiver funcionando. Hoje, esses veículos dão a volta e entram pela Bahia. Por Ladário [o frete] ficará 74% mais barato”, detalhou o secretário especial.

FERROVIA

Para que a cidade pantaneira seja um centro distribuidor, um dos gargalos logísticos é a reativação da ferrovia. 

A estação que dentro do terminal portuário é essencial para o pleno funcionamento do transporte de cargas. Benzi diz que o pedido para antecipação da concessão da malha já foi requerido no Tribunal de Contas da União (TCU).  

“Entramos com a antecipação da concessão dessa malha ferroviária. Porque a Rumos tem mais sete anos e eles alegam que não há tempo para recuperar a malha. 

Já temos um compromisso do ministro Tarcísio de Freitas [Infraestrutura] de que a empresa que entrar será cobrada dessa nossa revitalização. Não vamos trocar a bitola [distância] do trilho, mas vamos recuperar e modernizar. Queremos aumentar a capacidade de carga e a velocidade, de 30 km/h para 90 km/h”, reiterou Hedyl Benzi.

Histórico

O porto de Ladário teve seu auge em 1998, quando chegou a embarcar 2 bilhões de toneladas no ano para exportação. Minério de manganês e grãos, principalmente o milho, eram os produtos básicos exportados.

 
 

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!