O empréstimo consignado, nova modalidade privada de consignado, já é usado por grande parte dos funcionários de 65% das empresas privadas do Brasil. Os dados foram revelados pela Serasa Experian, após pesquisa com 500 empresas de diferentes portes e segmentos econômicos em todas as regiões do País.
Segundo a pesquisa, apenas 27% dizem não ter registros de contratação desse tipo de empréstimo e outras 8% não souberam informar.
Para o montante de 65%, que representa aproximadamente 365 da empresas entrevistadas e familiarizadas com o Crédito do Trabalhador, a contratação do crédito já foi realizado pelos trabalhadores.
“O empréstimo consignado privado já deixou de ser apenas uma novidade regulatória, passando a ser utilizado, na prática, por uma parcela relevante das empresas que conhecem o modelo. À medida que esse uso se amplia e o crédito passa a integrar a rotina das companhias, inicia-se um período natural de adaptação, que exige ajustes operacionais, alinhamento de processos e mais integração com as instituições financeiras”, afirmou o CEO da SalaryFits, Délber Lage.
A pesquisa mostrou ainda que a adoção do Crédito é maior conforme o porte da empresa também aumenta. Entre as companhias com mais de 1.000 funcionários, 79% registraram aquisição do empréstimo por parte dos colaboradores. O índice se mantém alto (74%) entre as empresas com 500 a 999 funcionários e entre aquelas com 200 a 499 funcionários (72%).
Já entre as companhias que possuem entre 10 e 199 funcionários, a proporção é de 61%. Nas organizações com até 9 funcionários, o percentual cai para 34%.
“Os números indicam que o uso do empréstimo consignado privado tende a se consolidar primeiro em estruturas empresariais maiores, onde a gestão de benefícios e de descontos em folha é mais recorrente e integrada aos processos internos”, comentou Lage.
Por segmento
Analisando por segmento, a pesquisa mostrou que a maior incidência do uso do consignado privado vem da indústria, com 77% das empresas que conhecem o modelo registrando aquisição do crédito pelos funcionários.
Na sequência, aparecem o setor de varejo (63%), serviços (62%) e o comércio atacadista (59%).
Délber explicou que o uso mais expressivo do consignado no setor industrial pode estar ligado às características operacionais do próprio setor, já que possuem empresas de porte maior e pagamentos mais estruturados.
“Outro ponto importante é que à medida que o modelo ganha escala, o uso de tecnologia amplia a integração entre empresas e instituições financeiras e tende a aumentar a concorrência entre ofertantes. Esse ambiente mais conectado pode favorecer condições mais competitivas e maior diversidade de opções para os trabalhadores”, concluiu.
Mato Grosso do Sul
O crédito consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada já movimentou R$ 1,5 bilhão em Mato Grosso do Sul até o dia 27 de janeiro deste ano.
Os dados, encaminhados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ao Correio do Estado, mostram que a modalidade vem ganhando espaço no orçamento dos celetistas sul-mato-grossenses e se consolidando como uma das principais alternativas de financiamento pessoal no Estado.
O aumento do movimento acende um alerta para a alta do endividamento e da inadimplência do trabalhador. Conforme o MTE, ao todo, 137.553 trabalhadores foram beneficiados em Mato Grosso do Sul.
Nesse período, foram firmados 287.066 contratos, número que supera com folga o total de pessoas atendidas e indica que parte dos trabalhadores recorreu ao crédito mais de uma vez.
O valor médio dos empréstimos no Estado é de R$ 5.316,51, com prazo médio de pagamento de 24 parcelas, o que caracteriza um comprometimento de renda de médio prazo.
Considerando que o programa foi lançado em 21 de março de 2025, e que foram 209 dias úteis até 27 de janeiro deste ano, é possível afirmar que, em média, 658 trabalhadores aderiram ao empréstimo celetista diariamente. Ao considerarmos que no período foram 287.066 contratos, são 1,3 mil empréstimos por dia no Estado.
Para o economista Eugênio Pavão, o aumento na contratação de crédito consignado reflete o cenário econômico do País, com inflação persistente e perda de poder de compra.
“Na macroeconomia, temos a inflação, a valorização do dólar e os desafios da política fiscal. Na microeconomia, temos as questões de endividamento das famílias. Diante desse quadro, a possibilidade de empréstimo para os trabalhadores da iniciativa privada e pública se torna uma opção frente aos altos juros das modalidades de crédito existentes no mercado”.
Empréstimo consignado
O crédito consignado é um tipo de crédito cujo valor das parcelas é descontado diretamente na folha de pagamento ou benefício do solicitante. O desconto automático reduz a possibilidade de inadimplência, fazendo com que as instituições financeiras ofereçam juros mais baixos que os de um empréstimo pessoal.
Para os aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS, o governo definiu uma taxa máxima de juros de 1,85% ao mês na atualização de março de 2025. Além disso, a chamada margem consignável estabelece que os empréstimos consignados não podem ultrapassar 35% do salário líquido ou benefício.
Os grupos que podem solicitar crédito consignado são:
- Trabalhadores do setor privado no regime CLT;
- Servidores públicos (ativos, inativos e pensionistas);
- Militares das Forças Armadas (ativos, inativos e pensionistas);
- Aposentados e pensionistas do INSS.

