Economia

EMPRÉSTIMO

Trabalhadores de MS emprestaram R$ 1,5 bilhão do consignado CLT

Volume contratado no Estado revela avanço do crédito com desconto em folha entre celetistas

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O crédito consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada já movimentou R$ 1,5 bilhão em Mato Grosso do Sul até o dia 27 de janeiro deste ano.

Os dados, encaminhados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ao Correio do Estado, mostram que a modalidade vem ganhando espaço no orçamento dos celetistas sul-mato-grossenses e se consolidando como uma das principais alternativas de financiamento pessoal no Estado.

O aumento expressivo também acende um alerta para a alta do endividamento e da inadimplência do trabalhador. Conforme o MTE, ao todo, 137.553 trabalhadores foram beneficiados em Mato Grosso do Sul.

Nesse período, foram firmados 287.066 contratos, número que supera com folga o total de pessoas atendidas e indica que parte dos trabalhadores recorreu ao crédito mais de uma vez.

O valor médio dos empréstimos no Estado é de R$ 5.316,51, com prazo médio de pagamento de 24 parcelas, o que caracteriza um comprometimento de renda de médio prazo.

Considerando que o programa foi lançado em 21 de março de 2025, e que foram 209 dias úteis até 27 de janeiro deste ano, é possível afirmar que, em média, 658 trabalhadores aderiram ao empréstimo celetista diariamente. Ao considerarmos que no período foram 287.066 contratos, são 1,3 mil empréstimos por dia no Estado.

No Estado, 658 trabalhadores recorreram ao crédito por diaNo Estado, 658 trabalhadores recorreram ao crédito por dia - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Mato Grosso do Sul tem 572,5 mil contas ativas no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ou seja, 24% desses trabalhadores contraíram empréstimo na modalidade consignada.

O volume expressivo de contratos reflete a intensificação do uso do consignado CLT no Estado. A combinação entre acesso facilitado, taxas de juros mais baixas em comparação a outras modalidades de crédito pessoal e desconto automático em folha tem sustentado a expansão do consignado entre os celetistas.

Na avaliação econômica, o avanço do crédito consignado ocorre em um contexto de pressão sobre o orçamento das famílias, marcado por custo de vida elevado e necessidade de reorganização financeira. Para o economista Eugênio Pavão, o aumento na contratação de crédito consignado reflete o cenário econômico do País, com inflação persistente e perda de poder de compra.

“Na macroeconomia, temos a inflação, a valorização do dólar e os desafios da política fiscal. Na microeconomia, temos as questões de endividamento das famílias. Diante desse quadro, a possibilidade de empréstimo para os trabalhadores da iniciativa privada e pública se torna uma opção frente aos altos juros das modalidades de crédito existentes no mercado”.

À época do lançamento do programa, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou a importância de fugir dos juros altos do cartão de crédito.

“O programa melhora a qualidade de vida das famílias trabalhadoras, que podem tomar um crédito com juros mais baixos, visto que os empréstimos têm garantias que chegam a 10% do FGTS”, disse, e recomendou que “o trabalhador precisa ter cautela para fazer o empréstimo e pesquisar as melhores taxas”.

NACIONAL

No cenário nacional, os números revelam uma escala ainda mais ampla. Segundo o MTE, o volume total emprestado no País já alcança R$ 103 bilhões. Foram registrados 17.400.140 contratos, beneficiando diretamente 8.484.156 trabalhadores.

A média de empréstimo por trabalhador no Brasil é de R$ 12.162,03, mais que o dobro do valor médio observado em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o MTE, um mesmo trabalhador pode ter mais de um contrato ativo, o que explica a diferença entre o número de operações e o total de beneficiários. Essa prática, embora comum, preocupa economistas, porque a soma das parcelas pode comprometer boa parte da renda mensal.

A diferença entre os valores médios evidencia o perfil regional do crédito. Em Mato Grosso do Sul, os empréstimos apresentam ticket mais baixo, compatível com uma estrutura de renda inferior à média nacional.

Ainda assim, o montante de R$ 1,5 bilhão contratado no Estado representa impacto relevante sobre a renda disponível das famílias e sobre a dinâmica econômica local.

Do ponto de vista macroeconômico, o consignado CLT atua como importante vetor de liquidez. Ao mesmo tempo em que injeta recursos na economia, o modelo de desconto direto em folha reduz o risco de inadimplência e favorece a oferta de crédito.

Por outro lado, o comprometimento fixo da renda mensal limita a capacidade de consumo futuro e exige maior cautela na gestão financeira das famílias, apontam especialistas.

A média de 24 parcelas indica que os trabalhadores têm optado por prazos mais longos, diluindo o valor das prestações ao longo do tempo. Esse comportamento reforça a percepção de que o consignado tem sido utilizado não apenas para despesas pontuais, mas como instrumento de reorganização financeira em um horizonte mais prolongado.

TROCA

Desde 25 de abril do ano passado, trabalhadores com carteira assinada foram autorizados a migrar dívidas de empréstimo consignado ou de crédito direto ao consumidor (CDC) para o crédito do trabalhador, que oferece juros mais baixos.

A troca é vantajosa apenas se o novo crédito oferecer juros menores. Enquanto o CDC tem taxas de 7% a 8% ao mês, o crédito do trabalhador oferece taxas em torno de 3%, chegando a 1,6% em alguns bancos.

No Banco do Brasil, por exemplo, a taxa oferecida está entre 1,46% e 3% ao mês. Já na Caixa, as taxas oferecidas estão entre 1,60% e 3,17% ao mês.

Bancos podem oferecer a migração diretamente aos clientes, mas, se as condições não forem vantajosas, o trabalhador pode optar pela portabilidade para outra instituição.

“Para tomar esse empréstimo, é vantajoso ao trabalhador trocar uma dívida mais cara por essa em consignação, o trabalhador tem que simular os juros e encargos, comparando a dívida atual e a nova”, considera Pavão.

E finaliza: “Em caso de necessidade do empréstimo, parte do salário será retido no contracheque, reduzindo a renda líquida disponível, sendo necessário cuidado para não aumentar o desconforto econômico”.

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Agronegócio

MS tem cinco cidades entre as maiores produtoras de soja do Brasil

O Estado responde, hoje, por 7,2% de participação da produção do grão no cenário nacional

22/03/2026 11h00

Projeção para próxima safra é de crescimento de 14% em MS

Projeção para próxima safra é de crescimento de 14% em MS FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul tem cinco cidades entre as 50 maiores produtoras de soja do Brasil. Os dados são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Segundo o levantamento, os municípios destaques do Estado na produção do grão são Ponta Porã, Maracaju, Sidrolândia, Dourados e São Gabriel do Oeste, colocando Mato Grosso do Sul entre os destaques no mapa da produção agrícola brasileira, especialmente no cultivo da soja, principal cultura do País. 

As cidades presentes no ranking estão localizadas em regiões estratégicas para o agronegócio sul-mato-grossense. Ponta Porã, que produziu 869 mil toneladas em 2024, e Maracaju, com 844 mil toneladas, se destacam historicamente como polos de produção. 

Já Sidrolândia (729 mil toneladas) e Dourados (621 mil toneladas) reforçam o papel da região centro-sul como motor agrícola. São Gabriel do Oeste (482 mil toneladas) consolida a expansão da soja em novas áreas produtivas. 

“Não é apenas a cidade que pavimenta ruas, mas a que abre caminhos para o futuro, atrai investimentos, qualifica pessoas e faz a economia girar. Ponta Porã já é um território de força econômica, referência no comércio e nos serviços, com uma base sólida no agronegócio, onde nossa liderança é absoluta”, afirmou o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos. 

No entanto, a produção de Mato Grosso do Sul ainda pode ser maior que a contabilizada pelo IBGE. Dados do projeto SIGA-MS, executado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) contabilizaram uma produção de soja de 1,52 milhões de toneladas em Maracaju e de 1,03 milhão em Ponta Porã. 

Para o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o projeto utiliza imagens de satélite, sensoriamento remoto e validação em campo, garantindo maior acurácia na identificação das áreas cultivadas e na estimativa da produtividade. 

“O SIGA-MS é único no país. Ele combina monitoramento por satélite com a validação em campo, oferecendo dados que refletem de forma muito próxima a realidade da produção. Isso traz segurança tanto para produtores quanto para o mercado”, explicou. 

Carro-chefe

A soja segue como líder em produção do agro brasileiro e de Mato Grosso do Sul. Estimativas do IBGE apontam que a produção nacional da oleaginosa deve atingir 173,3 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior, consolidando um novo recorde histórico. 

Mato Grosso do Sul também avança. A estimativa é de cerca de 15 milhões de toneladas produzidas nesta safra, um crescimento de aproximadamente 14%, impulsionado tanto pelo aumento da área plantada quanto pela melhora da produtividade. 

Na distribuição da produção pelas unidades da Federação, Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,2% na safra nacional. Em seguida, aparecem o Paraná, com 13,9%, Rio Grande do Sul, com 11,7%, Goiás, 10,7%, Mato Grosso do Sul, 7,6% e Minas Gerais, com 5,5% de participação. Juntos, estes estados  representaram 79,6% na estimativa da produção brasileira para 2026. 

Expansão

Essa expansão da soja impacta diretamente a economia sul-mato-grossense, principalmente nas regiões agrícolas do interior, onde a cultura domina grande parte das áreas de plantio. 

O aumento da produção também impulsiona outras cadeias do agronegócio como o transporte, armazenagem e exportação. 

Além disso, a soja costuma determinar o ritmo da segunda safra do milho, já que a colheita da soja libera as áreas agrícolas para o plantio do cereal. 

A colheita da safra 2025/2026 já está em andamento em Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, até fevereiro, cerca de 27,7% da área cultivada já havia sido colhida, o que corresponde a, aproximadamente, 1,3 milhão de hectares. 

A expectativa é que o avanço da colheita e as condições climáticas ao longo do ano confirmem as projeções de crescimento da produção. 


 

jornada de trabalho

Se aprovado, fim da 6x1 deve afetar preços relativos num primeiro momento, dizem analistas

Os impactos seriam consequência do aumento dos custos das empresas à medida que as horas trabalhadas diminuíssem, sem alteração dos salários

22/03/2026 08h00

O fim da 6x1 deve afetar preços relativos num primeiro momento, dizem analistas

O fim da 6x1 deve afetar preços relativos num primeiro momento, dizem analistas Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O fim da jornada de 6 dias de trabalho por 1 de folga, se aprovado, terá impacto nos preços relativos da economia, pelo menos em um primeiro momento, preveem especialistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

De imediato, os custos das empresas subirão na medida em que as horas trabalhadas diminuírem e considerando que os salários não poderão ser reduzidos.

No médio prazo, segundo os especialistas, o mercado se ajustará e as empresas se adequarão à nova realidade, como aconteceu em 1988, quando, na esteira da nova Constituição, a jornada de trabalho foi reduzida de 48 para 44 horas semanais.

A inflação, num primeiro momento, deve subir também porque, segundo o sociólogo, professor e coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lúcio, com um dia a mais de folga o trabalhador passará a consumir mais.

Na outra ponta, para atender ao aumento da demanda, o setor produtivo terá que produzir mais. Para isso terá que contratar mais funcionários, fazendo com que a roda da economia passe a girar mais rápido. "O resultado será de um saldo positivo para a economia", defende Ganz Lúcio.

Daniel Teles Barbosa, sócio da Valor Investimentos, também vê o fim da jornada 6x1 alterando os preços relativos da economia por meio de uma inevitável melhora na massa salarial. Setores que não podem interromper suas atividades aos fins de semana vão ter de buscar reposição nos seus dias de folga dos seus empregados ou pagar horas extras.

Para o executivo, num cenário de mercado de trabalho superaquecido, com escassez de mão de obra e plataformas e aplicativos levando vantagem na disputa de trabalhadores com rendas mais atrativas, o setor formal terá que melhorar salários e benefícios para conseguir atrair o trabalhador informal para um ambiente em que terá de cumprir horários, estar sujeito a regras e normas.

"Um motorista de aplicativo hoje consegue movimentar no mês de R$ 6 mil a R$ 9 mil", disse Teles.

De acordo com o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Ganz Lúcio, num primeiro momento, será inevitável alguma pressão sobre custos das empresas, sobretudo nos das micro e pequenas, que são mais intensivas em mão de obra e carentes de condições para se automatizarem e inovarem.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) quantifica o impacto que o fim da jornada 6x1 exercerá sobre custos.

O efeito será diferente para cada setor e porte, indo de 0,5% a 6,5%, sendo que as empresas maiores e mais automatizadas sofrerão menos pressão que as micros e pequenas.

Tendência Mundial Inevitável

Para o presidente do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, a redução da jornada trabalho é uma tendência mundial, inevitável e bem-vinda Defende a melhora da qualidade de vida do trabalhador, mas também algum incentivo para que as micro e pequenas empresas possam se automatizar.

Enquanto grandes associações entendem que o debate sobre o fim da jornada 6x1 não cabe em um país com baixo ganho de produtividade e escassez de mão de obra, Couri diz que é só pagar o que o trabalhador pede e merece que a mão de obra aparece.

Ainda, de acordo com ele, o impacto não será generalizado porque muitas empresas já cumprem uma jornada de 40 horas semanais.

"Quanto menos mecanizado for um segmento, maior será o impacto do fim da jornada 6x1 sobre seus custos. Quanto mais mecanizado, menos impacto terá", avalia o presidente do Simpi, para quem alguma contrapartida para os micros e pequenos deveria acompanhar a mudança.

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