O ex-jogador Janken Ferraz Evangelista disse nesta terça-feira (6), em seu depoimento no julgamento, em que é acusado de matar Ana Claudia Melo da Silva, que agiu em legítima defesa. De acordo com o réu, eles haviam voltado de um jogo entre Corinthians e Santos, no estádio do Pacaembu, quando ele se descontrolou e passou a atacá-lo com uma faca, dentro do apartamento do irmão dela, na zona sul de São Paulo.
O ex-jogador havia ido visitar seu filho num domingo e Ana Claudia queria ir assistir à partida. Ele disse em seu depoimento, no Fórum da Barra Funda, zona oeste, que não a deixaria levar seu filho ao estádio, mas acabou concordando em ir junto.
Após o jogo, Janken contou que queria ir embora, mas Ana Claudia disse que gostaria de esperar a saída dos jogadores. Para não brigar com ela, o ex-jogador disse que concordou em permanecer no estádio por mais alguns momentos.
Ao chegar à casa do irmão dela, ele conta que foi dar mamadeira ao filho, no quarto, quando ouviu Ana Claudia sussurrando no telefone na cozinha.
- Voltei em sua direção na cozinha e percebi que ela estava falando baixo para não escutar. Ela dizia que não pode ficar após o jogo “porque o pai do meu filho [Janken] embaçou”. Achei aquilo uma falta de consideração.
O jogador contou ao juiz Marcelo Augusto Oliveira que em seguida tomou o celular da mão dela, ligou para um dos últimos números chamados e viu que se tratava do ex-goleiro do Santos Futebol Clube, Fabio Costa.
Ele olhou ainda mensagens no celular em que Ana Claudia trocava mensagens de conteúdo erótico com Costa e outros homens, incluindo outros jogadores de futebol.
Janken afirmou que mostraria as mensagens ao irmão de Ana Claudia, Odair Bezerra da Silva, para mostrar “como ela era”.
- Nesse momento, ela pirou. Ela se virou e veio para cima de mim com a faca (...) joguei o celular no chão, peguei as duas mãos dela e a joguei no chão. Tomei a faca, ela tentou morder meu dedo e eu soltei a faca. Ela pegou a faca de novo, e eu percebi que ela queria mesmo era enfiar a faca em mim, me matar. Aí puxei a faca dela e empurrei em direção a ela. Perdi a cabeça.
O ex-jogador conta que se lembra de ter empurrado a faca em direção a Ana Claudia apenas duas ou três vezes. A perícia mostra que a vítima morreu com 14 facadas em várias regiões do corpo, incluindo mãos, pescoço e abdome.
Janken ainda vai responder às perguntas da Promotoria e da defesa. Após o seu depoimento deverá haver um debate as duas partes.
Crime
O crime aconteceu no dia 22 de março de 2009, na avenida do Cursino, Jardim da Saúde, zona sul da capital. Janken teria matado Ana Cláudia a facadas depois de uma briga no apartamento dela por ciúmes, em março de 2009. O ataque ocorreu após o casal voltar da partida. Após a tragédia, Janken chegou a fugir levando o filho.



