Em 2001, um terremoto destruiu a casa onde Maria Ponce vivia na vila de El Borbollon, em El Salvador. Sem recursos para reconstruí-la ou comprar outro imóvel, a idosa encontrou uma solução: erguer uma nova moradia com as próprias mãos, usando materiais descartados.
A ideia surgiu de um sonho: Maria imaginou uma casa feita de garrafas plásticas e decidiu transformar a visão em realidade. Com cerca de 10 metros quadrados, a casa recebeu o nome de "casita encantada" e ficou conhecida entre os moradores da região pela fachada colorida e inusitada.


Meses de dedicação e trabalho solitário
Antes de começar a obra, Maria passou cerca de um mês e meio recolhendo garrafas descartadas, bambu e outros materiais espalhados pela comunidade. A construção começou apenas depois dessa fase de coleta.
A obra durou aproximadamente três meses, e sozinha, do amanhecer ao anoitecer, Maria levantou as paredes com centenas de garrafas plásticas usadas como alvenaria. Varas de bambu fincadas no solo formaram a base estrutural e sustentaram toda a construção. Depois, Maria pintou manualmente várias embalagens e deixou a fachada colorida na rua principal da vila, conhecida como El Litoral.
Um legado que permanece na memória local
Décadas depois, a pequena casa continua de pé e se tornou uma referência para moradores e visitantes de El Borbollon. A edificação representa a resistência diante dos efeitos do terremoto de 2001 e a capacidade de Maria de reconstruir a própria vida após a perda.
Maria Ponce morreu em fevereiro de 2024, aos 90 anos, mas a obra preserva a história de sua determinação. Sua filha, Rosa Miriam, cuida da "casita encantada" até hoje e mantém viva a história de uma mulher que encontrou beleza e esperança em materiais descartados.


