Chance Saltzman, general aposentado da Força Espacial americana, alertou que um conflito orbital teria consequências que nenhum país conseguiria conter dentro de suas fronteiras. O espaço deixou de ser apenas um território para exploração científica e se tornou um elemento crítico para a segurança internacional.
Em 15 de julho de 2026, durante sua última intervenção pública como chefe de Operações Espaciais na Conferência Global de Chefes Aéreos e Espaciais, Saltzman descreveu um cenário diferente de qualquer guerra convencional. Segundo ele, nenhuma nação poderia ficar de fora de um conflito no espaço, mesmo sem participar diretamente da guerra. Essa avaliação inclui o Brasil, já que o alerta se estende a todos os países.
Por que nenhum país fica seguro
O risco atingiria todos os países por causa da própria mecânica das órbitas terrestres, onde milhares de satélites civis, comerciais e militares circulam ao mesmo tempo. Esses aparelhos ocupam as mesmas rotas orbitais, independentemente de sua função ou nacionalidade. Por isso, qualquer confronto afetaria toda a infraestrutura em órbita.
Um ataque a uma única nave poderia gerar fragmentos em alta velocidade, capazes de danificar numerosos outros satélites em trajetórias próximas. Os destroços permaneceriam em órbita e poderiam atingir infraestruturas de países que não estivessem envolvidos na disputa.
Esse risco não é teórico: a destruição de um satélite russo por um míssil durante um teste, em 2022, criou um campo de detritos que continua circulando ao redor da Terra.
O efeito cascata do conflito orbital
Uma sequência de impactos poderia provocar novas colisões e tornar certas regiões orbitais inutilizáveis por longos períodos. Satélites de navegação, observação e comunicação ficariam expostos ao risco, mesmo que seus proprietários não participassem do conflito.
A Estação Espacial Internacional já precisou fazer várias manobras evasivas para se afastar dos fragmentos do satélite russo destruído em 2022. O episódio mostra como uma ação pontual pode estender seus efeitos por anos.
Saltzman enfatizou que todos os atores envolvidos — e até os países que não estivessem na guerra — sofreriam os danos. Por isso, defendeu a cooperação internacional e a dissuasão como estratégias para evitar um conflito espacial. Segundo ele, as nações deveriam compartilhar a responsabilidade de manter o espaço seguro, protegido e estável.



