Nas profundezas do Oceano Índico, pesquisadores descobriram um tubarão-lanterna tão pequeno que cabe na palma de uma mão. Enquanto o tubarão-baleia pode chegar a 20 metros, o Etmopterus bulbosus não passa de 21,5 centímetros, medida que o coloca entre os menores exemplares de tubarão já catalogados pela ciência.
A captura aconteceu em junho de 2025, próximo às Ilhas Maurício, quando uma equipe a bordo do navio de pesquisa Dr. Fridtjof Nansen fazia um levantamento científico na região. O exemplar estava a uma profundidade entre 400 e 500 metros, faixa em que praticamente não há incidência de luz solar.
A descrição formal da nova espécie saiu em um estudo divulgado na revista Journal of the Ocean Science Foundation em agosto de 2026. Até agora, essa fêmea é o único exemplar conhecido do animal.

Características distintivas do tubarão miniatura
O focinho volumoso e arredondado distingue este tubarão dos demais. Essa característica rendeu ao animal o apelido de tubarão-lanterna-de-focinho-grande. O E. bulbosus tem corpo marrom-escuro, com tonalidade arroxeada na região dorsal e preta na ventral. A pele é coberta por dentículos dérmicos, pequenos espinhos microscópicos que reduzem o arrasto na água.
Para confirmar que se tratava de uma espécie desconhecida, os pesquisadores compararam o exemplar com os 43 tubarões-lanterna já catalogados no gênero Etmopterus. A combinação de características físicas — formato do focinho, padrão de cores e estrutura da pele — permitiu classificar o animal como diferente de todas as espécies conhecidas até então.
O poder da bioluminescência nos abismos
Tubarões-lanterna recebem esse nome pela capacidade de produzir luz própria, um fenômeno chamado bioluminescência. Eles possuem órgãos especializados chamados fotóforos, formados por células que emitem luz, concentrados sobretudo na barriga e nas laterais do corpo. Em diferentes espécies marinhas, essa luminosidade pode funcionar tanto como isca para atrair presas quanto como defesa contra ataques de predadores.
No caso do E. bulbosus, os cientistas ainda não conseguem afirmar como funciona sua bioluminescência nem qual é sua utilidade específica. Como apenas um indivíduo foi analisado, ainda há muitas lacunas sobre o comportamento e a ecologia da espécie.
Tamanho extremo ainda guarda incertezas
Embora o E. bulbosus meça 21,5 centímetros, não é possível confirmar se esse é o tamanho máximo que a espécie atinge. Os pesquisadores analisaram apenas um exemplar, o que limita as conclusões sobre o crescimento potencial.
O tubarão-lanterna-anão (Etmopterus perryi), usado como parâmetro de comparação, tem registros de indivíduos com aproximadamente 21,2 centímetros. A diferença mínima não permite determinar qual das duas espécies é realmente a menor.
Futuras expedições nas águas das Ilhas Maurício podem revelar novos indivíduos e ampliar o conhecimento sobre este diminuto habitante do Oceano Índico. Cada descoberta de uma espécie nova contribui para entender a biodiversidade extrema dos abissos, onde a vida se adapta a condições de escuridão total, pressão intensa e temperaturas próximas de zero.



