Despareceu

Oceano desapareceu da Terra entre continentes e cientistas revelam marcas da história

Sumiço deixou uma marca gravitacional no planeta

Um oceano antigo que se extinguiu deixou uma marca gravitacional no planeta: uma anomalia de 106 metros abaixo do padrão esperado no Oceano Índico. A descoberta mostra como eventos tectônicos de milhões de anos atrás continuam influenciando medições de satélite realizadas hoje e alterando o campo gravitacional terrestre de forma mensurável e permanente.

A região conhecida como Baixo Geoide do Oceano Índico (IOGL) estende-se ao sul da Índia, próximo ao Sri Lanka, e tem uma gravidade ligeiramente mais fraca do que o padrão teórico. O valor de 106 metros não corresponde a uma depressão física visível. Um navio poderia atravessar a área sem registrar qualquer desnível na água.

O valor indica quanto a gravidade local se desvia do modelo matemático que descreve a forma da Terra.

Como a gravidade preserva histórias geológicas

O geoide é a superfície que os oceanos assumiriam se apenas a gravidade e a rotação terrestre atuassem, sem interferência de ondas, ventos ou correntes. Como a massa não se distribui uniformemente dentro do planeta, essa superfície apresenta altos e baixos.

No IOGL, a atração gravitacional é mais fraca porque a densidade em profundidade difere significativamente da encontrada em outras regiões oceânicas. Essa diferença de densidade resulta de eventos ocorridos há aproximadamente 140 milhões de anos. O Oceano Tétis, que separava grandes blocos continentais, começou a desaparecer quando a Placa Indiana avançou em direção ao norte.

A crosta oceânica situada entre a Índia e a Ásia mergulhou no manto através de um processo chamado subducção, iniciando uma transformação geológica de escala planetária.

 

Marcas profundas de um continente que se moveu

Conforme o Oceano Tétis encolhia e desaparecia completamente, a colisão continental que se seguiu contribuiu para formar o Himalaia, uma das cadeias montanhosas mais altas do mundo. Porém, o desaparecimento da água na superfície não eliminou as consequências de profundidade.

Partes frias e densas da antiga crosta oceânica continuaram descendo pelo manto terrestre durante dezenas de milhões de anos, interferindo na circulação de material muito abaixo da superfície.

Esses fragmentos rochosos em movimento alteraram permanentemente a distribuição interna de massa do planeta, deixando uma impressão gravitacional que persiste até hoje. Em pesquisas de campo, cientistas perfuraram quase 30 pontos sob uma cidade de vinhedos e encontraram aproximadamente 104,5 milhões de toneladas de ilita.

Para reconstruir a sequência de eventos, pesquisadores usaram simulações geodinâmicas que recuaram aproximadamente 140 milhões de anos no passado. Os modelos computacionais acompanharam os movimentos das placas tectônicas e testaram como os antigos fragmentos do Tétis modificaram a distribuição de densidade no interior terrestre.

Uma memória geológica registrada na gravidade

A anomalia gravitacional não está necessariamente concentrada sob o centro do IOGL. Estruturas rochosas a centenas de quilômetros de distância também contribuem para o padrão observado pelos satélites. Essa descoberta demonstra que o planeta preserva, em sua estrutura profunda, uma memória geológica de eventos antigos, registrada na distribuição de massa que molda a gravidade medida hoje.

Mais calor

Tempestade solar atinge a Terra hoje e cientistas antecipam consequências

Evento é consequência de uma ejeção de massa coronal que o Sol lançou nos últimos dias

09/10/2026 11h00

Imagem gerada por inteligência artificial

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Classificada como moderada (nível G2), uma tempestade geomagnética atinge a Terra nesta sexta-feira (9), com possibilidade de auroras mais intensas e de interferências em equipamentos tecnológicos. O evento é consequência de uma ejeção de massa coronal que o Sol lançou ainda na quarta-feira (7), dias depois de a mesma região solar registrar duas explosões seguidas.

O acompanhamento do fenômeno é feito pelo Centro de Previsão do Clima Espacial, ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Deslocando-se a uma velocidade estimada em 560 quilômetros por segundo, a ejeção tem chegada estimada para a madrugada desta sexta-feira, entre 1h e 2h no horário de Brasília — cálculo que ainda pode ser revisto à medida que novas informações forem coletadas.

Como a tempestade chega

Duas explosões solares, de classes M1.4 e M1.8, ocorreram na região AR4549, próxima ao centro da face solar voltada para a Terra. Essa sequência rápida de eventos indicou aumento da atividade do Sol, que os centros de previsão continuam monitorando.

Os modelos de monitoramento indicam que a frente da ejeção de massa coronal deve alcançar a Terra entre 1h e 2h da madrugada desta sexta. As condições geomagnéticas devem variar entre G1 e G2 ao longo do dia, com possibilidade de intensificação durante a manhã.

 

Impactos em tecnologia e auroras

Auroras mais brilhantes que o comum podem aparecer em regiões distantes dos polos durante a tempestade. Em tempestades de nível G2, auroras já foram observadas em locais como Nova York e Idaho, embora a aurora boreal não deva ser visível no Brasil mesmo neste cenário.

Os efeitos tecnológicos preocupam mais que as auroras, e alterações na ionosfera podem gerar erros temporários em sinais de GPS, prejudicando qualquer sistema que dependa de posicionamento preciso. Comunicações por rádio de alta frequência sofrerão interferências, e satélites em órbita baixa podem ter suas trajetórias alteradas pelo aquecimento das camadas superiores da atmosfera.

As redes de energia elétrica também estão entre os sistemas vulneráveis, já que esse tipo de tempestade é capaz de gerar correntes elétricas em estruturas na superfície terrestre. Quando o fenômeno é mais intenso, essas correntes podem sobrecarregar equipamentos e levar a falhas no fornecimento de energia.

Proteção natural e risco à saúde

Pessoas na superfície terrestre não enfrentam perigo físico direto, e o campo magnético e a atmosfera do planeta funcionam como escudo contra a radiação e as partículas solares perigosas lançadas pelo Sol.

A preocupação maior recai sobre astronautas e tripulações de voos em altitudes elevadas. A exposição à radiação aumenta significativamente durante esses eventos, sobretudo em rotas próximas aos polos.

Cientistas ainda tentam entender se existe algum tipo de ligação entre esses fenômenos e mudanças no organismo humano, mas trata-se de um campo de estudo que segue sem conclusões definitivas — o que não permite associar a tempestade desta sexta-feira a qualquer efeito sobre a saúde da população.

Solução inteligente

Estudantes cobrem geleira com lã de ovelha e reduzem derretimento em mais de 50%

Camada de lã conteve o derretimento num patamar elevado

09/10/2026 10h27

Foto: Jean-Paul Wettstein/Pexels

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Cobrir o gelo com lã de ovelha se mostrou capaz de frear o derretimento de uma geleira nos Alpes suíços em mais da metade, segundo um experimento recente.

Quatro mestrandos da Universidade de Lausanne conduziram o teste entre junho e setembro de 2026, aplicando lã natural sobre uma área de 200 metros quadrados do glaciar Tsanfleuron. No período, a camada de lã conteve o derretimento num patamar equivalente ao dos geotêxteis sintéticos já empregados há décadas na região alpina.

O projeto Keep It Wool (Preserve com lã) uniu esforços da organização ambiental Summit Foundation e do Centro Interdisciplinar de Pesquisa de Montanha da universidade. Maxime Galley, Elliot Gaffiot, Jose Bastidas e Léonard Duloube comandaram os testes com mantas produzidas pela empresa Fisolan, cada uma medindo 10 metros por 10 metros em espessuras distintas.

Como funcionou o experimento

A equipe instalou duas versões de lã lado a lado e as comparou com uma cobertura sintética de mesmas dimensões. Para fixar tudo no lugar, utilizaram sacos de malte reciclados preenchidos com cascalho, um detalhe que manteve o material seguro ao longo dos meses frios.

A cada duas semanas, estacas colocadas no centro das áreas mediam a perda de neve e gelo. Ao fim do teste, as duas mantas naturais apresentaram desempenho idêntico ao do geotêxtil convencional. O resultado surpreendeu até Niklaus Saegesser, responsável pela Fisolan, que esperava menor resistência do produto natural.

A manta mais espessa teve desempenho ligeiramente superior, embora os dados ainda sejam preliminares.

Sustentabilidade em lugar de desperdício

A lã utilizada é natural e biodegradável, ao contrário dos geotêxteis sintéticos, que liberam microfibras no ambiente. Os estudantes aproveitaram um material frequentemente descartado pela indústria para testar uma forma mais sustentável de proteger as formações geladas, que recuam rapidamente.

A urgência aparece nos dados: as geleiras suíças perderam quase 40% de sua massa nas últimas décadas, e aproximadamente mil pequenas formações desapareceram completamente.

As coberturas, porém, representam uma medida paliativa: alcançam apenas 0,02% da superfície glacial suíça, preservando cerca de 300 mil metros cúbicos de neve a cada ano — uma fração diminuta frente ao quase 1 bilhão de metros cúbicos de gelo que o país perde anualmente.

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