Cobrir o gelo com lã de ovelha se mostrou capaz de frear o derretimento de uma geleira nos Alpes suíços em mais da metade, segundo um experimento recente.
Quatro mestrandos da Universidade de Lausanne conduziram o teste entre junho e setembro de 2026, aplicando lã natural sobre uma área de 200 metros quadrados do glaciar Tsanfleuron. No período, a camada de lã conteve o derretimento num patamar equivalente ao dos geotêxteis sintéticos já empregados há décadas na região alpina.
O projeto Keep It Wool (Preserve com lã) uniu esforços da organização ambiental Summit Foundation e do Centro Interdisciplinar de Pesquisa de Montanha da universidade. Maxime Galley, Elliot Gaffiot, Jose Bastidas e Léonard Duloube comandaram os testes com mantas produzidas pela empresa Fisolan, cada uma medindo 10 metros por 10 metros em espessuras distintas.
Como funcionou o experimento
A equipe instalou duas versões de lã lado a lado e as comparou com uma cobertura sintética de mesmas dimensões. Para fixar tudo no lugar, utilizaram sacos de malte reciclados preenchidos com cascalho, um detalhe que manteve o material seguro ao longo dos meses frios.
A cada duas semanas, estacas colocadas no centro das áreas mediam a perda de neve e gelo. Ao fim do teste, as duas mantas naturais apresentaram desempenho idêntico ao do geotêxtil convencional. O resultado surpreendeu até Niklaus Saegesser, responsável pela Fisolan, que esperava menor resistência do produto natural.
A manta mais espessa teve desempenho ligeiramente superior, embora os dados ainda sejam preliminares.

Sustentabilidade em lugar de desperdício
A lã utilizada é natural e biodegradável, ao contrário dos geotêxteis sintéticos, que liberam microfibras no ambiente. Os estudantes aproveitaram um material frequentemente descartado pela indústria para testar uma forma mais sustentável de proteger as formações geladas, que recuam rapidamente.
A urgência aparece nos dados: as geleiras suíças perderam quase 40% de sua massa nas últimas décadas, e aproximadamente mil pequenas formações desapareceram completamente.
As coberturas, porém, representam uma medida paliativa: alcançam apenas 0,02% da superfície glacial suíça, preservando cerca de 300 mil metros cúbicos de neve a cada ano — uma fração diminuta frente ao quase 1 bilhão de metros cúbicos de gelo que o país perde anualmente.



