Tecnologia

Robôs de entrega já são uma realidade e Inglaterra inicia testes no país

O equipamento suporta cargas de até 15 kg.

A Inglaterra começou a testar um robô autônomo capaz de entregar encomendas sem intervenção humana. Equipado com pernas e rodas, o equipamento suporta cargas de até 15 kg e chega a 6 km/h de velocidade.

A junção dos dois sistemas de locomoção não é acidental: em pisos lisos, as rodas poupam energia, e nos obstáculos, como escadas e terrenos acidentados, as pernas entram em ação. É essa mistura que diferencia o Iris dos robôs de quatro patas já conhecidos no mercado.

Por que duas pernas em vez de quatro

A escolha pelo formato bípede nasceu de uma análise prática das limitações dos robôs com quatro membros.

Suporte ao trabalho, não substituição

Motoristas carregam mais de 200 encomendas de uma vez e precisam fazê-lo rapidamente, o que impõe esforço ao corpo humano.

A proposta é que os robôs assumam a movimentação e o transporte de pacotes, permitindo que os operadores se dediquem a tarefas que exigem julgamento, interação com clientes ou solução de problemas. Um modelo possível seria estacionar o equipamento em um ponto estratégico. De lá, ele enviaria notificações aos destinatários para que retirassem suas encomendas ou escolhessem alternativas de entrega.

Tecnologia ainda em estágio inicial

Para ele, trata-se de uma solução voltada a um público restrito, e essa realidade não deve mudar tão cedo.

Astronomia

Nuvem gigante de 1800 km aparece na superfície de Marte e pouco depois desaparece

O fenômeno intriga cientistas.

09/10/2026 13h12

NASA

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Todos os dias, antes do amanhecer, uma faixa de gelo com até 1800 km de extensão surge no céu marciano e some horas depois, no período da tarde. O fenômeno acontece perto do vulcão Arsia Mons, e intriga cientistas por não seguir o padrão conhecido de formação de nuvens em atmosferas planetárias.

Um artigo publicado na revista Nature Geoscience na quarta-feira (7) detalha o comportamento dessa estrutura, batizada de AMEC (Nuvem Alongada de Arsia Mons). A equipe recorreu a dados da sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia, combinados com simulações do clima marciano para tentar entender como ela se forma e desaparece com tanta regularidade.

Um gigante gelado perto de um vulcão

Arsia Mons tem cerca de 20 km de altura e fica numa região a oeste do planeta. Mesmo esticada por quilômetros de extensão, a nuvem raramente ultrapassa 200 km de largura, o que reforça seu formato alongado e incomum.

A presença dessa massa gelada se repete em certa época do ano marciano, quando o hemisfério sul do planeta atravessa estações mais quentes. Ela nasce ainda no escuro e evapora conforme o Sol avança no céu, num ciclo que intrigou os autores do estudo desde o início das observações feitas pela Mars Express.

O papel do vento e do relevo

Quando correntes de ar encontram a elevação do vulcão, são obrigadas a subir — e, nesse processo, o ar esfria de forma abrupta. Segundo o resumo do artigo científico, essa queda térmica pode chegar a 30 °C em cerca de dez minutos, criando um ambiente propício ao congelamento do vapor presente na atmosfera.

O ponto que chamou atenção da equipe de pesquisa foi outro: os cristais parecem surgir sem a ajuda de partículas como grãos de poeira, que costumam servir de base para o gelo se formar. Esse processo recebe o nome de nucleação homogênea, algo já previsto na teoria, mas raramente comprovado em ambientes naturais.

Como os pesquisadores testaram a ideia

Para verificar se essa explicação fazia sentido, a equipe incluiu esse mecanismo específico nos modelos que recriam a atmosfera de Marte. O resultado reproduziu características da nuvem que os modelos tradicionais não davam conta de explicar sozinhos, o que deu força à hipótese levantada no estudo. Embora os resultados ofereçam uma explicação para o comportamento singular da nuvem, o trabalho se baseia em observações e simulações computacionais, representando um avanço sem significar que todos os detalhes de sua formação estejam definitivamente esclarecidos.

Em um comentário publicado junto ao artigo, a pesquisadora Milena Corcos destacou que os achados abrem caminho importante para investigações futuras. Os resultados reforçam que esse tipo de nucleação pode ter peso maior do que se imaginava na formação de nuvens em outros pontos de Marte — e ajudar a compreender processos atmosféricos e dinâmicas semelhantes em atmosferas de diferentes planetas.

Despareceu

Oceano desapareceu da Terra entre continentes e cientistas revelam marcas da história

Sumiço deixou uma marca gravitacional no planeta

09/10/2026 12h09

Foto: Milada Vigerova/Pexels

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Um oceano antigo que se extinguiu deixou uma marca gravitacional no planeta: uma anomalia de 106 metros abaixo do padrão esperado no Oceano Índico. A descoberta mostra como eventos tectônicos de milhões de anos atrás continuam influenciando medições de satélite realizadas hoje e alterando o campo gravitacional terrestre de forma mensurável e permanente.

A região conhecida como Baixo Geoide do Oceano Índico (IOGL) estende-se ao sul da Índia, próximo ao Sri Lanka, e tem uma gravidade ligeiramente mais fraca do que o padrão teórico. O valor de 106 metros não corresponde a uma depressão física visível. Um navio poderia atravessar a área sem registrar qualquer desnível na água.

O valor indica quanto a gravidade local se desvia do modelo matemático que descreve a forma da Terra.

Como a gravidade preserva histórias geológicas

O geoide é a superfície que os oceanos assumiriam se apenas a gravidade e a rotação terrestre atuassem, sem interferência de ondas, ventos ou correntes. Como a massa não se distribui uniformemente dentro do planeta, essa superfície apresenta altos e baixos.

No IOGL, a atração gravitacional é mais fraca porque a densidade em profundidade difere significativamente da encontrada em outras regiões oceânicas. Essa diferença de densidade resulta de eventos ocorridos há aproximadamente 140 milhões de anos. O Oceano Tétis, que separava grandes blocos continentais, começou a desaparecer quando a Placa Indiana avançou em direção ao norte.

A crosta oceânica situada entre a Índia e a Ásia mergulhou no manto através de um processo chamado subducção, iniciando uma transformação geológica de escala planetária.

 

Marcas profundas de um continente que se moveu

Conforme o Oceano Tétis encolhia e desaparecia completamente, a colisão continental que se seguiu contribuiu para formar o Himalaia, uma das cadeias montanhosas mais altas do mundo. Porém, o desaparecimento da água na superfície não eliminou as consequências de profundidade.

Partes frias e densas da antiga crosta oceânica continuaram descendo pelo manto terrestre durante dezenas de milhões de anos, interferindo na circulação de material muito abaixo da superfície.

Esses fragmentos rochosos em movimento alteraram permanentemente a distribuição interna de massa do planeta, deixando uma impressão gravitacional que persiste até hoje. Em pesquisas de campo, cientistas perfuraram quase 30 pontos sob uma cidade de vinhedos e encontraram aproximadamente 104,5 milhões de toneladas de ilita.

Para reconstruir a sequência de eventos, pesquisadores usaram simulações geodinâmicas que recuaram aproximadamente 140 milhões de anos no passado. Os modelos computacionais acompanharam os movimentos das placas tectônicas e testaram como os antigos fragmentos do Tétis modificaram a distribuição de densidade no interior terrestre.

Uma memória geológica registrada na gravidade

A anomalia gravitacional não está necessariamente concentrada sob o centro do IOGL. Estruturas rochosas a centenas de quilômetros de distância também contribuem para o padrão observado pelos satélites. Essa descoberta demonstra que o planeta preserva, em sua estrutura profunda, uma memória geológica de eventos antigos, registrada na distribuição de massa que molda a gravidade medida hoje.

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