Nesta terça-feira (16), o presidente das Cooperativas U, quarta maior rede de supermercados da França, afirmou que pretende boicotar produtos sul-americanos se o acordo entre a União Europeia e o Mercosul entrar em vigor. O entrave é criado diante do impasse entre Bruxelas e Paris sobre o tratado de livre-comércio com quatro países da América do Sul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai).
Em entrevista cedida à rede de rádio e televisão RMC/BFMTV, o diretor executivo das Cooperativas U, Dominique Schelcher, afirmou que os produtos sul-americanos não serão adquiridos mesmo que desembarquem na França. Na visão do representante da empresa, os equivalentes franceses no mercado não devem ser evidenciados.

“O Mercosul é como se fosse uma Shein da concorrência desleal. Quando obrigamos agricultores a produzir com um certo número de normas, com restrições que são pesadas, mas autorizamos a chegada de produtos com restrições menores, isso é uma forma de concorrência desleal. É preciso se proteger”, avaliou o CEO, enfatizando a insatisfação da companhia.
O detalhe curioso é que a declaração acontece enquanto a União Europeia orquestra votações decisivas que podem determinar a assinatura do tratado com o Mercosul. Por outro lado, o Parlamento Europeu antecipou alguns passos ao aprovar uma série de medidas de proteção mais rigorosas para limitar o impacto do acordo sobre os agricultores do bloco.
O que está em jogo?
A princípio, o texto original favorece as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e bebidas destiladas. Em contrapartida, também beneficia a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos, o que preocupa os setores agrícolas. Como resultado do possível acordo, protestos de agricultores estão sendo realizados na França.
Nesse ínterim, Paris solicitou, no domingo (14), à União Europeia o adiamento da assinatura do pacto, que dirigentes europeus e sul-americanos gostariam de concretizar no sábado (20), enquanto a Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, acontece. No mais, os próximos dias serão decisivos para entender as rotas adotadas pelo bloco de integração regional da América do Sul.





